Tecnologia e Inovação | 18 de abril de 2017

“Hipofracionamento” diminui número de sessões de radioterapia pela metade

Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, utiliza a técnica como rotina
Hipofracionamento diminui número de sessões de radioterapia pela metade hcmd

Assim como o desenvolvimento de equipamentos cada vez mais avançados, o know-how e o domínio de técnicas apresentam-se como grandes diferenciais no tratamento oncológico. A aplicação da técnica de “hipofracionamento” da radioterapia no combate ao câncer de próstata é um exemplo disto. Trata-se de um protocolo terapêutico capaz de reduzir o número de sessões de radioterapia pela metade. No Brasil, o Hospital do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, é pioneiro em adotar a prática como rotina para todos os pacientes acometidos pela doença, explica Dr. Fernando Obst, médico radio-oncologista e coordenador do setor.

A partir da instalação do acelerador linear Trilogy (foto), um dos mais modernos aparelhos de radioterapia do mundo, realizada em 2013, o Hospital Mãe de Deus pôde incorporar nos últimos anos técnicas com maior precisão e menor impacto ao bem estar do paciente. Entre elas, estão os métodos de intensidade modulada (conhecida como IMRT, que intensifica a dose de radiação no tumor, poupando o máximo possível os órgãos vizinhos) e a radioterapia guiada por imagem (IGRT) através de um conjunto de equipamentos de imagem de alta definição acoplados ao aparelho de radioterapia, proporcionando um controle extremo e diário do posicionamento do paciente. Tais recursos permitiram a adoção dos protocolos de hipofracionamento para o tratamento de tumores localizados na próstata. Conforme Dr. Fernando Obst, a adoção da técnica foi impulsionada pela alta da demanda deste tipo de câncer, que hoje representa 20% de todos os casos atendidos na unidade. Para aumentar a precisão do local a ser atingido pela radiação sem comprometer as células saudáveis no entorno, os pacientes são submetidos a avaliações com imagens diárias antes das sessões de tratamento. Estas imagens permitem a certificação do posicionamento correto do alvo, garantindo eficácia e sem aumentar os efeitos colaterais em bexiga e intestino.

As vantagens operacionais da técnica aumentam significativamente a qualidade de vida do paciente.  Através do hipofracionamento, o tratamento radioterápico contra o câncer de próstata, por exemplo, pode ser reduzido de 40 para 20 sessões. A aplicação é possível para todos os pacientes com diagnóstico da doença. “É tendência mundial da radioterapia: tratamentos de alta precisão, com doses mais altas por aplicação, em períodos mais curtos”, diz o especialista.

Técnica também é utilizada no câncer de mama, pulmão e tumores cerebrais

Seguindo protocolos internacionais, o método já é empregado pela instituição no combate ao câncer de mama, pulmão e tumores cerebrais. “Até mesmo para metástases, em quadros mais avançados, a radioterapia tem papel importante no alívio de sintomas. Pode ser aplicada em um número ultra curto de sessões ou, inclusive, em uma única dose, dependendo da situação”.  Além de ajudar no combate do câncer de próstata, a técnica também traz comodidade, pois reduz drasticamente o número de deslocamentos do paciente, bem como o tempo de afastamento do trabalho e de seu domicílio. “É uma importante vantagem que reduz o desgaste e o stress, especialmente para aqueles que viajam do interior em busca de tratamento na Capital”, comenta o Dr. Fernando Obst.

 

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