Política | 9 de setembro de 2026

Na FEHOSUL, Juliana Brizola assume compromisso de diálogo permanente e recuperação do IPE Saúde

Ao fechar a série da encontros com os candidatos ao governo do RS, o setor levou à candidata alertas sobre hospitais deficitários e o aperto na rede credenciada
Na FEHOSUL, Juliana Brizola assume compromisso de diálogo permanente e recuperação do IPE

A candidata ao Governo do Rio Grande do Sul Juliana Brizola (PDT) participou, nesta terça-feira (8), da terceira e última edição da série “Política e Saúde”, promovida pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (FEHOSUL), em Porto Alegre. O encontro foi conduzido pelo vice-presidente da entidade, Odacir Rossato. Acompanharam a postulante ao cargo, o deputado estadual e candidato a reeleição Tiago Duarte (PDT) e o candidato a deputado federal, Nato Welang (PDT).


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Diante de dirigentes hospitalares, executivos de saúde e representantes de laboratórios e serviços de diagnóstico, Brizola centrou sua fala em um compromisso de método: construir a política de saúde do Estado junto com quem atua na ponta. “Nós vamos construir tudo o que for em relação à saúde com quem faz saúde, com vocês”, afirmou. A candidata disse que pretende manter “muito diálogo” com o setor e garantiu que “a porta do Palácio Piratini vai estar aberta para a FEHOSUL”.


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Pró-Hospitais e SUS Gaúcho no centro das propostas

Entre as medidas apresentadas, Brizola destacou a intenção de rever os entraves que, segundo ela, inviabilizaram o programa Pró-Hospitais — mecanismo que permite a empresas destinarem parte do ICMS a hospitais filantrópicos e Santas Casas. “No nosso governo, a primeira coisa que nós vamos fazer em relação ao Pró-Hospitais é retirar esse pedágio”, disse, referindo-se às exigências que, na sua avaliação, tornaram o projeto pouco aplicável.


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A candidata também defendeu o aprimoramento do SUS Gaúcho que, em sua leitura, tem aberto ambulatórios sem enfrentar as filas. Entre as saídas, citou mutirões de consultas, exames e cirurgias e a abertura de um terceiro turno nos hospitais. Brizola condicionou parte dessas ações à recuperação das finanças estaduais e à renegociação da dívida do Estado com a União, tema que, afirmou, já tratou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


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O nó do IPE Saúde

O ponto que dominou o debate foi a situação do IPE Saúde. Rossato afirmou que os dados apontam que 85% dos hospitais gaúchos são deficitários e endividados, e cobrou um olhar do Estado que, segundo ele, faltou durante a pandemia e a enchente. O vice-presidente pediu que a candidata se posicionasse sobre o instituto, que reúne quase 1 milhão de vidas e cuja sustentabilidade preocupa os hospitais de alta complexidade.

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Odacir Rossato (vice-presidente da FEHOSUL) comandou os debates sobre a saúde no Rio Grande do Sul.


Brizola classificou o IPE como “um braço muito importante”, disse que o instituto “foi desestruturado” e defendeu reestruturá-lo “com quem conhece”. Um importante hospital do interior trouxe números para dimensionar o rombo do atendimento SUS: um leito de UTI fechou 2025 com custo médio de R$ 2.500, enquanto o SUS paga cerca de R$ 600. Segundo o dirigente, a rede sempre compensou esse prejuízo com o atendimento suplementar — sobretudo o IPE —, mas o aperto no instituto tornou essa conta insustentável.


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Tiago Duarte, Juliana Brizola e Odacir Rossato.


Representantes das clínicas oncológicas questionaram se o plano de governo prevê cumprir os 12% constitucionais da saúde e apontaram que a nova tabela de medicamentos adotada pelo IPE reduziu de forma expressiva a receita das clínicas de infusão. Brizola reconheceu que o Estado não vem cumprindo o mínimo constitucional “há bastante tempo” e disse ter o compromisso de cumpri-lo “desde o primeiro ano”. Sobre os medicamentos, ele reforçou que o governo dela, caso seja escolhido pelo povo gaúcho, trabalhará com o diálogo diário para reparar perdas e ineficiências por parte das demandas de prestadores da saúde.

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Tiago Duarte defendeu diálogo constante com os prestadores e uma grande reformulação no IPE Saúde.


Tiago Duarte, apresentado por Brizola como seu conselheiro para a área da saúde, sustentou que o IPE precisa ser tratado separadamente do SUS: “A gente não vai poder corrigir o déficit do SUS com o IPE”. Duarte apontou ainda uma defasagem histórica de servidores no instituto, questionou sua vinculação à Secretaria do Planejamento e citou um passivo de judicializações que estimou em R$ 1 bilhão, defendendo a construção de protocolos com o Ministério Público e o Tribunal de Justiça para racionalizar esses recursos. Em reunião recente realizada na FEHOSUL, Tiago Duarte já tinha alertado o setor hospitalar sobre esse passivo.

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Relação dos prestadores de saúde com o IPE Saúde foi um dos principais assuntos discutidos.


Saúde como vetor de desenvolvimento

Provocada por Rossato sobre o peso econômico do setor — que, nas contas apresentadas por ele, responde por 8% a 10% do PIB gaúcho —, Brizola defendeu transformar a saúde em um “cluster” de desenvolvimento, aproveitando universidades, pesquisadores e hospitais do Estado. A candidata afirmou ainda que pretende definir o comando da Secretaria da Saúde em diálogo com o setor, em formato de lista tríplice.

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Odacir Rossato, Juliana Brizola, Paulo Morassutti (vice-presidente da AMRIGS), Tiago Duarte e Nato Werlang.


Ao encerrar, Brizola reforçou o tom que marcou a edição: “Eu tenho o compromisso, nesses quatro anos, de tornar a saúde do nosso estado referência para o Brasil. Mas, para isso, eu preciso contar com vocês”. Com o encontro, a FEHOSUL fecha a série que levou os candidatos ao Governo do Estado a debater diretamente com o setor, após as edições com Gabriel Souza — representado por Ernani Polo — e Luciano Zucco.

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