Simpósio da Santa Casa leva neurocirurgia em 3D para sala de cinema em Porto Alegre
II Simpósio do Serviço de Neurocirurgia do Hospital São José abre no cinema GNC Moinhos com cirurgias gravadas em 3D.
A Santa Casa de Porto Alegre promove, de 23 a 25 de julho, o II Simpósio do Serviço de Neurocirurgia do Hospital São José. A abertura acontece fora do ambiente hospitalar: no cinema GNC Moinhos, onde vídeos de procedimentos neurocirúrgicos serão exibidos em 3D para especialistas, residentes e estudantes — formato que a instituição descreve como uma experiência imersiva inovadora no Brasil.
As imagens foram captadas por um microscópio cirúrgico de alta tecnologia disponível na Santa Casa. Oito médicos do Serviço de Neurocirurgia conduzirão a sessão, apresentando os casos e respondendo às dúvidas dos participantes. A proposta transporta para uma sala de projeção comercial o tipo de conteúdo que costuma ficar restrito ao centro cirúrgico e às salas de aula dos hospitais de ensino.
Segundo o diretor médico do Hospital São José, Jorge Luiz Kraemer, a iniciativa amplia a compreensão das técnicas cirúrgicas. “A comissão organizadora se inspirou em experiências realizadas na Alemanha para proporcionar uma vivência diferenciada. A visualização em 3D, em uma sala de cinema, torna o entendimento dos procedimentos muito mais claro e próximo da realidade, enriquecendo significativamente o aprendizado”, afirma.
Nos dias 24 e 25 de julho, a programação segue no Centro Histórico-Cultural da Santa Casa, com palestras, debates e apresentações científicas. Também serão realizadas cirurgias ao vivo, acompanhadas da discussão dos casos. As atividades abordarão os desafios atuais e as perspectivas futuras da neurocirurgia. Esta é a segunda edição do encontro — a primeira foi realizada em julho de 2025, no próprio complexo hospitalar.
Para a gestão hospitalar, o formato levanta uma pergunta de retorno sobre ativo. Um microscópio cirúrgico com captura em 3D é um investimento de capital relevante, e cada procedimento gravado gera um acervo audiovisual reaproveitável em residência médica, atualização do corpo clínico e posicionamento institucional. O hospital que trata esse material como subproduto do centro cirúrgico perde escala. O que o trata como ativo de ensino converte capex assistencial em argumento de atração e retenção de especialistas — variável crítica em uma especialidade de formação longa e oferta restrita.
Para a indústria de tecnologia médica, fornecedora dos sistemas de microscopia e visualização, o movimento aponta um canal de demonstração que extrapola o bloco cirúrgico. Quando o equipamento se torna protagonista de uma sessão aberta ao corpo médico e a residentes, o argumento de venda deixa de ser exclusivamente clínico e passa a incluir capacidade de ensino — o que muda o interlocutor dentro do hospital e o critério de decisão da compra.