Hospital Moinhos de Vento debate futuro da enfermagem com lideranças internacionais
impósio reuniu especialistas de quatro países para discutir burnout, escassez global de profissionais e modelos de excelência assistencial.
O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, promoveu nesta quinta-feira (14) o XII Simpósio Internacional de Enfermagem, reunindo mais de 250 participantes presenciais e palestrantes dos Estados Unidos, Argentina, Colômbia e Espanha. O evento colocou em debate temas como esgotamento profissional, escassez global de enfermeiros, inovação assistencial e a busca por certificações de excelência como o modelo Magnet.
Os dados apresentados durante o simpósio expõem a dimensão do desafio que o setor enfrenta: 59% dos enfermeiros relatam algum nível de esgotamento emocional, e a projeção é de um déficit de 13 milhões de profissionais no mundo até 2030. Para Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento, o evento reflete um movimento institucional mais amplo. “O profissional da enfermagem representa a instituição Moinhos de uma forma muito altruísta. Cada vez mais, aqui no hospital, a gente tenta buscar uma Enfermagem mais científica, esse é o propósito de um simpósio como esse”, afirmou, destacando também o alinhamento do evento com a estratégia de manutenção de certificações internacionais como Magnet e Newsweek.
Autocuidado, propósito e enfermagem virtual
A abertura das palestras internacionais ficou a cargo de Karla Schroeder, vice-presidente e diretora de Enfermagem para Cuidados Ambulatoriais e Ambulatorial Virtual da Emory Healthcare (EUA). Sua apresentação abordou a transformação dos modelos assistenciais e o papel do propósito como antídoto ao esgotamento. “Enfermagem não é um papel que a gente desempenha, é uma extensão da nossa humanidade, do nosso propósito. Assim damos sentido até para os dias mais difíceis, lembramos que o que fazemos importa, quem somos importa”, disse. Schroeder também apresentou experiências com o modelo Magnet, cujos pilares incluem governança compartilhada, liderança, inovação, desenvolvimento profissional e gestão baseada em evidências.
Desafios compartilhados entre Brasil, Colômbia e Argentina
A mesa-redonda da tarde, intitulada “Enfermagem sem fronteiras: conexões globais e desafios compartilhados”, revelou convergências importantes entre sistemas de saúde distintos. Belisa Marin Alves, coordenadora de Enfermagem do Moinhos de Vento, alertou para o impacto da alta rotatividade na segurança assistencial: “Esse conjunto de fatores se torna extremamente desafiador quando falamos em segurança, qualidade e cuidado.”
Diana Cristina Castellanos Uribe, coordenadora de Qualidade e Gestão do Cuidado de Enfermagem da Fundación Santa Fe de Bogotá (Colômbia), ampliou o escopo da discussão ao posicionar a enfermagem como agente estratégico das organizações: “O papel da enfermagem não é apenas cuidar da vida do paciente, mas também contribuir para a sustentabilidade da organização.” Alejandra Parisotto, diretora de Enfermagem do Hospital Universitário Austral (Argentina), enfatizou a necessidade de ampliar o protagonismo da categoria: “Precisamos mostrar à população tudo o que os enfermeiros são capazes de fazer.”
Experiência Magnet espanhola como referência
María del Carmen Rumeu Casares, diretora de Enfermagem da Clínica Universidad de Navarra, encerrou a programação apresentando a trajetória do primeiro hospital espanhol a obter a certificação Magnet. Segundo ela, o modelo é sustentado por autonomia profissional, qualificação contínua e participação ativa da enfermagem nas decisões organizacionais. “Mantemos uma estrutura apoiada na liderança da enfermagem, com equipes altamente capacitadas, integração interdisciplinar e gestão baseada em indicadores de desempenho e qualidade, fatores que contribuem para baixos índices de rotatividade e maior engajamento das equipes”, pontuou.
Para gestores de saúde brasileiros, o simpósio oferece um retrato claro do caminho que instituições de referência estão trilhando: investimento em valorização profissional, certificações internacionais e modelos de governança que colocam a enfermagem no centro das decisões estratégicas — não apenas assistenciais.
Matéria elaborada com base em informações do Hospital Moinhos de Vento.