Estatísticas e Análises | 9 de junho de 2026

ASCO 2026: câncer de pulmão em destaque na plenária com terapia-alvo e imunoterapia biespecífica

esquisas com participação da Oncoclínicas chegam à sessão plenária e reforçam o avanço da medicina de precisão em oncologia.
câncer de pulmão em destaque na plenária com terapia-alvo e imunoterapia biespecífica

Entre os milhares de trabalhos submetidos à reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), apenas um grupo restrito é escolhido para a sessão plenária — o espaço reservado às pesquisas com maior potencial de transformar a prática médica. Em 2026, dois estudos sobre câncer de pulmão alcançaram esse destaque, com resultados que podem influenciar o tratamento da doença em diferentes etapas da jornada do paciente.



Os trabalhos miram momentos distintos: um busca reduzir o risco de recidiva após a cirurgia; o outro propõe uma nova geração de imunoterapia para a doença avançada. Juntos, traduzem uma das principais tendências da oncologia atual — tratamentos cada vez mais personalizados e direcionados às características biológicas de cada tumor.


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Para William Nassib William Jr., líder nacional da especialidade de tumores torácicos da Oncoclínicas (grupo Oncoclínicas&Co), os dois estudos sintetizam o rumo da medicina de precisão.

“São estudos que mostram como a medicina de precisão continua avançando. De um lado, buscamos reduzir o risco de o câncer voltar após a cirurgia. De outro, estamos desenvolvendo estratégias mais sofisticadas para potencializar a resposta do sistema imunológico contra o tumor”, afirma.


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Terapia-alvo para evitar o retorno do câncer após a cirurgia

Um dos destaques da plenária é o estudo de fase 3 LIBRETTO-432, que avaliou o selpercatinibe em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (NSCLC) com fusão RET submetidos à cirurgia com intenção curativa.

A alteração RET aparece em uma pequena parcela dos casos, mas seu reconhecimento ganhou peso nos últimos anos com o desenvolvimento de terapias-alvo capazes de bloquear especificamente essa via molecular. O selpercatinibe já é usado em pacientes com doença avançada, com respostas duradouras nesse cenário. A novidade está em testar a mesma estratégia em fases mais precoces da doença.


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“O estudo avalia uma situação muito importante: pacientes que foram operados e aparentemente tiveram todo o tumor removido, mas que ainda apresentam risco de recorrência. A ideia é utilizar uma terapia-alvo de forma preventiva para diminuir as chances de o câncer retornar”, explica William.

A pesquisa contou com a participação de centros internacionais, incluindo a Oncoclínicas, e amplia o alcance da medicina personalizada para os estágios iniciais do câncer de pulmão.

Imunoterapia biespecífica abre uma nova fronteira

O segundo estudo de destaque, o HARMONi-6, avaliou o ivonescimabe combinado à quimioterapia em pacientes com câncer de pulmão escamoso avançado sem tratamento prévio.

O diferencial está no mecanismo de ação. Trata-se de uma imunoterapia biespecífica, desenhada para atuar ao mesmo tempo sobre dois alvos relevantes para o desenvolvimento do câncer: a via PD-1, já amplamente explorada pelas imunoterapias atuais, e o VEGF, proteína associada à formação dos vasos sanguíneos que alimentam o crescimento tumoral. A proposta reúne em uma única molécula mecanismos que aumentam a resposta imunológica contra o câncer e, ao mesmo tempo, interferem em processos que favorecem a progressão da doença.

“Estamos falando de uma nova geração de imunoterapias. Essas drogas conseguem atuar em mais de um alvo ao mesmo tempo, o que pode ampliar sua eficácia e abrir caminho para novas abordagens terapêuticas”, afirma o especialista.

No estudo, o ivonescimabe foi comparado ao tislelizumabe, imunoterapia já estabelecida, ambos associados à quimioterapia. Os resultados apresentados sugerem vantagem para a nova estratégia terapêutica.

O que os dois estudos sinalizam

Embora tratem de cenários diferentes, os trabalhos compartilham uma mensagem comum: a oncologia caminha para tratamentos cada vez mais personalizados e biologicamente orientados. No LIBRETTO-432, a inovação está em identificar precocemente pacientes com alterações moleculares específicas e oferecer terapia direcionada para reduzir o risco de recaída. No HARMONi-6, o avanço aparece em uma imunoterapia capaz de agir simultaneamente sobre diferentes mecanismos da progressão tumoral.

“São avanços que reforçam uma mudança importante na oncologia. Hoje não tratamos apenas o local onde o câncer surgiu, mas também suas características moleculares e a forma como ele interage com o sistema imunológico. É isso que está permitindo resultados cada vez melhores para os pacientes”, conclui William.

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