Jurídico, Mundo | 9 de fevereiro de 2017

Justiça americana bloqueia mais uma megafusão de operadoras de planos de saúde  

Acordo entre Anthem-Cigna era avaliado em 54 bilhões de dólares
Justiça americana bloqueia mais uma megafusão de operadoras de planos de saúde  

Um magistrado federal impossibilitou mais uma das grandes fusões pretendidas por duas das maiores operadoras de saúde dos EUA. Esta decisão surge logo após o Departamento de Justiça concluir que o acordo reduziria a concorrência e aumentaria os preços. O juiz Amy Berman Jackson bloqueou o processo de fusão na quarta-feira, 8. A fusão Anthem-Cigna foi estimada primeiramente em 48 bilhões de dólares, mas o valor do acordo – após novas negociações – já alcançava a cifra de 54 bilhões.

A procuradora-geral, Loretta Lynch alertou que ” se permitisse prosseguir [com os acordos], essas fusões transformariam fundamentalmente a indústria de seguros de saúde. Eles deixariam grande parte da indústria de seguros de saúde de trilhões de dólares nas mãos de três gigantescas companhias de seguros [Anthem-Cigna, Aetna-Humana, United HealthGroup] restringindo drasticamente a concorrência em vários mercados-chave da qual milhões de americanos dependem para receber cuidados de saúde”. Ainda conforme ela, os resultados seriam cuidados de qualidade inferior e benefícios sendo eliminados.

Outro procurador, Brent Snyder, disse que “a decisão de hoje é uma vitória para os consumidores americanos”.

Já uma porta-voz da Anthem disse que a seguradora estava analisando a decisão do juiz e que não forneceria nenhum detalhe tão cedo.

No mês passado, outro juiz proibiu o acordo de 37 bilhões de dólares entre as operadoras Aetna e Humana indicando os mesmos motivos.

Obamacare

Estas fusões ganharam corpo com o apoio, em grande parte, do programa Obamacare, que empurrou milhões de novos usuários ao mercado de planos de saúde, com grandes subsídios do governo às empresas.

Porém, além da vitória de Donald Trump para a presidência do EUA, juízes demonstram que ajudarão a bloquear as aspirações das operadoras e do modelo de saúde proposto por Obama – concentrado em subsídios para operadoras e penalizações à população que não aderisse aos planos oferecidos. Os custos dos subsídios, por exemplo, são estimados atualmente em cerca de 8 bilhões de dólares devidos pelo governo às operadoras.

 

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