Health Meeting 2026 encerra com visitação 30% maior e projeta espaço internacional em 2027
Próxima edição prevê receber empresas de até dez países, com rodadas de negócios e visitas a hospitais.
A Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA 2026 encerrou na quinta-feira (24) sua quarta edição com visitação 30% superior à de 2025, segundo a organização. Durante três dias, o Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre, reuniu milhares de pessoas em torno de conexões, negócios e troca de conhecimento. A quinta edição já tem data: 28, 29 e 30 de setembro de 2027, com a projeção de forte presença internacional.
Com o dobro de espaço em relação a 2025, a feira reuniu mais de 400 marcas nos mais de 10 mil m² do pavilhão, entre profissionais da saúde, hospitais, clínicas, governos, entidades representativas, startups e indústria. A organização apresenta o evento como a maior feira da saúde do Sul do Brasil. Os números e os debates do primeiro dia estão na cobertura da abertura da feira.
“Foi um desafio dobrar de tamanho, mas todo o nosso trabalho de construção coletiva valeu a pena. Foram três dias de corredores cheios e muita interação de todo o cluster da saúde. Tivemos visitantes que atravessaram o país para estar aqui. Isso nos dá a certeza de que estamos no caminho certo e reforça nossa confiança para uma Health Meeting ainda melhor no próximo ano”, afirmou o presidente da feira, Gilmar Dalla Roza.
Espaço internacional em 2027
Realizada no Rio Grande do Sul, estado que a organização apresenta como o segundo maior polo de saúde do Brasil, a Health Meeting atraiu organizações de todas as regiões gaúchas e de vários pontos do país. Para 2027, a feira terá um espaço internacional, lançado na terça-feira (22). A expectativa é contar com empresas de até dez países, em uma programação especial com rodadas de negócios e visitas a hospitais.
Pela quarta vez no evento, a UNICRED PORTO ALEGRE esteve presente neste ano com uma linha de crédito específica para a feira. Para Sabrina Torres, executiva de Marketing e Comunicação da cooperativa, “as pessoas já reconhecem a qualidade da Health Meeting e entendem que este é um espaço de atualização para os profissionais de saúde, além de um ambiente de inovação, desenvolvimento e, principalmente, de conexões”.
A MAX CIRÚRGICA, que atua há mais de 40 anos com fabricação, importação e distribuição de dispositivos médicos hospitalares, também fez balanço positivo. “Estamos juntos desde a primeira edição e este ano foi o ápice do sucesso. Foi a consolidação de um grande projeto em prol da saúde e de novas tendências e tecnologias para o setor”, disse o CEO da empresa, Emerson Almeida.
Startups e inovação
Startups e parques tecnológicos apresentaram suas novidades e se conectaram com potenciais investidores nas rodadas de negócios do SEBRAE RS e na Arena Inovação & Conexões. “A Health Meeting é uma grande vitrine de negócios para nossas startups e seus projetos inovadores, gerando protagonismo e muitas oportunidades”, afirmou Michael Moreira, analista de ecossistema de inovação do Tecnosinos, da Unisinos. Na mesma linha, Diana Dorst, analista de projetos do Tecnovates, da Universidade do Vale do Taquari (Univates), destacou que “o ecossistema regional precisa desses vínculos e de poder mostrar o que estamos fazendo na saúde”.
No fim da quinta-feira, foi anunciada a vencedora da batalha de startups: a healthtech SKEDIA, que usa inteligência artificial para acelerar o faturamento de clínicas médicas. A empresa terá a possibilidade de negociar R$ 200 mil em investimento por meio da aceleradora VENTIUR SMART CAPITAL.
Hospital do Amanhã e o novo centro de oncologia
Um dos espaços mais movimentados da feira foi o Hospital do Amanhã, promovido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e pela SEFERIN ARQUITETURA DA SAÚDE. Nesta edição, o espaço apresentou o futuro da jornada do paciente oncológico, com tecnologias já utilizadas pelo próprio hospital no tratamento do câncer, como uma máquina de sequenciamento genético. “Em novembro vamos abrir o nosso Centro Integrado de Oncologia, que vai qualificar ainda mais o tratamento oncológico e o cuidado do paciente com câncer na instituição”, afirmou o diretor-presidente do HCPA, Brasil Silva Neto.
A programação do espaço incluiu, na manhã de quarta-feira (23), um painel com Leandro Scafaro, supervisor da unidade de Radiologia Intervencionista do HCPA, com a simulação ao vivo de uma ablação hepática em fígado bovino, para demonstrar a técnica no tratamento de tumores do fígado.
Trilha do conhecimento
A feira reuniu mais de 30 atividades simultâneas em seis auditórios e nos estandes, entre congressos e palestras. Estrearam nesta edição o Fórum de Educação em Saúde, o Fórum de Qualidade e Excelência em Saúde, o Fórum de Longevidade e o Fórum de Pesquisa Clínica. A Health Meeting sediou ainda o 12º Superdosagem Duo, realizado pela distribuidora Medlive, além de eventos já tradicionais, como o workshop da Agenda Executiva em Saúde, o Fórum de Inovação, a Jornada Internacional de Segurança do Paciente e os congressos científicos do SINDIHOSPA.
“O Sindicato tem essa expertise de promover encontros de qualificação para diferentes áreas da saúde. Com a Health Meeting, reunimos todas essas atividades em um só lugar, em uma grande trilha do conhecimento”, disse Henri Siegert Chazan, presidente do Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA).
Acreditação como processo contínuo
No 1º Fórum de Qualidade e Excelência em Saúde, na quarta-feira (23), a tese central foi tratar a acreditação como processo permanente, integrado à estratégia e aos resultados das organizações, e não como avaliação pontual. A perspectiva internacional veio do médico Somporn Kumphong, CEO da American Accreditation Commission International (AACI) para a região Ásia-Pacífico. Ao projetar a acreditação para 2030, ele descreveu um avaliador que atua menos como fiscal e mais como mentor e parceiro da organização. “O avaliador de 2030 é um mentor e um colega. Alguém que fortalece a organização, não apenas um policial”, afirmou. Para Kumphong, o principal símbolo dessa transformação será a confiança construída pela organização, e não apenas o certificado na parede.
Para Admilson Reis, superintendente de Riscos, Qualidade e Responsabilidade Social do HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, essa mudança exige que a qualidade esteja incorporada à estratégia e à agenda da alta liderança. “O investimento é o meio, a reputação é a consequência, e a qualidade é a estratégia em si própria”, disse.
Gisele Piccolli, coordenadora Assistencial do GRUPO DOC, defendeu que a qualidade precisa ser percebida pelo paciente, e não apenas registrada em indicadores e documentos. “A qualidade não é apenas um dado, não é apenas um relatório que eu entrego no final do mês. Tem de ser algo que o paciente sinta lá na ponta”, afirmou. Graccho Alvim Neto, vice-presidente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), relacionou desperdício, sustentabilidade e resultados assistenciais. “O desperdício não é a sobra; é o recurso que não se transformou em saúde”, pontuou.
Brasil Silva Neto, do HCPA, defendeu que a acreditação seja incorporada à governança, e não tratada como atribuição exclusiva das equipes de qualidade. José Floriani, vice-presidente do GRUPO DOC e secretário-executivo da Associação Nacional das Empresas de Serviços Médicos, reforçou que essa cultura deve alcançar os profissionais e as empresas envolvidos na assistência. “A acreditação não é um destino final, mas sim uma forma contínua de atuar”, afirmou.
Inteligência artificial na rede pública
No mesmo dia, o painel “Inteligência Artificial na Saúde”, do 4º Fórum de Inovação, mostrou como a tecnologia já altera a rotina da assistência, inclusive na rede pública de Porto Alegre. O secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, destacou a digitalização do sistema e a integração dos dados dos pacientes, com o objetivo de eliminar a fragmentação das informações. “O rádio se foi, o videocassete se foi, o papel também se foi. Se a gente não inovar, vamos continuar fazendo mais do mesmo”, afirmou.
De acordo com o secretário, o aplicativo 156+POA registra mais de 200 mil acessos mensais e terá, como próxima etapa, recursos de comando de voz voltados especialmente à população com mais de 60 anos. Segundo a Prefeitura, a estratégia busca ampliar o acesso e usar a tecnologia para atuar de forma mais preventiva.
No painel, a inteligência artificial apareceu como apoio aos profissionais, e não como substituta da decisão médica. Thiago Xavier Ribeiro, da Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre (PROCEMPA), citou aplicações em áreas como a análise de mamografias e a identificação de lesões de pele. “A visão da inteligência artificial é que ela tem que ser um apoio médico, uma ferramenta à disposição do profissional na tomada de decisão”, explicou.
HEALTH MEETING BRASIL/SINDIHOSPA 2026
A 4ª Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de setembro, no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre. Realização da Health Meeting Brasil Feiras e Congressos, em parceria com o SINDIHOSPA. Patrocínio: UNIMED PORTO ALEGRE, UNICRED PORTO ALEGRE, MEDLIVE e SEBRAE. Media partners: BAND RS, Setor Saúde e Brasil Inovador.