Tecnologia e Inovação | 24 de julho de 2013

Adoção da mHealth economizaria US$ 14 bilhões

Pesquisa mostra as vantagens e os entraves que impedem o desenvolvimento dos dispositivos móveis na saúde
mhealth

Se o Brasil adotar massivamente as mHealth – sigla em inglês para as tecnologias móveis no setor saúde –, poderia economizar US$ 14 bilhões até 2017. O cálculo vem de uma pesquisa divulgada pela entidade mundial que representa operadoras de serviços móveis, a GSMA, em colaboração com a PwC.

A pesquisa mostra obstáculos que impedem a implantação dessa realidade. Se não houver uma ação decisiva dos órgãos reguladores e governos em prol da mHealth, apenas 10% da população que poderia se beneficiar com as tecnologias terá real acesso a elas. A mHealth tem potencial para dar mais alcance, reduzir custos e aumentar a quantidade e a eficácia da assistência de serviços de saúde.

A AxisMed (empresa do grupo Telefônica) é um exemplo dessa inovação. A empresa faz gestão de pacientes crônicos através de um modelo semelhante ao adotado há 13 anos no sistema de saúde do Reino Unido. O AxisLine funciona 24 horas, sete dias por semana em todo o país, e faz uma orientação via telefone. A plataforma de atendimento é composta por algoritmos originados de conteúdos médicos baseados em evidências científicas, que examinam os riscos do paciente e conduzem o atendimento da equipe de enfermagem da empresa.

Seguindo o caminho da mHealth, a empresa Corcam desenvolveu o Nexcor, primeiro monitor cardíaco portátil inteligente do mundo. O aparelho detecta problemas no coração e transmite os dados para uma central de atendimento ou hospital por meio da rede de telefone celular.

Barreiras que impedem a implantação da mHealth

O relatório da GSMA e PwC aponta quatro entraves que limitam a adoção da mHealth em toda a América Latina:

Regulatórias

• Abordagens políticas e regulatórias ainda não estão desenvolvidas para apoiar as soluções de mHealth alcançando pacientes e profissionais de saúde de forma rápida e eficaz. A ausência de marcos regulatórios claros que orientam o desenvolvimento e a implantação destes serviços está retardando a adoção
Econômicas
• Os sistemas de saúde atuais incentivam os tratamentos individuais e as prescrições médicas, em vez de focar no cuidado preventivo e contínuo
• É importante a construção de evidência clínica que demonstre o impacto positivo que a mHealth pode oferecer, a fim de se obter a adesão da comunidade clínica e pagantes, como governos e seguradoras

Estruturais
• A fragmentação dos sistemas de saúde no Brasil e no México restringe o compartilhamento de informações e alinhamento dos processos, impedindo a expansão efetiva da mHealth

Tecnológicas
• A falta de interoperabilidade e padronização das soluções de mHealth pode localizar a implementação, o que limita a escalabilidade da mHealth

Benefícios de adotar a mHealth:

• Capacitar os pacientes pobres e crônicos
• Levar os cuidados de saúde para mais 28,4 milhões de pacientes no Brasil em 2017
• Equipar cerca de 16 milhões de cidadãos para melhorar o seu estilo de vida e reduzir o impacto das doenças crônicas, prolongando a vida
• Sustentar sistemas de saúde universais
• Melhorar a qualidade da assistência e a eficiência da prestação da assistência, economizando US$ 14,1 bilhões em custos
• Criar empregos para sustentar as implantações da mHealth no País
• Melhorar a qualidade de vida
• Salvar mais de 15 mil vidas e adicionar até 23 mil anos de vida, bem como economizar aos médicos 14,6 milhões de dias de trabalho através da melhoria da prevenção, diagnóstico e tratamento
• Certificar-se de que os cidadãos constituam uma força de trabalho saudável, acrescentando bilhões ao PIB nacional

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