Tecnologia e Inovação | 25 de maio de 2026

Novartis investe R$ 145 milhões em pesquisa clínica no Brasil e expande estudos de alta complexidade

Farmacêutica suíça registra crescimento de 45% nos investimentos, conduz mais de 100 estudos ativos e avança na descentralização da pesquisa para o Norte do país.
André Sanches Diretor de Pesquisa Clínica da Novartis Brasil

A Novartis investiu R$ 145 milhões em pesquisa clínica no Brasil em 2025 — crescimento de 45% sobre 2024 —, consolidando o país como um dos pilares estratégicos do desenvolvimento clínico global da farmacêutica suíça. Com mais de 100 estudos ativos e expansão de 76% no portfólio ao longo dos últimos cinco anos, a companhia aprofunda sua atuação em terapias de fronteira e avança em iniciativas voltadas à descentralização regional da pesquisa.


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Por que isso importa

O aumento expressivo do investimento reflete uma tendência estrutural no mapa global da pesquisa clínica: países com diversidade populacional elevada, capacidade científica instalada e ambiente regulatório em maturação tornam-se destinos cada vez mais estratégicos para estudos multicêntricos. O Brasil, nesse cenário, deixou o papel coadjuvante e assumiu posição de relevância — está entre os dez maiores mercados globais da Novartis e já integra protocolos com tecnologias que ainda não chegaram ao mercado.


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Para gestores e executivos do setor de saúde, o movimento sinaliza o amadurecimento do ecossistema de pesquisa clínica nacional e abre espaço para parcerias entre indústria farmacêutica, centros especializados e o sistema público de saúde.


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Portfólio diversificado e tecnologias de fronteira

Os mais de 100 estudos clínicos conduzidos pela Novartis no Brasil abrangem oncologia, imunologia, área cardio-renal-metabólica, neurociências e hematologia. O portfólio inclui ainda pesquisas voltadas a enfermidades com forte impacto em populações vulneráveis — doença falciforme, doença de Chagas e dengue —, historicamente sub-representadas nos pipelines de inovação farmacêutica global.


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Em termos tecnológicos, os protocolos em andamento envolvem terapias gênica, celular e radioligante: modalidades que exigem centros altamente capacitados, infraestrutura laboratorial sofisticada e rigor regulatório. O fato de o Brasil já sediar estudos com essas abordagens representa um salto qualitativo na maturidade do setor.


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“Pesquisa clínica é uma etapa fundamental para o desenvolvimento de novas terapias e para a geração de evidências em diferentes populações. O Brasil reúne capacidade científica, diversidade populacional e centros habilitados a participar de estudos cada vez mais complexos, o que amplia sua relevância no cenário global de pesquisa”, afirma André Sanches (FOTO), Diretor de Pesquisa Clínica da Novartis Brasil.

Descentralização como estratégia de equidade

Um dos maiores gargalos da pesquisa clínica brasileira é a concentração histórica dos centros nas regiões Sul e Sudeste. Esse desequilíbrio restringe a diversidade dos participantes — especialmente de populações negras — e compromete a representatividade dos dados gerados nos estudos.

A Novartis tem atuado diretamente nessa frente. Um exemplo foi o programa desenvolvido com centros de saúde no Amazonas, Pará e Amapá para a condução de um estudo sobre doença de Chagas aguda. A iniciativa envolveu treinamentos presenciais e à distância, além de suporte técnico contínuo — um modelo cujo impacto extrapola a pesquisa e fortalece o ecossistema assistencial local.

Atualmente, 2,4 mil pacientes participam de estudos clínicos da Novartis no Brasil, ampliando o acesso a acompanhamento especializado e a novas alternativas terapêuticas em regiões onde a oferta ainda é insuficiente.

“Ampliar a diversidade na pesquisa clínica exige planejamento, presença regional e fortalecimento de capacidades locais. Quando um centro é preparado para conduzir estudos, o impacto vai além da pesquisa em si: profissionais são capacitados, processos são aprimorados e o sistema de saúde fica mais preparado para atender a população. É nesse sentido que dizemos que pesquisa também é acesso”, explica Sanches.

Novo marco regulatório e perspectivas

O avanço dos investimentos ocorre em paralelo a uma importante mudança no ambiente regulatório brasileiro. A Lei nº 14.874/2024, que estabeleceu diretrizes para a condução de pesquisas com seres humanos no país, é avaliada positivamente pela companhia como um passo em direção a maior previsibilidade para o setor.

Na visão da Novartis, um marco legal mais robusto pode ampliar a competitividade brasileira para atrair estudos multicêntricos globais — mas sua efetividade depende da articulação entre reguladores, centros de pesquisa, comitês de ética e indústria.

“A legislação contribui para um ambiente mais previsível, mas seu impacto depende da articulação de todo o ecossistema. O Brasil tem condições de ampliar sua participação na pesquisa clínica global, combinando diversidade populacional, capacidade científica e centros preparados para estudos de alta complexidade. O desafio é garantir que esse avanço se traduza em benefícios concretos e mais equitativos para a população”, conclui Sanches.

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