Health Meeting 2026 abre quarta edição celebrando recordes de participação
Força de trabalho, inteligência artificial e aproximação entre ensino e prática reuniram gestores e especialistas na FIERGS, em Porto Alegre
.
Escassez de profissionais, aumento da demanda com o envelhecimento da população, pressão sobre os custos e avanço acelerado da inteligência artificial estiveram entre os principais debates do primeiro dia da Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA 2026, na terça-feira (22), no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre. A programação tratou ainda de mudanças no modelo de assistência, formação profissional, acesso a medicamentos e preparo dos hospitais para emergências sanitárias.
Abertura celebra o crescimento da feira
A quarta edição estreou em novo espaço, o Centro de Eventos da FIERGS. A abertura oficial reuniu autoridades e lideranças do setor em uma cerimônia na qual a organização celebrou recordes de participação. Segundo os organizadores, o evento dobrou de tamanho em relação a 2025 e ocupa mais de 10 mil m² de área de exposições, com mais de 400 marcas, 48 startups e 4.500 congressistas em mais de 30 congressos simultâneos. A projeção é de circulação superior a 25 mil pessoas nos três dias. A organização apresenta a Health Meeting como a maior feira de saúde do Sul do Brasil
“Estamos recebendo visitantes de todo o país e caravanas de todas as regiões do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A Health Meeting é um evento onde diferentes ideias e profissionais podem se encontrar e construir juntos o futuro da saúde”, celebrou o presidente da feira, Gilmar Dalla Roza.
O presidente do Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA), Henri Siegert Chazan, dimensionou o setor na capital: “Porto Alegre tem mais de 3.200 empresas da saúde que empregam mais de 100 mil pessoas. A Health Meeting conecta todo esse ecossistema em favor do futuro da assistência”.
Representando o Ministério da Saúde, a coordenadora-geral de Formação e Inovação para o Provimento Profissional, Thais Maranhão, enfatizou a importância do evento para a qualificação dos sistemas de saúde. A secretária estadual da Saúde, Lisiane Wasem Fagundes, que representou o governador Eduardo Leite, destacou a necessidade de discutir a saúde do futuro: “Qual será o modelo de saúde do amanhã? Se não soubermos responder a essa pergunta, todas as inovações vão demorar para chegar ao paciente”. Ao celebrar a quarta edição, a vice-prefeita de Porto Alegre, Betina Worm, ressaltou que a cidade “tem uma expertise que supera vários estados” no setor.
A cerimônia contou ainda com o secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt; o secretário da Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter; o secretário da Inovação da capital, Luiz Carlos Pinto; a superintendente de clientes e mercado da UNIMED PORTO ALEGRE, Graziella Ranzan; o presidente da Medlive, Geferson Tolotti; o presidente da UNICRED, João Henrique Santiago Irigaray; e o diretor técnico do SEBRAE RS, Ariel Berti, entre outras autoridades.
A conta da força de trabalho
O painel “Tendências e grandes desafios da saúde para hoje e para o futuro” abriu o 17º Workshop da Agenda Executiva em Saúde. O diretor-geral do HOSPITAL MÃE DE DEUS, Sandro Junqueira, apresentou um cenário de pressão financeira e necessidade de mão de obra. A estimativa citada no debate é de que o mundo tenha 11 milhões de profissionais de saúde a menos até 2030, enquanto o envelhecimento amplia a demanda por assistência.
“A conta não fecha. Temos uma demanda crescente, com mais pessoas idosas e doenças crônicas, enquanto enfrentamos a falta de profissionais. O hospital do futuro precisa ser construído a partir de pessoas, processos e tecnologia”, afirmou Junqueira.
A transformação digital apareceu como outra mudança estrutural. Segundo dados apresentados no painel, 65% dos executivos da saúde pretendem investir em saúde virtual em 2026, e 90% dos pacientes que usaram teleconsulta avaliaram a experiência de forma positiva. Junqueira ponderou, porém, que a expansão da inteligência artificial no setor ainda depende de bases sólidas de dados, interoperabilidade e cibersegurança.
Distribuição, formação e acesso a medicamentos
Thais Maranhão, do Ministério da Saúde, também chamou atenção para a distribuição dos profissionais pelo território. Ela ressaltou que o país tem mais de quatro milhões de trabalhadores em 82 categorias e defendeu o uso de dados para identificar as necessidades de cada região.
O vice-presidente do SINDIHOSPA e sócio-fundador do GRUPO SÃO PIETRO HOSPITAIS E CLÍNICAS, Daniel Giaccheri, levantou a questão da qualidade da formação médica. Já o presidente executivo da Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares (Abradimex), Paulo Maia, tratou dos obstáculos para garantir o acesso a medicamentos de alto custo, sobretudo diante de roubos de cargas e falsificação de produtos.
Hospitais e a resposta rápida ao Ebola
A 6ª Jornada de Controle e Prevenção de Infecções, promovida pelo SINDIHOSPA, discutiu a necessidade de resposta rápida a doenças infecciosas. O infectologista Rafael Cunha Matiuzzi, do Hospital Nossa Senhora da Conceição, apresentou o tema “Enfrentando o Ebola: Estratégias em um Cenário Endêmico em Transformação”. Segundo ele, o hospital é referência estadual do Ministério da Saúde para o enfrentamento da doença. Matiuzzi explicou que o risco de Ebola no Brasil é considerado baixo, mas que a circulação internacional de pessoas exige protocolos preparados.
De acordo com os dados apresentados pelo especialista, República Democrática do Congo e Uganda formam o atual epicentro do surto, com 7.672 casos confirmados nos dois países. No Brasil, quatro casos suspeitos foram registrados em 2026: dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e um no Rio Grande do Sul. O caso gaúcho foi posteriormente descartado e diagnosticado como malária.
“Em um mundo globalizado, temos pessoas que circulam por diferentes países e precisamos estar preparados para reconhecer rapidamente um caso suspeito e acionar o protocolo”, afirmou Matiuzzi.
Fórum de Educação em Saúde estreia na feira
O primeiro dia também marcou a estreia do 1º Fórum de Educação em Saúde, voltado a aproximar a formação acadêmica das necessidades dos serviços. O painel “Como aproximar a educação da prática” reuniu representantes de instituições de ensino, hospitais e organizações da área para discutir a preparação dos profissionais diante das transformações do setor.
“Fazer essa conexão do que é ensinado na academia para a prática é um dos nossos grandes desafios. Precisamos lidar com a questão de liderança e recursos de maneira que se mantenha uma assistência segura ao paciente”, ressaltou a professora Daniela dos Santos Schneider, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que moderou o painel.
Programação segue até quinta-feira
A agenda de terça incluiu ainda a 2ª Jornada de Custos e Controladoria, a Jornada de Segurança do Paciente em Anestesiologia, o 2º Seminário de Infraestrutura da Associação Brasileira do Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH), o Reúne Health & Lab e o 12º Superdosagem Duo Medlive.
A 4ª Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA segue até quinta-feira (24), das 9h às 19h. A visitação à área de exposições é gratuita.
HEALTH MEETING BRASIL/SINDIHOSPA 2026
A 4ª Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA acontece nos dias 22, 23 e 24 de setembro, no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre. Realização da Health Meeting Brasil Feiras e Congressos, em parceria com o SINDIHOSPA. Patrocínio: UNIMED PORTO ALEGRE, UNICRED, Medlive e SEBRAE. Media partners: BAND RS, Setor Saúde e Brasil Inovador.