Mapa Assistencial: planos de saúde realizam 2 bilhões de procedimentos em 2025
Despesas assistenciais sobem 11% em valores nominais e 6,6% já descontada a inflação pelo IPCA.
Os beneficiários de planos de saúde realizaram 2 bilhões de procedimentos em 2025 — entre consultas médicas, exames, terapias, internações e atendimentos odontológicos —, alta de 3,7% em relação a 2024. Os números constam do painel do Mapa Assistencial da Saúde Suplementar, divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 30 de junho.
O resultado marca uma aceleração do ritmo de utilização. Em 2024, o setor havia somado 1,94 bilhão de procedimentos, com crescimento de apenas 0,3% sobre 2023. A base de cálculo é uma carteira de cerca de 53 milhões de beneficiários em planos de assistência médica, o que equivale a uma média superior a 5,5 milhões de atendimentos por dia.
Os exames ambulatoriais seguem como o maior grupo assistencial, com 1,23 bilhão de registros — mais de 60% de toda a produção do setor e crescimento de 3,9% ante 2024. Os procedimentos odontológicos somaram 203,7 milhões, alta de 6,7%, o maior avanço percentual entre os grandes grupos.
Internações concentram quase metade das despesas
Nesta edição, o Mapa passou a apresentar a evolução das despesas assistenciais em valores nominais e corrigidos pela inflação. Na comparação com 2024, o gasto assistencial subiu 11% em termos nominais e 6,6% quando corrigido pelo IPCA — sinal de pressão de custo real que os gestores de operadoras e prestadores acompanham de perto.
As internações explicam boa parte dessa conta. Foram 9,9 milhões de registros, alta de 8,9% e o maior aumento proporcional entre os grandes grupos. Embora representem apenas 0,49% da produção assistencial, concentraram 41,9% das despesas do setor. A dinâmica financeira das operadoras ajuda a interpretar esse peso: no primeiro trimestre de 2025, as operadoras médico-hospitalares já haviam registrado recuperação de resultado operacional.
Utilização por beneficiário atinge recordes
O painel também mede a utilização por beneficiário, o que evita distorções ligadas ao tamanho da população coberta. Em 2025, a média de exames ambulatoriais chegou a 23,5 por beneficiário, o maior patamar da série histórica iniciada em 2019. A média de internações, de 0,196 por beneficiário, também bateu recorde. Já consultas médicas, terapias ambulatoriais e procedimentos odontológicos por beneficiário permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia.
As consultas médicas somaram 288,7 milhões, crescimento de 1,5%, com média estável de 5,5 consultas por beneficiário. Os atendimentos com fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos totalizaram 205,7 milhões, com desaceleração no ritmo de crescimento.
Oncologia e cardiologia puxam alta complexidade
Entre as especialidades, a endocrinologia teve o maior avanço em consultas (5,9%). A clínica médica caiu 20,4%, mas segue como a área mais procurada. As internações cirúrgicas cresceram 11,8%, com destaque para implantes de marcapasso (15,1%) e de cardiodesfibrilador implantável (20,2%).
O câncer também pesou. As internações por neoplasias subiram 15,7%, lideradas por câncer de próstata (22,6%), câncer de mama feminino (19,7%) e câncer de colo de útero (15,8%). Os procedimentos de quimioterapia sistêmica por beneficiário avançaram 17,1%, e as internações em UTI neonatal cresceram 19,4%.
Para o gestor de saúde, o Mapa Assistencial funciona como termômetro do setor: os dados subsidiam o planejamento assistencial, a precificação e o aperfeiçoamento das políticas regulatórias, num cenário em que o volume de procedimentos e o custo real da assistência avançam em paralelo.