Gestão e Qualidade | 5 de dezembro de 2017

DRG/IPG é tema do Seminários de Gestão: Tendências e Inovações em Saúde

Médica consultora da Optum abordou as características e vantagens dos modelos de remuneração
DRG IPG é tema do Seminários de Gestão Tendências e Inovações em Saúde

A médica consultora da Optum/UnitedHealth Group, Aline Silva Medeiros, comandou a terceira palestra da IV edição do evento Seminários de Gestão: Tendências e Inovações em Saúde, promovido pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (FEHOSUL) e pelo Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA), com o tema Novos Modelos de Remuneração DRG/IPG (Diagnosis Related Groups/Inpatient Grouper). O Superintendente Executivo do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre/RS, Mohamed Parrini, e o Superintendente Administrativo do Hospital Ernesto Dornelles de Porto Alegre/RS, Odacir Vicente Rossato, foram os debatedores do tema.

A palestrante falou sobre o sistema IPG, que, segundo ela, “é um modelo construído para o mercado brasileiro que visa agrupar internações clinicamente homogêneas utilizando dados prontamente disponíveis”. O objetivo do modelo é desenvolver a capacidade analítica e conhecer o perfil de internações de um ou determinado grupo de hospitais, além de destacar oportunidades.

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Aline Silva Medeiros, da Optum

 

A metodologia do IPG consiste em: identificar a condição médica do paciente, com base no código de diagnóstico CID-10 (CID Alta); identificar todos os procedimentos realizados, para identificar o procedimento principal e classificar a internação como cirúrgica ou clínica; e avaliar 3 fatores para avaliar a internação como “com complicação” (uso de ventilação mecânica, mix de procedimentos e idade do paciente). Após isso, ocorre a chamada codificação IPG: após a alta do paciente, um código IPG de um total de 537 será calculado com base nos componentes da internação.

Como tema da palestra, Medeiros explicou as diferenças dos modelos DRG e IPG. “O modelo IPG foi francamente baseado no DRG. Ele tem a mesma intenção de agrupar internações clinicamente semelhantes. A diferença entre os dois é que o DRG precisa de muito dado clínico de prontuário eletrônico. O IPG já faz com os dados prontos na guia TISS (Troca de Informações na Saúde Suplementar). O tempo de implementação do IPG é menor, porque ele precisa de menos dados para rodar, ele precisa de dados que o hospital já tem, ao passo que o DRG precisa de dado adicional”, explicou.

Medeiros salientou que a jornada para novos modelos passa pela conexão de diversos players do sistema de saúde no caminho ao Triple Aim, conceito desenvolvido nos EUA para otimização de performance dos sistemas de saúde baseados em três metas de atenção e desenvolvimento: melhorar as experiências nos cuidados, melhorar a saúde populacional e reduzir os custos per capita com saúde.

A médica consultora explicou as vantagens da utilização do modelo. “O IPG permite, por exemplo que você faça uma comparação de custo ajustado. Por exemplo, há um hospital de maternidade e outro de cirurgia cardíaca, você não consegue comparar preços um com o outro, porque são muito diferentes. O IPG permite que você ajuste o hospital que ele atende e tem uma comparação mais realista do preço real daquele hospital. Esta é uma das vantagens”, frisou Aline.

A implementação do modelo já é uma realidade e será ainda mais utilizado pelos hospitais nos próximos anos. “Ele já foi aplicado como modelo de remuneração e como ferramenta de analytics. Atualmente, ele está em curso em 14 hospitais, no início do próximo ano mais 6 hospitais devem entrar num modelo chamado ABB, que é um modelo de orçamento pelo case mix do IPG. Para a aplicação em grande escala, está pronto, faltando apenas o acerto entre hospital e fonte pagadora”, salientou.

Aline explicou a diferença do IPG para o fee for service. “No fee for service, a remuneração é feita pelo custo de cada item, pelo custo do procedimento, do material, do medicamento e inclusive dos aparelhos. Já o IPG é feito pelo custo do grupo, pelo custo da doença. Então, por exemplo: num caso de pneumonia, pelo sistema tradicional, você vai pagar pela tomografia, antibiótico, CTI. No caso do IPG, você vai pagar pelo tratamento da pneumonia. Quanto mais eficiente o hospital for em usar os seus recursos, melhor é a margem que ele tem. Mudamos a cultura de ter uma margem por item de serviço cobrado, para ter uma margem por eficiência no serviço prestado”

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Aline Medeiros e Mohamed Parrini

 

Durante o debate, o Superintendente Executivo do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre/RS, Mohamed Parrini, afirmou saudar qualquer iniciativa de novo modelo de remuneração. “A iniciativa é excelente, se eu estivesse do outro lado (operadoras) ou desse lado (hospitais) eu levantaria essa bandeira”, conta. Parrini também lembrou que essa é uma pauta global, discutida no mundo todo, entretanto ainda utilizamos modelos atuais. “A gente vive do fee for service e se abastece dele e de suas ineficiências. Só que as ineficiências são menores do que as eficiências”, explica.

O Superintendente Administrativo do Hospital Ernesto Dornelles de Porto Alegre/RS, Odacir Vicente Rossato, citou que, após acompanhar os modelos de remuneração por muitos anos, tem certeza que o modelo atual (fee-for-service) ainda vai perdurar por muito tempo. Para ele, temos que acompanhar os novos modelos, mas com o preparo necessário. “Eu acredito no fim do modelo de conta aberta no futuro, mas o que preocupa é a falta de preparo das nossas instituições, tanto prestadores quanto operadoras. Tivemos um período que a moda era de “pacotes”. Muitos hospitais que adotaram “pacotes” se “empacotaram” de fato e quase faliram. Tivemos casos de dirigentes hospitalares que utilizaram esse método e quase faliram seus hospitais”, relatou.

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Odacir Rossato junto a Aline e Parrini

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