Mundo, Tecnologia e Inovação | 15 de setembro de 2015

Novos estudos comprovam eficácia de medicamento para a prevenção do HIV

Pesquisas mostram que a droga teve efeito mesmo em grupos com comportamento de risco
Novos estudos comprovam eficácia de medicamento para a prevenção do HIV

A pílula Truvada, da Gilead, é conhecida como uma profilaxia pré-exposição ao HIV (estratégia de prevenção conhecida como PrEP). Ela foi aprovada pela Food and Drugs Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, em 2012 e é recomendada para prevenção do vírus http://setorsaude.com.br/eua-recomendam-uso-de-pilula-para-prevenir-o-hiv/. De acordo com novos estudos, o medicamento confirma a eficácia mesmo entre pacientes com comportamento de risco.

Pesquisadores da empresa de seguros médicos Kaiser Permanente, nos EUA, observaram – ao longo de 32 meses – 657 homens gays ou bissexuais que tomavam o remédio há dois anos e meio. Todos os pacientes tinham altas taxas de infecções sexualmente transmissíveis. Além disso, muitos utilizaram drogas injetáveis ou diminuíram o uso do preservativo durante o tratamento. Mesmo assim, não houve novas infecções pelo HIV entre os participantes deste grupo. No entanto, eles contraíram outras doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e sífilis.

É de ressaltar, contudo, que pesquisas observacionais como esta não são consideradas cientificamente rigorosas como ensaios clínicos, em que participantes recebem placebo aleatoriamente e são mais conclusivos. O estudo também não fez exames de sangue nos pacientes para se certificar de que eles estavam tomando a Truvada regularmente. A droga é altamente eficaz na prevenção da infecção apenas quando os participantes tomam todas ou a maioria das cápsulas diárias.

Quando a pessoa é exposta ao HIV, dois medicamentos anti-retrovirais (tenofovir e emtricitabina) contidos na pílula evitam que o vírus se estabeleça permanentemente. Esse efeito é esperado quando a medicação é tomada de forma consistente.

Iniciado em novembro de 2012 no Reino Unido, o estudo PROUD acompanhou 544 homossexuais não infectados, mas que tinham tido uma ou mais relações desprotegidas nos últimos 90 dias. Metade deles recebeu imediatamente uma dose de Truvada, enquanto os outros receberam o tratamento de maneira diferente, um ano depois. Apenas três infecções foram observadas no primeiro grupo, contra 20 no segundo grupo, uma redução de cerca de 86%, segundo a equipe de pesquisadores dirigida pela epidemiologista Sheena McCormack. Desde outubro de 2014, quase um ano antes da publicação dos resultados definitivos, os responsáveis pelo estudo decidiram dar o Truvada a todos os participantes em razão dos resultados preliminares muito positivos.

O estudo norte-americano foi publicado no jornal Clinical Infectious Diseases, enquanto e britânico foi divulgado pelo Lancet. Apesar da experiência bem sucedida em testes, o tratamento preventivo contra a AIDS continua a ser muito pouco prescrito no mundo, especialmente por causa de seu alto custo (cerca de € 10 mil ao ano) e efeitos colaterais como dores de cabeça, náuseas e perda de peso.

O Ministério da Saúde pretende incluir o Truvada gratuitamente pelo SUS, a partir de 2016. No Brasil, o estudo o PrEP Brasil (http://prepbrasil.com.br/) vem sendo realizado comparticipantes que recebem o medicamento e são monitorados por três centros de pesquisa, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, a Faculdade de Medicina da USP e o Centro de Referência e Treinamento em DST/aids, ambos de São Paulo. Cerca de 550 voluntários participam da pesquisa que iniciou em 2014.

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