Gestão e Qualidade | 13 de julho de 2026

Cânceres urológicos: medicina de precisão desloca o eixo do tratamento para a qualidade de vida

Cirurgia robótica, radioterapia guiada por imagem e testes moleculares foram destaque no XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D'Or.
medicina de precisão desloca o eixo do tratamento para a qualidade de vida

Os avanços da medicina de precisão estão mudando o tratamento dos cânceres urológicos — tumores que atingem próstata, bexiga, rins, testículos e pênis. Se o objetivo central era controlar a doença e ampliar a sobrevida, hoje ele passa também pela preservação da qualidade de vida durante e após o tratamento, com redução de efeitos colaterais e retomada mais rápida da autonomia do paciente. O tema foi o eixo do XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D’Or, realizado neste mês em Brasília.


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A mudança ocorre sobre uma base epidemiológica expressiva. A publicação Estimativa 2026-2028, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil em cada ano do triênio. Só a próstata responde por cerca de 78 mil diagnósticos anuais — 30,5% de todos os casos entre homens, a maior fatia isolada. Somados aos aproximadamente 13 mil casos anuais de câncer de bexiga, os dois tumores ultrapassam 91 mil ocorrências por ano.


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Da cura ao que se preserva

Cirurgia robótica, radioterapia de alta precisão, terapias-alvo, imunoterapia e métodos diagnósticos mais sofisticados vêm permitindo um cuidado personalizado e menos invasivo. Para o radio-oncologista Allisson Borges, diretor executivo de Radioterapia da Oncologia D’Or e diretor-geral do Hospital DF Star, o objetivo do tratamento mudou.


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“Hoje, celebramos a cura com preservação da qualidade de vida. Esse passou a ser um dos objetivos da uro-oncologia moderna”, afirma. Segundo o especialista, o resultado vem da combinação entre novas tecnologias, tratamentos mais precisos e abordagem multidisciplinar. “A cirurgia robótica nos permite realizar procedimentos menos invasivos, com menores taxas de complicações, como sangramentos, impotência sexual e incontinência urinária, além de excelentes resultados oncológicos”, diz. Ele acrescenta que a transformação vai além do centro cirúrgico: imunoterapias, terapias-alvo e outras estratégias sistêmicas ampliam a eficácia do tratamento e reduzem efeitos adversos, poupando tecidos saudáveis.


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Radioterapia guiada por imagem amplia a precisão

A radioterapia também evoluiu no tratamento dos cânceres urológicos. A baixa precisão dos equipamentos antigos elevava o risco de efeitos adversos ao atingir tecidos saudáveis. O parque tecnológico atual opera em outra lógica.

“Atualmente, os equipamentos possuem tecnologias como a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), a Radioterapia Volumétrica Modulada em Arco (VMAT) e sistemas de monitorização do alvo, como o Clarity, que monitoriza o movimento da próstata, aumentando muito a precisão do tratamento”, explica Borges.

A distribuição mais segura da dose, com menor irradiação dos tecidos sadios, viabiliza tratamentos de radiocirurgia, segundo ele.

O tratamento certo, para o paciente certo

A personalização começa antes da definição da terapia. Exames de imagem mais sofisticados, biópsias guiadas, análise de marcadores moleculares, testes genéticos e o uso crescente do PET-CT permitem compreender as características de cada tumor e definir a estratégia terapêutica adequada a cada paciente.

“O uso de ressonâncias específicas para esses tumores, a evolução das biópsias de próstata, o acesso à anatomia patológica de ponta, com avaliação de marcadores moleculares e da assinatura genética do câncer, além da crescente utilização do PET-CT, têm sido fundamentais para indicar o tratamento certo para o paciente certo, no momento certo”, destaca.

Para Allisson Borges, o movimento representa uma das maiores transformações da uro-oncologia nas últimas décadas: o cuidado deixa de ser centrado apenas no controle da doença e passa a considerar os impactos do tratamento na vida do paciente, com preservação de funções, redução de complicações e decisões terapêuticas cada vez mais individualizadas.

O XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da Oncologia D’Or, da Rede D’Or, reuniu especialistas brasileiros e internacionais para discutir como a incorporação de novas tecnologias, da medicina personalizada e da atuação multidisciplinar está redefinindo o cuidado a pacientes com tumores urológicos. O encontro foi coordenado pelos médicos Miguel Srougi, Allisson Borges e Bruno Carvalho Oliveira.

Segundo informações da própria empresa, a Oncologia D’Or opera mais de 60 clínicas em 11 estados e no Distrito Federal, com corpo clínico de mais de 500 especialistas em oncologia, radioterapia e hematologia, em integração com hospitais da Rede D’Or.

 

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