Do berço ao envelhecimento: Hospital Moinhos apresenta visão integral da saúde cerebral no maior congresso de neurologia do Brasil
No Congresso Brain 2026, especialistas do hospital mostraram que prevenir o Alzheimer e cuidar da mente começa na infância.
Prevenir o Alzheimer décadas antes dos primeiros sintomas, ensinar crianças a salvar vidas e reconstruir a saúde mental de quem perdeu tudo em uma enchente. Esses foram os temas que o Hospital Moinhos de Vento levou ao Congresso Brain 2026, o maior congresso de neurologia do Brasil, realizado de 3 a 6 de junho, em Porto Alegre. No Simpósio Satélite “Fronteiras do Cérebro e Mente”, três especialistas da instituição defenderam que saúde cerebral é um trabalho que começa muito antes — e vai muito além — do consultório.
O Dr. Christian Kieling, head da Unidade de Pesquisa em Saúde Mental do Moinhos, abriu o simpósio conectando neurociência e realidade social. Por meio de uma parceria com o Ministério da Saúde, via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), o hospital desenvolve um projeto de suporte psicossocial às pessoas impactadas pelas enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. Os resultados foram apresentados pela primeira vez no congresso: quase 500 triagens realizadas em diferentes municípios, maior presença de sintomas entre mulheres e redução superior a 50% nos sintomas de ansiedade e depressão entre os participantes que concluíram o programa, que segue com recrutamento ativo.
“Recomeçar também é saúde cerebral. Ainda estamos coletando dados sobre ansiedade climática, um campo com imensas oportunidades de pesquisa e que diz muito sobre os desafios que estão por vir”, afirmou.
O Alzheimer começa 20 anos antes do diagnóstico
O Dr. Eduardo Zimmer apresentou o retrato da neurologia na era dos biomarcadores. O Alzheimer responde por 75% dos casos de demência, e seus rastros biológicos — as proteínas amiloide e tau — podem estar presentes no cérebro duas décadas antes de qualquer sintoma. Essa janela representa uma oportunidade real de intervenção.
“Hoje temos biomarcadores para todas as fases da doença. Isso muda tudo. Controlar a hipertensão arterial, por exemplo, é uma das intervenções mais eficazes que temos. Precisamos priorizar a prevenção”, destacou.
Saúde cerebral começa na infância
A Dra. Sheila Martins encerrou o simpósio ao defender que saúde cerebral é, antes de tudo, uma questão de educação e política pública. O cérebro é moldado desde a infância, e iniciativas como o Flash Heroes — programa internacional implementado pelo Moinhos em 2019, que ensina crianças a reconhecer sinais de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) — mostram que é possível agir cedo e em escala.
“Sabemos o que precisa ser feito: sono bom, alimentação adequada, estímulo cognitivo, combate ao sedentarismo. Saúde cerebral é uma questão de humanidade, para que todas as pessoas possam ter mentes saudáveis e possam recomeçar. Acreditamos que podemos construir saúde cerebral para todos e em todos os lugares”, concluiu.
Centro da Memória conecta assistência, pesquisa e formação
O Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento é onde essas três visões se encontram. Há dez anos a instituição investe na construção de um projeto que une assistência, pesquisa e formação.
“São três craques do nosso time. O Centro da Memória é onde neurologia e neuropsiquiatria se unem à pesquisa, com a Faculdade de Medicina e todos os pesquisadores envolvidos nesse grande projeto que o hospital vem construindo nos últimos dez anos”, destacou o superintendente médico da instituição, Dr. Luiz Antônio Nasi.