Cânceres urológicos: medicina de precisão desloca o eixo do tratamento para a qualidade de vida
Cirurgia robótica, radioterapia guiada por imagem e testes moleculares foram destaque no XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D'Or.
Os avanços da medicina de precisão estão mudando o tratamento dos cânceres urológicos — tumores que atingem próstata, bexiga, rins, testículos e pênis. Se o objetivo central era controlar a doença e ampliar a sobrevida, hoje ele passa também pela preservação da qualidade de vida durante e após o tratamento, com redução de efeitos colaterais e retomada mais rápida da autonomia do paciente. O tema foi o eixo do XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D’Or, realizado neste mês em Brasília.
A mudança ocorre sobre uma base epidemiológica expressiva. A publicação Estimativa 2026-2028, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil em cada ano do triênio. Só a próstata responde por cerca de 78 mil diagnósticos anuais — 30,5% de todos os casos entre homens, a maior fatia isolada. Somados aos aproximadamente 13 mil casos anuais de câncer de bexiga, os dois tumores ultrapassam 91 mil ocorrências por ano.
Da cura ao que se preserva
Cirurgia robótica, radioterapia de alta precisão, terapias-alvo, imunoterapia e métodos diagnósticos mais sofisticados vêm permitindo um cuidado personalizado e menos invasivo. Para o radio-oncologista Allisson Borges, diretor executivo de Radioterapia da Oncologia D’Or e diretor-geral do Hospital DF Star, o objetivo do tratamento mudou.
“Hoje, celebramos a cura com preservação da qualidade de vida. Esse passou a ser um dos objetivos da uro-oncologia moderna”, afirma. Segundo o especialista, o resultado vem da combinação entre novas tecnologias, tratamentos mais precisos e abordagem multidisciplinar. “A cirurgia robótica nos permite realizar procedimentos menos invasivos, com menores taxas de complicações, como sangramentos, impotência sexual e incontinência urinária, além de excelentes resultados oncológicos”, diz. Ele acrescenta que a transformação vai além do centro cirúrgico: imunoterapias, terapias-alvo e outras estratégias sistêmicas ampliam a eficácia do tratamento e reduzem efeitos adversos, poupando tecidos saudáveis.
Radioterapia guiada por imagem amplia a precisão
A radioterapia também evoluiu no tratamento dos cânceres urológicos. A baixa precisão dos equipamentos antigos elevava o risco de efeitos adversos ao atingir tecidos saudáveis. O parque tecnológico atual opera em outra lógica.
“Atualmente, os equipamentos possuem tecnologias como a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), a Radioterapia Volumétrica Modulada em Arco (VMAT) e sistemas de monitorização do alvo, como o Clarity, que monitoriza o movimento da próstata, aumentando muito a precisão do tratamento”, explica Borges.
A distribuição mais segura da dose, com menor irradiação dos tecidos sadios, viabiliza tratamentos de radiocirurgia, segundo ele.
O tratamento certo, para o paciente certo
A personalização começa antes da definição da terapia. Exames de imagem mais sofisticados, biópsias guiadas, análise de marcadores moleculares, testes genéticos e o uso crescente do PET-CT permitem compreender as características de cada tumor e definir a estratégia terapêutica adequada a cada paciente.
“O uso de ressonâncias específicas para esses tumores, a evolução das biópsias de próstata, o acesso à anatomia patológica de ponta, com avaliação de marcadores moleculares e da assinatura genética do câncer, além da crescente utilização do PET-CT, têm sido fundamentais para indicar o tratamento certo para o paciente certo, no momento certo”, destaca.
Para Allisson Borges, o movimento representa uma das maiores transformações da uro-oncologia nas últimas décadas: o cuidado deixa de ser centrado apenas no controle da doença e passa a considerar os impactos do tratamento na vida do paciente, com preservação de funções, redução de complicações e decisões terapêuticas cada vez mais individualizadas.
O XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D’Or, da Rede D’Or, reuniu especialistas brasileiros e internacionais para discutir como a incorporação de novas tecnologias, da medicina personalizada e da atuação multidisciplinar está redefinindo o cuidado a pacientes com tumores urológicos. O encontro foi coordenado pelos médicos Miguel Srougi, Allisson Borges e Bruno Carvalho Oliveira.
Segundo informações da própria empresa, a Oncologia D’Or opera mais de 60 clínicas em 11 estados e no Distrito Federal, com corpo clínico de mais de 500 especialistas em oncologia, radioterapia e hematologia, em integração com hospitais da Rede D’Or.