Libbs movimenta R$ 780 milhões em saúde da mulher e acelera lançamentos
Historicamente forte em contracepção e terapia hormonal, a farmacêutica brasileira agora avança sobre a saúde vaginal com um probiótico.
Enquanto a indústria farmacêutica reduziu o ritmo de inovações em saúde da mulher nas últimas décadas — redirecionando investimentos para áreas como oncologia, imunologia e doenças raras —, a Libbs seguiu o caminho oposto. O segmento hoje movimenta cerca de R$ 780 milhões por ano na companhia, responde por 18,5% do faturamento bruto e atendeu aproximadamente 3,4 milhões de pacientes em 2025.
Farmacêutica 100% brasileira, com 68 anos de atuação, a Libbs se apresenta como líder em contracepção e terapia hormonal para a menopausa no país. Após anos operando com um portfólio maduro, a empresa retomou o ritmo de lançamentos no segmento. Em 2025, trouxe ao Brasil o Nextela, contraceptivo oral que combina uma molécula de estrogênio idêntico ao natural à drospirenona. Agora amplia a linha com o Zaila, probiótico voltado à saúde vaginal desenvolvido em parceria com a dinamarquesa Novonesis.
“A base do nosso crescimento e desenvolvimento foram os medicamentos similares. Hoje, esse mercado já está consolidado. A pergunta que nós fazemos é: qual é a próxima grande necessidade a ser atendida?”, diz Anna Guembes, diretora de Inovação e Desenvolvimento de Negócios da Libbs. Segundo a executiva, saúde feminina e cardiologia são exemplos de mercados que “avançaram muito no passado e depois deram uma parada”, enquanto os grandes investimentos da indústria migravam para oncologia e doenças raras.
Em 2025, a Libbs destinou R$ 208,5 milhões a pesquisa, desenvolvimento e inovação e mantém um pipeline com mais de 60 projetos. A companhia prevê um novo lançamento para menopausa ainda em 2026, sujeito à aprovação regulatória. A área de ginecologia, uma das mais relevantes de seu negócio, reúne 19 marcas e 33 apresentações.
Mudança regulatória abre espaço para o probiótico
O Zaila chega em um momento de virada regulatória. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a permitir o registro de probióticos com indicações além da saúde gastrointestinal — até pouco tempo, não era possível registrar no Brasil um produto voltado à microbiota vaginal, mesmo diante de evidência clínica. O suplemento combina as cepas Lacticaseibacillus rhamnosus GR-1 e Limosilactobacillus reuteri RC-14, entre as mais estudadas para saúde vaginal. De acordo com a Libbs, a empresa será a única do mercado nacional a oferecer essa combinação.
O produto novo, porém, enfrenta um obstáculo antigo: convencer o médico. Para Anna Guembes, boa parte dos ginecologistas já reconhece a importância da flora vaginal, mas faltava no Brasil uma opção aprovada para essa indicação.
A estratégia se apoia em uma leitura do mercado brasileiro. Embora o país seja o sétimo maior mercado farmacêutico do mundo, isso representa apenas 1,5% do total global, enquanto os Estados Unidos concentram quase metade — o que leva algumas multinacionais a não priorizarem o Brasil. A executiva aponta o custo do capital e a burocracia dos estudos clínicos como entraves, ainda que reconheça avanços recentes da Anvisa nos prazos. Para contornar essas barreiras, a Libbs tem buscado parcerias que viabilizem a chegada de novas soluções aos pacientes brasileiros.