Rede D’Or renova recorde de faturamento e cresce 10,6% em cirurgias no 2T26
Oncologia avança 22,3% e margem bruta hospitalar sobe 2,3 pontos, enquanto grupo abre novo ciclo de expansão de leitos.
A Rede D’Or São Luiz, maior rede privada de assistência médica do país, divulgou os resultados do segundo trimestre de 2026com avanço em receita, volume cirúrgico e rentabilidade na operação hospitalar. A receita bruta de hospitais, oncologia e outros serviços somou R$ 9,87 bilhões no período, alta de 9,9% sobre o mesmo trimestre de 2025 e de 7,8% ante o primeiro trimestre — patamar que a companhia classifica como o maior faturamento trimestral de sua história nessa operação.
Os resultados da Rede D’Or no 2T26 chegam em um momento de expansão orgânica do grupo, que opera 76 hospitais (73 próprios e 3 sob gestão) e encerrou junho com 13.617 leitos totais, incremento de 4,1% em relação a um ano antes.
Cirurgias e oncologia puxam o crescimento
A Rede D’Or realizou 150,9 mil cirurgias no trimestre, volume 10,6% superior ao do 2T25 e 3,6% acima do trimestre anterior. As cirurgias eletivas cresceram 11,5% na comparação anual e responderam por 72,8% do total de procedimentos, indicando maior peso da demanda programada, geralmente de melhor previsibilidade e margem para o prestador.
A oncologia foi o segmento de maior expansão. A receita bruta das infusões subiu 22,3% ano a ano, combinação de aumento de 15,2% no volume de infusões e de 6,1% no ticket médio do segmento. O avanço eleva a participação da oncologia para 11,6% da receita bruta hospitalar, ante 10,5% um ano antes.
Rentabilidade hospitalar em alta
O lucro bruto da operação de hospitais, oncologia e outros alcançou R$ 2,31 bilhões, crescimento de 20,1% sobre o 2T25, com margem bruta de 26,5% — ganho de 2,3 pontos percentuais na mesma comparação. O EBITDA dessa operação — o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, usado como medida da geração de caixa do negócio — foi de R$ 2,29 bilhões, alta de 11,3% ano a ano, com margem de 26,2%. Desconsiderando efeitos não recorrentes e ajustando a participação na GSH, o EBITDA hospitalar subiu 18,3% e a margem chegou a 26,6%, segundo a companhia.
Expansão entra em fase de entregas
A Rede D’Or mantém mais de 20 projetos de expansão orgânica, entre novas unidades (greenfield) e ampliações de hospitais já existentes (brownfield). As entregas previstas entre 2026 e 2028 somam 2.690 leitos — 715 em novas unidades e 1.975 em ampliações —, segundo o cronograma do Formulário de Referência publicado em maio.
No trimestre, o grupo avançou nas fases finais de obras como as expansões do Hospital Central Tatuapé, em São Paulo, e dos hospitais Glória D’Or e Oeste D’Or, no Rio de Janeiro, além da nova unidade em Ribeirão Preto (SP). Outros projetos seguem em desenvolvimento, com destaque para a ampliação do Hospital Brasil, em Santo André, e as novas unidades em Taubaté e Sorocaba, no interior paulista, além de obras no UDI Hospital (São Luís), no DF Star (Brasília) e no Hospital São Carlos (Fortaleza).
O investimento (capex) do trimestre somou R$ 888,3 milhões, alta de 31,4% ano a ano, puxado pelos desembolsos de expansão, que cresceram 36,6%. No acumulado do ano, o capex chegou a R$ 1,63 bilhão.
Consolidado e SulAmérica
Somando a operação de seguros, previdência e gestão de ativos da SulAmérica, a receita bruta consolidada superou R$ 16,0 bilhões no trimestre, alta de 5,9% ano a ano. O EBITDA consolidado foi de R$ 2,9 bilhões (+18,2%) e o lucro líquido gerencial atingiu R$ 1,24 bilhão, avanço de 9,7% frente ao 2T25. A alavancagem — o nível de endividamento em relação à geração de caixa, medido pela relação entre dívida líquida (o total de dívidas descontado o caixa e as aplicações financeiras) e EBITDA — ficou em 1,71x ao fim de junho, leve redução ante o trimestre anterior.
Na SulAmérica, a sinistralidade consolidada recuou para 78,1%, melhora de 3,2 pontos percentuais sobre o 2T25, movimento que a operadora atribui a reajustes de preço e à intensificação da gestão de sinistros, incluindo frentes de fraude e reembolso. A base de beneficiários de saúde e odontológico chegou a cerca de 6,1 milhões, crescimento de 9,7% no ano, e a receita líquida do braço de seguros somou R$ 8,7 bilhões (+6,9%).
Para o gestor de saúde, os números reforçam duas tendências que vêm se consolidando no setor privado: a migração do faturamento hospitalar para procedimentos eletivos e de maior complexidade, com destaque para a oncologia, e a busca por equilíbrio econômico na saúde suplementar via reajuste e controle de sinistros.
Materiais consultados> Rede D’Or — Relatório de Resultados 2T26 (Relações com Investidores) | Rede D’Or — Informações Financeiras Intermediárias em 30/06/2026 (ITR, revisão EY) | Rede D’Or — Planilha de Fundamentos 2T26.