Gestão e Qualidade, Tecnologia e Inovação | 13 de março de 2018

7 tendências que estão redesenhando a medicina segundo Paulo Hoff

Um dos principais oncologistas do Brasil destaca a incorporação da inteligência artificial
7 tendências que estão redesenhando a medicina segundo Paulo Hoff

O renomado oncologista da Rede D´Or São Luiz, Dr. Paulo Hoff, comandou a segunda palestra do Seminários de Gestão: Saúde do Futuro, com o tema Terapêutica do Futuro, no Hotel Continental, em Porto Alegre, no dia 9. O evento constitui promoção da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (FEHOSUL), Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA) e Associação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (AHRGS). Alceu Alves da Silva, recém anunciado vice presidente da MV, comandou o debate e momento de perguntas do público ao final da palestra.

O palestrante iniciou sua apresentação abordando as “Sete tendências que estão redesenhando a medicina”. De acordo com o oncologista, estamos em processo de reinvenção da medicina como um todo. “Nos últimos 30 ou 40 anos, gerou-se mais informação e conhecimento para a medicina do que já havia sido conquistado em toda a história da humanidade”, ressaltou.

Em entrevista exclusiva para o Portal Setor Saúde, Hoff declarou que estamos atingindo um novo nível de informatização na saúde. “As novas ferramentas de tratamento chegaram a um ponto em que a medicina terá que se reinventar para poder fazer uso de todos esses recursos para melhorar os resultados de tratamento da população”, analisou.

 

Segundo o oncologista, as sete tendências que estão redesenhando a medicina são: robotização, inteligência artificial na avaliação de imagens, manipulação genética, nanotecnologia, impressão 3D, Big Data e custo-efetividade. “ Todas elas se resumem na incorporação de novas tecnologias, usando principalmente a inteligência artificial”, explicou.

De acordo com Hoff, no dia-a-dia dos cirurgiões, já não é mais surpresa a utilização de robôs nos procedimentos. “Nos EUA, já temos 80% das cirurgias de próstata sendo assistidas por robôs. Em 20 anos, não será mais discutido se é válido ou não a utilização de robôs”, informou.

Considerado a maior “contratação” da história da medicina brasileira, o oncologista explicou que a ciência veio facilitar a vida do operador. “Creio que é um caminho sem volta”, declarou.

Hoff também abordou o tratamento de doenças genéticas, a “fabricação” de órgãos e a aceleração da resposta imunológica através da manipulação genética. “ Estamos acelerando o processo evolutivo em condições antes nunca imaginadas. O que antes levava milhares de anos poderá ser feito através de uma tecnologia”, contou.

Segundo Hoff, a manipulação genética ainda está em sua infância e é bastante restrita. “Nós conseguimos antever, em um futuro não muito distante, um momento em que a manipulação genética será algo bastante comum. A magnitude do impacto vai depender muito das decisões que a sociedade terá que fazer, inclusive em termos éticos, de quais serão os limites em que essa manipulação será aceita ou não”, analisou.

Paulo Hoff apresentou as 7 tendências

Paulo Hoff apresentou as 7 tendências

 

O oncologista também enfatizou a importância do prontuário eletrônico para a análise de dados, facilitando o atendimento personalizado, avaliação de risco e a integração das informações entre dispositivos. “A ideia de guardar as informações em papel tem que acabar”, anunciou.

O palestrante explicou a situação atual brasileira na utilização desse tipo de tecnologia. “No Brasil como um todo, houve uma explosão no número de robôs. Hoje estamos caminhando na mesma direção que os colegas norte-americanos seguiram há 10 anos”, contou.

" Estamos acelerando o processo evolutivo em condições antes nunca imaginadas. O que antes levava milhares de anos poderá ser feito através de uma tecnologia"

” Estamos acelerando o processo evolutivo em condições antes nunca imaginadas. O que antes levava milhares de anos poderá ser feito através de uma tecnologia”

 

O médico que desenvolveu parte importante de sua carreira profissional no renomado MD Anderson Cancer Center, de Houston, Texas (EUA), contou que, nos Estados Unidos, a cada cinco dólares gerados para a saúde, um dólar é gerado dentro do próprio setor. “ Isso representa 20% do PIB retornando para a saúde, o que é muito. O nosso governo [Brasil] gasta 4% e o setor privado mais 4%, em números arredondados. Temos que saber se estes gastos serão sustentáveis ou não”, frisou.

Diferenças Brasil e EUA

O oncologista também explicou a diferença tecnológica entre a saúde brasileira e norte-americana. “A diferença mais gritante é de acesso. Esse tipo de tecnologia usualmente é apresentada primeiro nos Estados Unidos. Fundamentalmente, há uma diferença muito grande nos recursos disponíveis para a implantação desse tipo de tecnologia na prática diária. O que eles gastam em saúde, é maior que o nosso PIB inteiro”, comparou.

Hoff enfatizou que a escolha de cada tratamento deverá levar em conta não apenas a eficácia das alternativas disponíveis, mas também os custos correspondentes a cada uma delas.

O palestrante concluiu a apresentação avaliando qual o cenário futuro da área da saúde. “A evolução tecnológica é uma realidade demandada pelos nossos pacientes, esperada pelos colegas e, se ela puder ser levada de uma maneira bem equilibrada, vai realmente tornar a medicina algo completamente diferente, certamente mais eficiente do que temos hoje”, concluiu.

Paulo Hoff e Alceu Alves da Silva

Paulo Hoff e Alceu Alves da Silva

 

Sucesso de público e Segurança do Paciente em maio

Sucesso de público com 200 inscritos, o Saúde do Futuro teve como patrocinadores a MV, a Seguros Unimed, o Banrisul e a Bionexo. O portal Setor Saúde é o veículo de comunicação oficial do evento e a FASAÚDE é a instituição de Ensino Superior responsável pela emissão dos certificados do evento.

No dia 4 de maio, ocorre a segunda edição deste ano do Seminários de Gestão, com o tema Segurança do Paciente. Em breve, as entidades de saúde do Sistema FEHOSUL (SINDIHOSPA e 10 sindicatos do interior) e AHRGS divulgarão mais informações.

O presidente da FEHOSUL, Cláudio José Allgayer, falou da importância do próximo tópico. “ A cultura em hospitais, clínicas e demais empresas deve ter a segurança do paciente como elemento irrevogável. Somente com esforços neste sentido mudaremos comportamentos com práticas norteadoras para as decisões que tomamos em nosso trade como um todo”, assegurou.

 

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