Gestão e Qualidade | 15 de março de 2017

Modelos de liderança para líderes que fazem a diferença

Painel abordou o papel do líder e sua formação na área da saúde
Modelos de liderança para líderes que fazem a diferença

Com o foco na gestão, o painel Modelos de Liderança que Impactam os Resultados contou com a presença de profissionais da área da saúde que conhecem e são exemplos reconhecidos. O assunto foi um dos temas do Seminários de Gestão: Tendências e Inovações em Saúde, realizado no dia 10 de março pela FEHOSUL e pelo SINDIHOSPA, em Porto Alegre.

Os palestrantes foram a Presidente do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), médica e professora Nadine Oliveira Clausell, o Coordenador do Instituto Dona Helena de Ensino e Pesquisa IDHEP, médico Carlos José Serapião, e a Sócia Diretora da 3Up Talentos, Katia Barreiro Magni. Atuou como coordenador da mesa de debates o Diretor Geral do SINDIHOSPA, médico Paulo Roberto Soares.

Foco na qualificação dos gestores

Nadine iniciou sua exposição  elogiando o público e os classificando como “uma plateia diferenciada”.  Ela deixou claro que iria falar sobre um hospital público acadêmico e contou um pouco de sua história. “Ele foi inaugurado através de um mecanismo legal de criação que foi brilhante e mostrou porque quando existe uma cabeça muito inteligente pensando ´o troço periga dar certo´, apesar de ser dentro de uma instituição pública”, brincou.

Nadine_HCPA

Nadine: “Um hospital universitário só tem sentido, se ele atende bem o cliente e também forma pessoas de uma maneira excepcional e com excelência. São gerações de médicos e técnicos de enfermagem de altíssima qualidade”,

 

Segundo ela, quando o hospital foi criado ele foi vinculado com a universidade, mas que ele não poderia ser ligado administrativamente a uma universidade para não sofrer as amarras da burocracia, definindo isso como a principal diferença do hospital. “Ele (referindo-se ao então Reitor da UFRGS, professor e médico Eduardo Faraco) conseguiu convencer os poderosos da época, e aqui a gente está falando da ditadura militar, criando esse hospital como uma personalidade jurídica de direito privado. Somos o único hospital universitário que não é rigorosamente um ente estatal”, conta.

A presidente do Hospital de Clínicas externou seu entendimento do que é preciso para um bom hospital universitário e enfatizou a importância do aprendizado. “Um hospital universitário só tem sentido, se ele atende bem o cliente e também forma pessoas de uma maneira excepcional e com excelência. São gerações de médicos e técnicos de enfermagem de altíssima qualidade”, explica.

O HCPA atua na assistência, ensino, pesquisa e gestão em saúde, sendo um reconhecido polo de formação de recursos humanos, produção de conhecimento e inovação.

Para mostrar a complexidade do comando de um hospital universitário, Nadine explicou que muitos chefes de seções não são gestores e o hospital está cada vez mais investindo na capacitação e gestão de seus funcionários e professores os transformando em líderes. “Cada vez mais integrando [os professores e funcionários] no dia-a-dia dos pacientes sempre com o suporte da equipe administrativa”, conta.

Ética 

O Coordenador do Instituto Dona Helena de Ensino e Pesquisa IDHEP de Joinville, Carlos José Serapião, foi o segundo a falar sobre os Modelos de Liderança que Impactam os Resultados.  Sua conferência abordou a ética e como ela se tornou essencial para os líderes hospitalares. Ele ressalta que se introduziu um conceito de ética, não só nas empresas, mas também para as entidades hospitalares, fazendo com que os líderes dos hospitais sejam cobrados a respeito da mensuração da qualidade ética das instituições hospitalares.

Serapiao

Serapião: Na “profundidade” situa-se o nível do ambiente e da cultura ética institucional. Os valores, entendimentos e mensagens não escritas.

 

Serapião classificou os comportamentos das lideranças e destacou a responsabilidade e a autoridade. “A responsabilidade, numa organização, se refere a uma relação entre a liderança e a organização, a partir da qual nascem o comportamento, as intenções, os planos para agir, ou simplesmente, para não agir”, explica.

O médico ressaltou que a qualidade nos cuidados de saúde é geralmente focada na qualidade técnica e de serviços. Porém, ele também lembra que a qualidade ética é igualmente importante. “Ela traduz que as práticas através da organização sejam consistentes com standards éticos largamente aceitos, normas e expectativas de atuação preconizados”, diz.

Ele também definiu o nível de qualidade ética em três níveis. O mais “superficial” corresponde às ações e decisões da prática diária de uma organização de saúde. Mais abaixo está o nível “intermediário” do sistema e dos processos que orientam e dirigem as decisões. Só aparece quando por algum motivo requisitamos análise ou consultas éticas. Na “profundidade” situa-se o nível do ambiente e da cultura ética institucional. Os valores, entendimentos e mensagens não escritas.

E se o líder disser “não estou preparado”

Katia Barreiro Magni, Sócia Diretora da 3Up Talentos – Porto Alegre, ficou encarregada da última exposição, já no período  da noite. No início, Katia contou um pouco dos seus trabalhos anteriores, como, por exemplo, experiências no setor hospitalar com o desenvolvimento de lideranças no Hospital Moinhos de Vento e no Hospital Israelita Albert Einstein. Ela também já atuou como executiva de Recursos Humanos em empresas como Banco Matone, Sebrae-rs, Net Sul e RBS.

Magni: "Quantos dos nossos líderes podem dizer que não estão preparados?"

Magni: “Quantos dos nossos líderes podem dizer que não estão preparados?”

 

Segundo ela, se estuda desde 1930 sobre “qual é o perfil, qual é o melhor modelo de um líder que vai gerar resultado”, porém, “todas as teorias acabam sendo refutadas por que não tem uma comprovação científica de que aquele modelo específico, que foi dito como modelo de sucesso realmente é um sucesso em todas as organizações”, explicou Katia aos presentes. Ou seja, “cada caso, é um caso”.

Dessa forma, a palestrante afirmou que sua exposição será baseada em 25 anos de experiências próprias, como coaching e professora universitária. E convidou os participantes a fazerem uma “reflexão acerca das tendências na área de liderança que estão acontecendo e influenciando nossa vida para construirmos nosso modelo”.

Segundo ela, uma pesquisa com mais de sete mil gestores de RH de 130 países mostrou as principais tendências de capital humano, “o que já está acontecendo nas organizações e o que ainda vai acontecer”, completou Katia. Entre os itens estão a cultura – “que deve estar no foco da estratégia da organização”, disse ela, para se criar um ambiente que gere resultados, uma cultura que ajude nisso.

Prosseguindo na apresentação, Katia afirmou ao público que cabe ao líder decidir se quer influenciar uma cultura, porque “todos nós podemos ser somente observadores de cultura, ou nós podemos ser transformadores de cultura”, completou.  Segundo ela, a geração atual espera que os líderes sejam inspiradores, que sirvam como exemplos a serem seguidos.

“Eu quero admirar o meu chefe. Eu quero receber dele os feedbacks que eu preciso para melhorar meu desempenho na carreira”, afirmou a palestrante, referindo-se aos colaboradores da que ela chamou de “geração internet”. E que as pessoas, atualmente buscam seu propósito nas organizações, no trabalho, “você não está aqui por acaso”, disse ela. Além disso, Katia falou sobre motivação, que um líder desmotivado contaminaria toda a equipe; sobre os impactos que uma liderança causa nas pessoas; acerca, da mesma forma, dos níveis de liderança e atuação desses líderes.

Para finalizar, a palestrante falou sobre experiências pessoais e perguntou aos presentes “quantos dos nossos líderes podem dizer que não estão preparados? ”. Muitas vezes, as pessoas assumem desafios, e precisam ter a liberdade de dizer que se sentem inseguras. Estas não podem ser abandonadas. “Manter comportamentos próprios, que sejam estranhos à comunidade, exige alta energia e autoestima”. E complementou que “ser forte, significa pedir ajuda também”.

Respondendo à pergunta de um dos assistentes  Katia afirmou que “quando um líder assume uma nova função, ele não está preparado. Quando ele se depara com um novo ambiente, ele se depara com uma nova cultura. E aí vem a nossa responsabilidade como líder mentor de ajudar as pessoas a fazerem isso [acontecer ou a terem maior segurança]”.

Kátia finalizou a sua explanação com um desafio ao público do evento. Que cada um refletisse internamente sobre “o que o motiva a ser um líder melhor? ”

Presidente do Sindihospa agradeceu a presença do público ao final do Tendências e Inovações em Saúde

Presidente do Sindihospa agradeceu a presença do público ao final do Tendências e Inovações em Saúde, na Amrigs

VEJA TAMBÉM