Saúde mental corporativa: recorde de licenças e presenteísmo corroem a margem das empresas
Para o CSO da Indexmed, tratar o esgotamento como benefício, e não como dado preditivo, é a falha de gestão que drena a produtividade.
O peso da saúde mental corporativa deixou de ser assunto restrito aos Recursos Humanos e passou a integrar a pauta de governança e sustentabilidade financeira das companhias. Estimativas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que ansiedade e depressão geram prejuízo de US$ 1 trilhão por ano à economia mundial em perda de produtividade. No Brasil, segundo país mais impactado por burnout no mundo de acordo com a International Stress Management Association (ISMA-BR), esse custo corrói a margem de lucro de médias e grandes empresas por meio do presenteísmo, situação em que o profissional está fisicamente presente, mas com capacidade cognitiva e decisória severamente reduzida.
O cenário aparece nos indicadores oficiais. Em 2024, os afastamentos por transtornos mentais concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pelo Ministério da Previdência Social ultrapassaram a marca de 470 mil licenças médicas, recorde da série histórica. Os custos indiretos, ligados à perda de eficiência no dia a dia, tendem a ser ainda maiores do que os gastos com os afastamentos formais.
Para Leandro Santos, CSO da Indexmed, empresa especializada em gestão digital de saúde e segurança do trabalho, tratar a saúde mental de forma reativa é uma falha estratégica que compromete o resultado operacional das companhias.
“A grande armadilha do presenteísmo é que ele mascara a queda de eficiência. Quando um profissional atinge o limite do esgotamento, ele não deixa de ligar o computador; ele simplesmente perde de 30% a 50% de sua velocidade cognitiva e clareza analítica. Para uma empresa, ter 20% da equipe operando nesse estado equivale a pagar salários integrais por metade da entrega”, afirma o executivo.
Segundo Santos, o estresse crônico não gerido desencadeia um ciclo financeiramente danoso, que eleva as taxas de rotatividade emocional e os custos com sinistralidade nos planos de saúde. “O custo para recompor uma posição estratégica perdida para o burnout pode chegar a até 50% da remuneração anual daquele cargo”, destaca.
Da gestão reativa à saúde preditiva
Para conter perdas e proteger a rentabilidade, Santos defende que lideranças executivas e gestores de RH abandonem as ações pontuais e passem a usar dados preditivos na saúde corporativa. A proposta se apoia em três frentes: o mapeamento preditivo de riscos, que identifica gargalos de estresse e sobrecarga antes que virem licenças médicas ou queda severa de produtividade; a mensuração do impacto financeiro, com acompanhamento do retorno sobre o investimento em programas de saúde mental integrados ao orçamento; e a governança, que trata a saúde ocupacional como pilar de continuidade do negócio e de práticas ESG.
O executivo resume a lógica que quer ver adotada pelas empresas. “Saúde corporativa não é custo de benefício, é inteligência preditiva para proteção da margem operacional. As corporações que entenderem a saúde mental dos seus times como um ativo de continuidade do negócio serão as que conseguirão sustentar crescimento e eficiência no mercado brasileiro nos próximos anos”, conclui.
Fundada em 2018, a Indexmed atua na gestão de Saúde e Segurança do Trabalho e no envio dos eventos de SST ao eSocial, com foco em conformidade com a legislação, incluindo as exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Segundo a própria empresa, a plataforma reúne mais de 3,5 milhões de vidas cadastradas e mais de 267 mil empresas gerenciadas.