Política | 1 de junho de 2026

FEHOSUL debate sustentabilidade na saúde gaúcha com chapa de Gabriel Souza, representada pele vice Ernani Polo

Café da manhã da FEHOSUL reuniu dirigentes hospitalares e da saúde gaúcha para discutir propostas e soluções para a saúde.
FEHOSUL debate sustentabilidade na saúde gaúcha com chapa de Gabriel Souza, representada pele vice Ernani Polo

A Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (FEHOSUL) e seus sindicatos filiados promoveram, na manhã de 1º de junho, o “Café da Manhã com Política e Saúde”, encontro que aproximou dirigentes da saúde gaúcha de representantes da política estadual nas eleições 2026. O pré-candidato ao Governo do Estado Gabriel Souza (MDB) não pôde comparecer por motivo de doença e foi representado por seu vice na chapa, o deputado Ernani Polo (PSD). O encontro teve como pano de fundo o tema que mais preocupa o setor hospitalar e da saúde: a sustentabilidade econômico-financeira dos prestadores e o financiamento da saúde.


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Realizado no auditório da entidade, em Porto Alegre, das 8h às 10h30, o encontro reuniu ainda a secretária estadual de Saúde, Lisiane Fagundes, a ex-titular da Saúde e pré-candidata a deputada estadual, Arita Bergmann (PSD), e o deputado federal e Pedro Westphalen, além de dirigentes de hospitais, laboratório, clínicas e sindicatos do setor.


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O presidente da FEHOSUL, Cláudio Allgayer, agradeceu a presença das lideranças da saúde gaúcha e destacou que o momento serve para expor os principais pontos a serem trabalhados pelos pré-candidatos. “Agradeço a presença de todas as lideranças aqui presentes, do Ernani Polo e de Pedro Westphalen, um dos fundadores da FEHOSUL e da CNSaúde. Hoje é um dia muito importante pois a FEHOSUL possibilita que dirigentes e demais entidades dialoguem com os pré-candidatos. Estes encontros são fundamentais para que possamos avançar para uma saúde mais justa para hospitais, clínicas e laboratórios e qualificada para a nossa população”, afirmou.

ALLGAYER

Equilíbrio fiscal como condição para a saúde

Ernani Polo conectou a agenda da saúde à situação das contas estaduais. “A mãe de todas as políticas sociais, de desenvolvimento e de prosperidade de um Estado é o equilíbrio das contas públicas”, afirmou o vice na chapa de Gabriel Souza, lembrando o período de atrasos de repasses a hospitais e municípios enfrentado em gestões anteriores. Segundo ele, a precarização dos serviços de saúde, segurança e infraestrutura afasta investimentos e compromete o desenvolvimento do Estado.


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 Polo defendeu uma agenda de continuidade com aprimoramento, sem retrocessos, e rejeitou promessas simplistas. “Não tem bala de prata, não é você virar uma chave ou apertar um botão que vai solucionar tudo. São problemas complexos, que vêm de muito tempo, e você tem que ir ajustando, calibrando”, disse. Ele ponderou ainda que mudanças na gestão pública não são imediatas: “Vocês fazem gestão dos hospitais, sabem que uma gestão de eficiência leva tempo, você não muda de uma hora para outra. No serviço público isso é ainda mais complexo.”

ernani polo

O deputado também delimitou o papel do Estado. “O Estado não precisa ser o prestador do serviço. Você pode delegar, fazer concessões, privatizações, e ficar como agente regulador. Agora, em outras áreas, o Estado precisa estar presente”, afirmou, citando a segurança pública como exemplo de área que exigiu ampliação de efetivo no governo de Eduardo Leite e Gabriel Souza. Sobre as filas, ponderou que o discurso de acabar com elas costuma ser sensacionalista e que o desafio concreto é reduzir o tempo de espera.

Polo destacou os investimentos recentes do Estado, como o Programa Avançar, que aportou mais de R$ 1,2 bilhão na rede, e a criação do SUS Gaúcho, voltado a complementar a remuneração federal. Segundo ele, o aporte estadual praticamente dobrou de um ano para o outro, e a aplicação em saúde deve superar 12% da receita à medida que os chamados gastos controversos são expurgados, conforme acordo firmado com o Ministério Público. Ele encerrou reforçando a mensagem do pré-candidato: “De nós, da minha parte, do Gabriel, vocês jamais vão ouvir algo que não seja uma conversa franca, direta, transparente.”

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SUS Gaúcho, teto MAC e o modelo de remuneração

A secretária da Saúde, Lisiane Fagundes. detalhou os números e o racional das políticas estaduais. Ela explicou que o Programa Assistir – Programa de Incentivos Hospitalares – lançado agosto de 2021 -, nasceu para corrigir uma distorção histórica na rede hospitalar. O programas destina-se ao fomento de ações e de serviços de saúde nos hospitais contratualizados para prestação de serviços no Sistema Único de Saúde – SUS. “Metade do dinheiro do Estado para incentivo hospitalar ia para menos de 10% da rede hospitalar”, resumiu, ao apontar que 48,5% dos recursos estaduais de incentivo chegavam a apenas 7,66% dos hospitais. “Isso nunca vai ser isonomia. Precisávamos moralizar e dar indicador técnico para a distribuição do recurso”, completou. Sobre o SUS Gaúcho, informou que a previsão para 2026 é de R$ 758 milhões — com R$ 747,7 milhões já assegurados —, ante os R$ 272 milhões executados no ano anterior, variação atrelada à Receita Líquida do Estado.

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A secretária anunciou ainda a intenção de incorporar a acreditação hospitalar ao programa de incentivo, abrindo a oportunidade para que instituições ainda não acreditadas qualifiquem sua estrutura de gestão e a área assistencial, incentivando que a segurança do paciente e a melhoria contínua sejam aspectos a serem valorizados na hora de pagar pelos serviços prestados. A ideia surgiu exatamente em um encontro na sede da FEHOSUL, há duas semanas. Defendeu também o avanço da atenção domiciliar como forma de aliviar a rede: “Deshospitaliza, faz o cuidado em casa, evita a reinternação. Precisamos que os hospitais tenham condição de prestar mais serviços sem aumentar o seu déficit.”

Fagundes foi enfática quanto à necessidade de mudar a lógica de pagamento do sistema, tanto no SUS quanto na saúde suplementar. “O sistema não paga pela disponibilidade de estrutura, paga pelo número de pessoas que atende”, disse, defendendo um modelo orientado ao cuidado integral e ao valor em saúde. Ela lembrou também que zerar filas é tecnicamente inviável — “se nós abrimos o serviço hoje, amanhã vamos ter uma fila para ele” —, sendo o objetivo realista reduzir o tempo de espera.

fagundes

A secretária citou o estudo do teto MAC elaborado em 2022, que identificou déficit estrutural, e a complementação de R$ 14 a R$ 15 milhões mensais feita pelo Tesouro Estadual. Reforçou que os programas estaduais precisam de continuidade: “O SUS Gaúcho não pode deixar de existir, o Programa Assistir não pode deixar de existir”. E que técnica e política são inseparáveis. “Não existe projeto técnico, por melhor que ele seja, que vá se efetivar se não tiver vontade política”, afirmou, reforçando  que a Secretaria mantém as portas abertas ao diálogo.

Arita Bergmann lembrou conquistas do período recente, como a implantação dos sistemas de regulação durante a pandemia, que segundo ela deram visibilidade às filas. “Essas filas tiveram visibilidade porque nós implantamos sistemas no Rio Grande do Sul”, afirmou, ao citar programas como Saúde 60+, a rede de atenção ao autismo — com 86 serviços — e a Rede Bem Cuidar. Ela creditou ao deputado Pedro Westphalen a articulação junto ao Ministério da Saúde para que emendas parlamentares fossem integralmente aplicadas na prestação de serviços, conforme o plano de cada instituição.

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A pré-candidata apontou o custeio como o maior desafio e cobrou o cumprimento da lei federal de reajuste anual da tabela SUS. Observou ainda que a incorporação de alta tecnologia desafia o modelo atual de custeio por internação, já que procedimentos menos invasivos reduzem o tempo de permanência do paciente. “Acredito na saúde pública e acredito na qualidade da rede assistencial do Estado do Rio Grande do Sul”, declarou Arita, que deixa a Secretaria-Geral de Governo em julho e disputará uma vaga na Assembleia Legislativa.


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 O alerta dos prestadores

Do lado dos médicos, o tom foi de urgência. Pelo Sindicato Médico do RS (Simers), Marcelo Matias (à esquerda na foto abaixo) alertou para a fragilidade da rede filantrópica, presente em todas as regiões do Estado e com dificuldades financeiras generalizadas. “Se nós formos manter 100% SUS, os hospitais irão quebrar”, afirmou, defendendo que a solução passa por uma reestruturação das tabelas federais. “É um assunto que não é partidário, mas é político, e deve estar diante do trabalho de todos os candidatos”, completou o presidente do Sindicato que representa os médicos. 

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Cássio Roberto Gonçalves (à esquerda no foto abaixo), diretor administrativo do Hospital São Vicente de Paulo, traduziu o problema em números: uma diária de UTI custa em média R$ 2.500, enquanto o repasse do SUS gira em torno de R$ 600. “Esse déficit é o que contribui para o caos da gestão dentro dos hospitais, eles se tornam inviáveis”, afirmou. Ele apontou ainda o peso das contrapartidas exigidas pelo Programa Assistir e os atrasos e glosas do Instituto de Previdência do Estado (IPE) sobre o caixa das instituições, e pediu reforço de investimento no SUS Gaúcho e no programa de incentivo.

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Representantes de laboratórios reforçaram o coro, por meio de Luis Fernando Barcelos (Ex-presidente do SINDILAC e SBAC). Foi lembrado que a tabela laboratorial do SUS está congelada desde 1994 e que pequenos laboratórios vêm se transformando em postos de coleta por não conseguirem produzir exames pelos valores remunerados. Barcelos está na foto abaixo (à direita, juntamente com Irineu Grimberg).

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Dirigentes de clínicas oncológicas também detalharam o problema das glosas operacionais do IPE — que chegam a 16% das faturas e persistem há quase dois anos por insuficiência de auditores — e propuseram que o instituto aplique a glosa final histórica de cada prestador, com ajuste posterior, em vez do corte automático. “É um problema que precisa ser resolvido o quanto antes, pois impacta em nosso fluxo de caixa”, defendeu Paulo Morassutti, fundador e CEO da Clínica Oncoprev.

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Ao responder às manifestações, Ernani Polo reconheceu o subfinanciamento federal como raiz do problema. Segundo ele, a cobertura do governo federal hoje gira em torno de pouco mais de 30% do custo, o que recai sobre Estado, municípios e prestadores. “Esse desequilíbrio se dá em função do subfinanciamento do SUS, e isso acaba comprometendo todo o funcionamento do setor”, afirmou. O deputado defendeu um olhar diferenciado para hospitais com gestão eficiente que ainda assim operam no vermelho: “Quando você tem uma gestão transparente, austera, e está tendo um problema de desequilíbrio, são situações que a gente precisa olhar pontualmente.”

Sobre as demandas específicas, Polo disse considerar legítima a proposta de revisão do critério de glosas do IPE e que levaria o tema para análise interna, sem antecipar posicionamento, reconhecendo que a estrutura do instituto é insuficiente para a análise ágil das contas. Quanto ao Programa Assistir, afirmou que a exigência das contrapartidas precisa ser avaliada. Ele reforçou ainda que o aporte ao SUS Gaúcho deve crescer além dos R$ 747 milhões previstos para o ano e reforçou o compromisso da chapa com uma agenda de evolução construída em diálogo com o setor: “Vocês jamais vão ouvir de nós decisões impostas. Não é a nossa prática.”

O que esperar

Ao encerrar o evento, o deputado federal Pedro Westphalen ressaltou a importância da representação política na saúde e defendeu que as demandas levantadas — especialmente as relativas ao IPE — sejam encaminhadas de imediato ao governo atual, sem esperar o calendário eleitoral. “Não precisa ser após a eleição, tem que ser para já”, afirmou. Ele frisou que o setor busca colaborar com soluções, e não apenas reivindicar: “Não existe maneira de avançar que não seja através da articulação.”

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Próximos encontros

A entidade informou que pretende repetir o formato com os demais pré-candidatos ao Governo do Estado — entre eles Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), com datas a definir —, mantendo o espaço como ponto de interlocução entre a política e o setor de saúde gaúcho.

Estiveram presentes Adalberto Broecker Neto (Presidente da Oncologia Centenário de São Leopoldo), Alessandra Dewes (Gerente do SINDIHOSPA), Alexandre Guimarães Escobar (Diretor de Negócios do Pompéia Ecossistema de Saúde e ex-presidente do IPE Saúde), André Allgayer (Diretor da Fasaúde), André Wajner (Eficiência Hospitalista), Antônio Quinto Neto (Diretor de Saúde do IPE Saúde), Arita Bergmann (Ex-Secretária da Saúde e pré-candidata a deputada estadual), Carolina Mendonça (AESC/Hospital Mãe de Deus), Cássio Roberto Gonçalves (Hospital São Vicente de Paulo, Passo Fundo), Cláudia de Souza Pereira Abreu (Presidente da Câmara da Saúde do CRA-RS), Cláudio Allgayer (Presidente da FEHOSUL e vice-presidente da CNSaúde), Cláudio Oliveira (Diretor Administrativo e Financeiro da Rede de Saúde Divina Providência e Tesoureiro do SINDIHOSPA), Cleciane Doncatto Simsen (CEO do Hospital Virvi Ramos e Diretora da FEHOSUL), Eduardo Elsade (Ex-Diretor de Regulação da SES/RS), Eduardo Neubarth Trindade (Vice-Presidente do CREMERS), Ernani Polo (Deputado estadual e pré-candidato a vice-governador), Fabiana Leal de Mello Sousa (Captação de Recursos dos hospitais da AESC, mantenedora do Hospital Mãe de Deus), Felipe Broecker (Diretor da Oncologia Centenário de São Leopoldo), Fernando Scarpellini Pedroso (Hospital Regional Santa Lúcia de Cruz Alta e Diretor da FEHOSUL), Flávio Cardozo de Abreu (Presidente do Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul), Franco Pallamolla (LIFEMED/ABIMO), Gerson Alonso Torres (Diretor da CLINIONCO), Gilmar Dalla Roza (CEO da Health Meeting), Henri Chazan (Presidente do SINDIHOSPA), Irineu Grinberg (Fundador do SINDILAC), Izadora Silveira (Santa Casa de Porto Alegre), Janir Branco (Ex-deputado estadual e ex-prefeito de Rio Grande)João Baptista Feijó (Diretor Executivo Corporativo do Hospital Mãe de Deus), Letícia Dunker (Diretora da Nuclimagem), Lisiane Wasem Fagundes (Secretária da Saúde do RS), Luis Carlos Pinto (GHC), Luis Fernando Barcelos (Ex-Presidente da SBAC), Marcelo Elísio Oliveira (CEO do Hospital Regional Santa Lúcia de Cruz Alta), Paulo Cezar Kohlrausch (CREMERS), Paulo Emilio Skusa Morassutti (Diretor da Oncoprev e vice-presidente da AMRIGS), Paulo Schuller Maciel (Diretor da Maciel Consultoria Hospitalar, diretor e ex-presidente da AHRGS), Pedro Westphalen (Deputado Federal), Ramon Rodrigo Ritter (Diretor da Oncoprev), Ricardo Englert (Santa Casa de Porto Alegre e ex-Secretário da Fazenda do RS), Rita Comiotto (Diretora da Trauma Clínica de Viamão), Simone Matte Andreis (Oncotrata Oncologia Médica), Teresinha Valduga Cardoso (Diretora da Escola de Saúde Pública/SES-RS) e Vitória Bello Marroni (Diretora da Nuclimagem).

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