Tecnologia e Inovação | 25 de outubro de 2018

Os benefícios das soluções digitais e da medicina de precisão expostos no Seminários de Gestão 

VarStation, Arteris, Hilab e Alexa foram algumas das soluções apresentadas
Os benefícios da medicina de precisão e das soluções digitais expostos no Seminários de Gestão

A médica geneticista do Hospital Israelita Albert Einstein, Tatiana Ferreira Almeida, apresentou a terceira palestra da nona edição do evento Seminários de Gestão, com o tema da medicina de precisão e seus benefícios, por meio de tecnologia, em tratamentos individualizados e eficientes. O evento foi promovido pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (FEHOSUL), Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA) e Associação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (AHRGS), e ocorreu na quinta-feira (18), no Hotel Continental.

Esta foi a 5ª edição de 2018 do Seminários, que teve como tema central  Saúde Digital e Telemedicina. Prestigiado na área de gestão de saúde, o evento contou mais uma vez com auditório lotado. O Seminários teve como patrocinador o Banrisul e o portal Setor Saúde como veículo de comunicação oficial do evento. A instituição de ensino superior responsável pela emissão do certificado é a FASAÚDE/IAHCS, e os apoiadores desta edição foram o IAHCS Acreditação, a Amrigs, Comcet e Conselho Regional de Farmácia do RS.

Adriana Denise Acker. Diretora-Superintendente do Grupo Hospitalar Conceição, com os presidentes do Sindihospa e da Fehosul, Henri Chazan e Cláudio Allgayer, respectivamente

Adriana Denise Acker (Diretora-Superintendente do Grupo Hospitalar Conceição), com os presidentes do Sindihospa e da Fehosul, Henri Chazan e Cláudio Allgayer, respectivamente

 

A médica Tatiana Ferreira Almeida abordou Soluções Digitais em Medicina de Precisão. A definição de medicina de precisão foi tratado já no início da apresentação. De acordo com a médica, pode ser definido como uma abordagem para tratamento e prevenção de doenças que leva em consideração a variabilidade individual de genes, ambiente e estilo de vida de cada indivíduo.

Atualmente, temos uma boa gama de diferentes diagnósticos, mas com tratamento ainda muito generalizado, de acordo com a palestrante. “A medicina de precisão acontece quando temos tratamentos específicos. Temos 7 bilhões de pessoas no mundo, então temos 7 bilhões de formas de fazer saúde diferentes, pois cada indivíduo vai exigir um tratamento diferente”, salientou.

A médica falou sobre o All of Us Research Program que pretende ser referência na coleta de dados, leitura e poder estatístico para detectar associações entre exposições ambientais, genética e estilo de vida. A ideia da iniciativa dos Estados Unidos é criar uma consistente base de dados – com mais de 1 milhão de pessoas – para promover estratégias em saúde para o indivíduo.

Importância dos dados

A médica do Albert Einstein cita uma declaração do vice-presidente Global da Oracle Health Sciences, Andy Alasso, de que a medicina de precisão é vital para medicina. “Não haverá  medicina sem a medicina de precisão. Para isto, é preciso que a tecnologia seja capaz de lidar com este alto volume de dados”, citando o executivo da Oracle.

Para viabilizar tratamentos com medicina de precisão, são necessários uma boa base de dados e boa capacidade analítica dos mesmos. “[A medicina de precisão] Só é possível se tivermos dados suficientes, para conseguir discriminar organismos dentro dos estilos de vida, e habilidade analítica suficiente para entender esses dados. Então, não é possível realizar a medicina de precisão antes de termos dados e a habilidade analítica, porque não se conseguirá diferenciar adequadamente cada um dos indivíduos”, explicou. A partir da habilidade de análise adequada, é possível propor saúde de maneira estratégica para cada indivíduo.

Tatiana Ferreira Almeida (Médica Geneticista do Hospital Albert Einstein)

Tatiana Ferreira Almeida (Médica Geneticista do Hospital Albert Einstein)

 

A palestrante citou a palestra anterior, do doutor e professor da Universidade de São Paulo (USP), Chao Lung Wen, fazendo a mesma comparação sobre tecnologia entre o sistema de saúde e sistema financeiro (com o internet banking, por exemplo), “que conseguiu rapidamente se adaptar à tecnologia”. De acordo com a médica geneticista, além das diminuições de fila, a tecnologia passou a proporcionar que sejam organizadas estratégias diferentes para cada cliente. “Isso é o que sistema de saúde deve fazer através da medicina de precisão”, disse.

Para que se possa estabelecer a medicina de precisão, os dados precisam ter armazenamento robusto e flexível, interoperabilidade entre os sistemas, e as análises necessitam ter flexibilidade em processamento, com modelos matemáticos robustos e interação entre as áreas.

A palestrante citou quatro áreas de atuação atual da medicina de precisão: genética, imagem, sensores para diagnóstico (que permitem diagnósticos rápidos e descentralizados), e prontuários médicos. Para ela o prontuário é uma das principais fontes para análise, por isso deve ser alimentado com exatidão.  “No meu ponto de vista, onde temos mais dados, com mais possibilidades de colocar em prática a análise, é no prontuário”, explicou, afirmando que é no prontuário que os indivíduos podem ser estratificados, com dados próprios de exames de rotina, de atendimentos de emergência, número de internações, prescrições, doenças crônicas, consultas médicas e planos de saúde.

” A tecnologia de sequenciamento deve uma crescimento exponencial muito grande.  Anteriormente se obtinha resultados com o sequenciamento após 10 anos ao custo de bilhões de dólares. Hoje levamos 24 horas ao custo de mil dólares. Hoje é possível sequenciar qualquer coisa. É possível sequenciar o genoma, RNA, proteína, microbioma, metaboloma e até mesmo metilona. Isto tudo vai gerar uma interação de dados em que a gente consegue tomar uma decisão”, explica a médica geneticista.

Tatiana Ferreira Almeida apresentou soluções digitais no Seminários de Gestão

Tatiana Ferreira Almeida apresentou soluções digitais no Seminários de Gestão

 

Soluções digitais

Tatiana Almeida demonstrou soluções digitais que envolvem a medicina de precisão, entre elas o VarStation, uma plataforma multilíngue criada pelo Hospital Albert Einstein para automação das análises genéticas.  A plataforma foi criada para garantir uma análise segura e completamente rastreável de acordo com as diretrizes do College of American Pathologists (CAP). Possibilitando que os laboratórios que utilizam a plataforma sigam rigorosamente as regras de conformidade, incluindo recursos de avaliação por pares, completa auditoria e monitoramento detalhado de cada análise em tempo real.

Outras ferramentas também foram mostradas, como soluções de inteligência artificial, com Arteris (imagem), Skinvision (dermato) e o portal Kaggle (abre concursos com problemas para serem solucionados por cientistas e programadores com uso do aprendizado de máquina – em inglês, machine learning -, com prêmios em dinheiro. Pertence ao Google).

E ainda, soluções denominada como Teste Laboratorial Remoto (TLR) ou Point of Care Test (POCT). Estas soluções consistem em dispositivos acoplados ao paciente (não necessariamente no ambiente hospitalar/clínica) que permitem que os resultados  sejam compartilhados instantaneamente com os prestadores de cuidados, ou ainda, que ações sejam tomadas automaticamente pelo aparelho. É o caso, por exemplo, do MiniMed 670G, que ajusta automaticamente a insulina a cada cinco minutos, com base nas suas leituras do aparelho. Outra solução digital – esta brasileira – é o leitor Hilab, uma plataforma online de exames laboratoriais. Outras soluções mais conhecidas, como aplicativos do Apple Watch Health foram apresentados, assim com outras soluções da Microsoft e até mesmo da Amazon, com soluções ainda embrionárias com o assistente virtual da Amazon chamado Alexa. A Amazon protocolou recentemente um pedido de patente para uma versão do Alexa que poderia detectar quando você está doente e oferecer opções de tratamentos ou remédios.

Saúde digital e Telemedicina

O Seminários de Gestão contou com a participação de referências da área da saúde nacional. Além da médica geneticista Tatiana Ferreira Almeida, o evento também contou com o presidente do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer), Prof. Dr. Jaderson Costa da Costa , que apresentou O homem na era digital: inteligência artificial e pós-humanismo. A palestra seguinte teve o chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP,  Dr. Chao Lung Wen com o tema Modelo Brasileiro de Telesaúde: Desafios, Realidade e Lições Aprendidas.  Já o tema A Nova Lei de Proteção de Dados e seu Impacto na Saúde (Lei nº 13.709/2018) foi apresentado pelo Secretário geral da Associação Brasileira de Direito da Tecnologia da Informação e das Comunicações, Gustavo Artese. Por fim, o médico Natan Katz, coordenador da área de TelessaúdeRS, trouxe o tema Telemedicina: Experiência no RS.

Allgayer, Katz, Artese, Chao, Tatiana e Chazan

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