Santa Catarina amplia cirurgias eletivas de alta complexidade com mutirão no Hospital São José
Parceria entre SES-SC, Hospital São José e Levve Ortopedia prevê 360 artroplastias de quadril e joelho pelo SUS até dezembro.
Santa Catarina passou a ampliar a oferta de cirurgias eletivas de alta complexidade por meio de parcerias com hospitais filantrópicos. O primeiro movimento do modelo começou nesta sexta-feira (3), com o início de um mutirão de artroplastias de quadril e joelho no Hospital São José, executado em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES-SC) e com suporte técnico da Levve Ortopedia, para reduzir a fila do Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa prevê 360 procedimentos de alta complexidade até dezembro — 180 artroplastias de quadril e 180 de joelho —, com 30 cirurgias já programadas para o primeiro fim de semana. O cronograma foi dividido em dois finais de semana por mês, um dedicado às cirurgias de joelho e outro às de quadril, com equipes atuando de sexta-feira a domingo e capacidade de até dez cirurgias por dia.
A Levve Ortopedia responde pela organização técnica do mutirão: disponibiliza a equipe médica especializada, estrutura o fluxo cirúrgico e define os protocolos assistenciais. Para o médico Mário César Búrigo Filho, que integra a equipe da Levve, o desenho busca ampliar o acesso sem perda de qualidade. “Nossa expectativa é proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes e contribuir para reduzir a fila de espera da Secretaria de Estado da Saúde. Esse é um grande trabalho em equipe, que reúne profissionais especializados em cirurgias de joelho e quadril para oferecer um atendimento seguro e de excelência”, afirmou.
O diretor executivo do Hospital São José, Juliano Petters, destacou o perfil da fila atendida. “São pacientes que estão há muito tempo na fila e que agora terão acesso a um procedimento capaz de mudar a rotina dessas pessoas. Ficamos muito felizes em poder proporcionar uma melhor qualidade de vida para quem esperou tantos anos por esse momento”, disse.
Para a Secretaria de Estado da Saúde, o mutirão integra uma estratégia de ampliar cirurgias eletivas de alta complexidade a partir de contratos com filantrópicos que tenham capacidade instalada. “Estamos avançando na realização das cirurgias eletivas de alta complexidade por meio de parcerias com hospitais que têm capacidade técnica e estrutura para atender essa demanda. O Hospital São José é um exemplo desse trabalho conjunto, que reduz o tempo de espera e leva mais dignidade às pessoas que aguardavam por essas cirurgias”, apontou o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi.
Entre os primeiros atendidos estão Roseli Tavares de Araújo, de Içara, e Judite Tiscoski, de Criciúma, que aguardavam há mais de cinco e quase seis anos, respectivamente. “Eu espero largar a bengala. Ela incomoda bastante”, disse Roseli. “Quando veio a notícia pelo WhatsApp, eu fiquei muito feliz. Agora vou poder viver com menos dor, ter uma vida mais livre, passear, sair e brincar com os netos. A espera foi grande, mas chegou o momento da cirurgia”, relatou Judite.
O caso catarinense se soma a movimentos recentes de estados e da rede filantrópica para desafogar a fila cirúrgica do SUS por meio de mutirões de alto volume. Para o gestor hospitalar, o desenho aponta um caminho de contratualização: capacidade instalada em finais de semana convertida em produção cirúrgica escalonada, com um operador ortopédico especializado responsável pelo fluxo e pelos protocolos assistenciais.