Gestão e Qualidade | 17 de abril de 2026

Reestruturação na Oncoclínicas: Aporte de R$ 150 Milhões e Troca no Comando Marcam Nova Fase de Governança

Com a chegada de Mateus Bandeira (ex-presidente da Falconi e ex-conselheiro do Hospital Moinhos de Vento) ao Conselho e a sucessão de Bruno Ferrari, companhia blinda caixa e foca em eficiência operacional.
Reestruturação na Oncoclínicas Aporte de R$ 150 Milhões e Troca no Comando Marcam Nova Fase de Governança

A Oncoclínicas (grupo Oncoclínicas&Co) vive um divisor de águas em sua trajetória corporativa. Após o encerramento das negociações para a joint venture com o Grupo Fleury e a Porto, a companhia agiu rapidamente em múltiplas frentes para estabilizar a sua operação: confirmou a sucessão em sua liderança máxima e a chegada ao Conselho de Administração de Mateus Bandeira, executivo com larga experiência em gestão de alta complexidade e turnaround. Com passagens pela presidência da Falconi, do Banrisul e pelo conselho do Hospital Moinhos de Vento, Bandeira reforça a governança em um momento em que a empresa obtém vitórias judiciais estratégicas e garante uma nova linha de liquidez para sustentar a sua operação assistencial.


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Movimentação na Liderança: Quem Sai e Quem Entra

A reestruturação promoveu uma substituição completa no núcleo de decisão da companhia. Bruno Ferrari, fundador e figura central da Oncoclínicas, deixou o cargo de liderança direta (CEO) recentemente. Agora, deixa também a sua cadeira no Conselho de Administração. Em seu lugar, assumiu Carlos Gil, executivo com profundo conhecimento técnico/assistencial e operacional do grupo, que agora acumula a função de CEO e conselheiro. Somando-se a essa mudança, a governança foi reforçada pela entrada de Mateus Bandeira no Conselho de Administração, ocupando uma das vagas destinadas aos investidores estratégicos da MAK Capital, com o objetivo de imprimir um novo ritmo de eficiência e controle financeiro.


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Governança Consolidada: A Sucessão como Condição de Aporte

A oficialização dessa troca de comando carrega um detalhe crucial para o mercado: a saída de Bruno Ferrari dos cargos executivos foi parte integrante da negociação para a viabilização do aporte de R$ 150 milhões

– O Perfil da Gestão: Carlos Gil assume com a missão de liderar a transição da Oncoclínicas de uma fase de expansão acelerada para um estágio de consolidação e eficiência operacional extrema, atendendo às exigências de governança dos novos investidores


– Institucionalização: A saída do fundador do dia a dia executivo sinaliza uma maturidade institucional, necessária para responder aos desafios de liquidez e repactuar a confiança com o mercado de capitais.

A Estrutura do Crédito: R$ 150 Milhões via Lumina e MAK

Com o fim do acordo com Fleury e Porto, a busca por novas fontes de capital tornou-se prioritária. A Oncoclínicas recebeu uma proposta de crédito de até R$ 150 milhões liderada pela Lumina Capital Management e pela MAK Capital.

– Finalidade: Os recursos são vitais para a normalização do capital de giro, pagamento de fornecedores e compra de medicamentos.


– Sinalização: A entrada de gestoras especializadas em reestruturações indica uma solução célere para garantir que a operação clínica não sofra interrupções, afastando o risco de desassistência e intervenção da ANS.


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Expertise no Setor: Mateus Bandeira no Conselho

A indicação de Mateus Bandeira para o Conselho, representando a MAK Capital, confere autoridade técnica à reestruturação. A sua trajetória é sustentada por uma formação acadêmica de elite global: MBA em Finanças e Políticas Públicas pela The Wharton School (2002 – 2004); Owners and Presidents Management Program (OPM 48) pela Harvard Business School Executive Education (2013 – 2016); Pós-Graduação em Administração pelo PPGA/EA da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (1998 – 1999); Graduações em Informática (UCPel) e Ciências Contábeis (UFRGS).

A sua experiência inclui a presidência da Falconi – a maior consultoria brasileira de gestão empresarial -, e do Banrisul, além do cargo de Secretário de Planejamento e Gestão do RS. No setor de saúde, a sua passagem estratégica pelo Conselho de Administração do Hospital Moinhos de Vento é o diferencial: a instituição é o único hospital fora de São Paulo no ranking dos 250 melhores hospitais do mundo, em levantamento recente feito pela revista norte-americana Newsweek.

Blindagem Jurídica e Resultados do 4T25

Complementando a busca por liquidez, a Oncoclínicas obteve uma liminar estratégica no Tribunal de Justiça de São Paulo, suspendendo o vencimento antecipado de dívidas. Esta blindagem é fundamental diante dos resultados do 4T25, que, embora tenham mostrado uma Receita Líquida de R$ 1,6 bilhão (alta de 15%), revelaram forte pressão sobre as margens e glosas de operadoras.

O Paralelo Sistêmico: Hapvida como Termômetro

A instabilidade da Oncoclínicas reflete um setor em reajuste. A Hapvida, após enfrentar perdas históricas de valor de mercado, também recorre a uma reestruturação severa. Conforme noticiado pelo Portal Setor Saúde, a companhia avança na venda de ativos estratégicos no Sul (como o CCG Saúde e a Clinipam) e renovou o seu Conselho, provando que o setor de saúde suplementar vive um momento de “poda estratégica” para garantir a sustentabilidade futura.

Análise para o C-Suite: O que observar agora?

1. Liderança de Carlos Gil: CEOs do setor devem observar como a nova gestão foca na rentabilidade do portfólio atual.


2. Condicionalidades de Mercado: A saída do fundador como parte do acordo de aporte reforça que o mercado exige mudanças drásticas na governança em troca de liquidez.


3. Compromisso Assistencial: Com a liminar judicial e o crédito de R$ 150 mi, a prioridade absoluta — como reforçado pelo CEO ao O Globo — deve ser a normalização do atendimento aos pacientes.

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