Tecnologia e Inovação | 12 de dezembro de 2014

Radioterapia deve ser mais rápida no combate ao câncer de mama

Pesquisa norte-americana mostra que o tratamento mais curto traz benefícios
radioterapia

O renomado médico Ezekiel Emanuel, diretor do Departamento de Ética Médica e Política da Saúde da Universidade da Pensilvânia (EUA), realizou um estudo que constatou que o tratamento de radioterapia para câncer de mama poderia ser mais rápido e custar menos.

Os médicos, segundo o levantamento de Emanuel, não estão colocando esse conhecimento em prática. “Para as pacientes é muito melhor ter um tratamento mais curto”, ressalta o médico, ao site NPR.

O tratamento por radiação é padrão para mulheres com câncer de mama em estágio precoce que tiveram uma mastectomia. É bom para matar as células cancerígenas não eliminadas por cirurgia. Normalmente leva cinco a sete semanas. “Poderia ser feito em quatro semanas, e seria mais barato”, analisa o Dr. Emanuel.

Ensaios clínicos sobre a utilização de um tratamento mais curto, mas com doses mais elevadas em cada visita se mostraram eficazes em um tratamento de três semanas. Em 2011, a American Society for Radiation Oncology endossou essa prática, dizendo que é “igualmente eficaz para o controle do tumor e equivalente aos procedimento convencional em efeitos colaterais de longo prazo”, especialmente para as mulheres com mais de 50 anos que não fizeram quimioterapia.

Em 2013 a entidade lançou a campanha Choosing Wisely (Escolhendo com sabedoria, em tradução livre) colocando como prioridade número 1 a redução de tratamentos médicos desnecessários. Desde 2008, o número de mulheres em tratamento reduzido passou de cerca de 11% para 36% em mulheres acima de 50, diz estudo norte-americano publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA).

Os radio-oncologistas temem que recebendo a mesma quantidade de radiação em um prazo mais condensado pode ter efeitos tóxicos a longo prazo, mas quatro estudos, cada um com pelo menos 10 anos, mostram que o controle do câncer foi semelhante ao atual padrão de tratamento. Uma das pesquisas com mulheres divulgada em 2008 descobriu que, em comparação às mulheres que faziam radioterapia convencional, mais do que o dobro das pacientes preferiam o tratamento mais curto. Entre as razões, além dos benefícios à saúde, estão a questão financeira e a dificuldade de tirar uma folga do trabalho e dos filhos para seguir o tratamento.

Em resumo, os especialistas recomendam que os médicos adotem a radioterapia em tempo reduzido como opção padrão. “Os pacientes e os especialistas em câncer de mama precisam tomar uma posição sobre isso”, conclui o Dr. Ezekiel Emanuel. “É melhor para os pacientes, e os profissionais precisam colocar seus pacientes em primeiro lugar”.

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