Mundo | 22 de novembro de 2016

Laboratório Theranos tido como revolucionário está perto do fim?

Problemas se acumulam, mas nova iniciativa tenta reverter a perda de credibilidade
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Um dos maiores investidores na Theranos acusa a empresa de uma série de mentiras para atrair investimentos, que chegaram perto de US$ 100 milhões. A empresa já foi considerada revolucionária e chegou a valer 9 bilhões de dólares. Mas acusações de um ex-funcionário colocaram em xeque a credibilidade da empresa de exames laboratoriais. Não fechar definitivamente parece ser uma tarefa cada vez mais árdua.

O Wall Street Journal informou que a Partner Fund Management, de São Francisco, está acusando a fundadora e CEO da Theranos, Elizabeth Holmes, de ter enganado a empresa com a sua alegação de que havia desenvolvido “tecnologias próprias que funcionavam” e que estava perto de obter aprovações regulatórias. Um porta-voz da Theranos disse ao jornal que a ação não é procedente.

A ação vem uma semana após Theranos fechar seus laboratórios clínicos e centros de bem-estar na Califórnia, Arizona e Pensilvânia, além de ter demitido 340 funcionários. Com sede em Palo Alto (EUA), a Theranos já está sob investigação criminal por seu dispositivo de teste de sangue, que parece não oferecer os diversos benefícios que prometia.

De acordo com o portal The Verge, no início de novembro a rede de drogarias Walgreens, a maior dos EUA, decidiu processar o laboratório Theranos e vai exigir na justiça uma indenização de US$ 140 milhões por supostamente ter induzido seus clientes ao erro. A Walgreens era uma das empresas com quem Holmes, quando estava no auge do sucesso, fechou acordos para popularizar os testes da Theranos.

Em julho, a startup  já havia perdido sua licença de realizar os exames de laboratório. Elizabeth Holmes também foi banida de possuir ou operar um laboratório por dois anos

MiniLab

A empresa diz que agora vai se concentrar no desenvolvimento do miniLab, um laboratório em miniatura. De acordo com o site Technology Review, em agosto Elizabeth Holmes, apresentou a tecnologia em uma conferência médica da American Association for Clinical Chemistry, na Filadélfia.Mesmo em meio à polêmicas que abalaram sua credibilidade, a fundadora da Theranos afirmou que a companhia tinha desenvolvido um Minilab sofisticado, capaz de realizar uma série de exames, incluindo detecção do vírus Zika, a partir de uma amostra de sangue retirada através de uma picada no dedo.

“Nós escolhemos esta reunião para iniciar uma troca científica”, disse ela. “Queríamos introduzir a invenção”, afirmou. Holmes disse que o novo dispositivo automático é resultado de anos de pesquisa secreta e descreveu-a como “uma plataforma única” capaz de realizar uma grande variedade de diferentes tipos de testes usando pequenos volumes de sangue. Holmes disse que o teste do vírus Zika já foi submetido à agência reguladora, FDA, para aprovação. Resta saber se o miniLab é, de fato, eficiente, ou terá o mesmo fim do “revolucionário” exame de sangue da Theranos, que prometia resultados mais assertivos e em tempo recorde.

Resta saber, também,  se o mercado e novos investidores ainda acreditam em Elizabeth Holmes. Credibilidade é o “ativo” mais difícil de ser conquistado por uma marca, podendo levar anos para se concretizar. Holmes conquistou rapidamente, mas perdeu de forma ainda mais rápida.

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