Estatísticas e Análises | 12 de junho de 2017

O avanço da sífilis: do nascimento à falta de medicamentos

Escassez de antibióticos para o tratamento e aumento do número de casos preocupa a área da saúde
O avanço da sífilis do nascimento à falta de medicamentos

A sífilis é uma das doenças sexualmente transmissível (DST) mais conhecidas do mundo e, mesmo com as campanhas de prevenção e uso de camisinha, está em curva ascendente no Brasil desde 2015. Em 2001, a sífilis congênita, transmitida da mãe para o feto em gestação, acometia um em cada mil bebês nascidos vivos no Brasil. Em 2015, esse número saltou para 6,5 em mil no país e 12,4 em mil no Rio de Janeiro, o estado mais afetado.

A doença pode ser causa da morte do feto e, quando não o mata, pode causar uma série de distúrbios, em variados graus de gravidade, de anemia e problemas na fala, na motricidade e retardo mental severo. O bebê pode nascer ou não com sintomas.

Causas

O Ministério da Saúde informa que “diversos fatores podem contribuir para o aumento dos casos notificados de sífilis registrado nos últimos anos, entre eles a melhoria da vigilância e do diagnóstico”.  O diretor do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), Gil Simões, acredita que a melhora no diagnóstico não explica o que vemos nos hospitais. Os casos de sífilis eram raros, agora são frequentes.

Simões lembra que não há apena uma causa, mas um conjunto de fatores que levam a esse número, mas a assistência no pré-natal é essencial. “Há ainda um abismo de classes. Os mais pobres são os mais atingidos porque, muitas vezes, não têm acesso a um pré-natal bem feito. E isso não tem a ver apenas com o número de consultas. Ainda faltam capacitação e atualização dos profissionais de saúde no manejo das DSTs”, explica.

Falta de antibióticos 

O tratamento também enfrenta problemas atualmente. Ele é realizado com antibióticos conhecidos há décadas. Porém, o mundo enfrenta a escassez de dois desses antibióticos, as penicilinas do tipo benzatina e cristalina, desde 2014. A benzatina é o único remédio recomendado para prevenir à sífilis congênita. Ela impede a transmissão de mãe para filho, pois é capaz de atravessar a placenta.

A penicilina benzatina é escassa porque apenas dois laboratórios no mundo produzem seu princípio ativo. O Ministério da Saúde declara que desde 2016 não há desabastecimento de penicilina benzatina e nem da cristalina (potássica, para o tratamento dos bebês). O órgão governamental  também garante que o estoque está garantido até o fim de 2017.

Por medida provisória, o governo mudou a regulação de preços, para estimular a produção nacional. Além de incluir esses antibióticos na lista de 52 produtos importados cuja produção nacional será estimulada por meio de parcerias público-privadas.

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