Empregabilidade e Aperfeiçoamento | 21 de agosto de 2026

Dráuzio Varella e especialistas debatem envelhecimento e longevidade em congresso do Sesc e Senac

Primeira edição do Congresso + Saúde reuniu mais de 800 participantes e colocou prevenção, saúde mental e desinformação em saúde no centro do debate .
Dráuzio Varella e especialistas debatem envelhecimento e longevidade em congresso do Sesc e Senac

Mais de 800 pessoas passaram pela 1ª edição do Congresso + Saúde Sesc e Senac: Educação e Bem-Estar Social, realizado na terça-feira (18) na sede do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e Ifep, no Rio Grande do Sul. A programação reuniu palestras, intervenções culturais e uma mostra de projetos, com nomes como Dráuzio Varella, Margareth Dalcolmo e Mari Krüger para discutir longevidade, envelhecimento da população e os impactos da vida moderna sobre o bem-estar.


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Na abertura, o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e Ifep, Luiz Carlos Bohn, defendeu a integração entre as áreas ao dar as boas-vindas ao público. “Saúde, educação e bem-estar caminham juntos. Essa é a visão que orienta o trabalho do Sesc e do Senac do Rio Grande do Sul”, afirmou.


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A palestra de abertura, “Saúde Integral: Perspectiva da Educação e do Bem-Estar Social”, ficou com o médico Dráuzio Varella, que sustentou que a população está envelhecendo mal e usando o corpo de forma inadequada, sobretudo pela falta de atividade física ao longo da vida. Ele lembrou a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 30 minutos de exercício, cinco vezes por semana. “A saúde não é um bem e o corpo humano não é uma dádiva de Deus. O corpo é uma máquina que tem que ser cuidada da melhor forma possível”, disse.


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Ao tratar dos efeitos da vida moderna, Varella apontou o excesso de conexão e de estímulos como fator de adoecimento. “Passamos a viver online e a pagar o preço de quem vive online. Estamos vivendo em uma sociedade onde o conforto não nos traz tranquilidade”, afirmou, ao comentar o avanço de quadros de ansiedade e depressão. Para ele, o excesso de informação também compromete a atenção e acaba confundido com falha de memória. “Não é a memória que está ruim, é a atenção que está prejudicada pelo excesso de estímulos”, observou. O médico ainda chamou atenção para o crescimento da população acima dos 60 anos: “Isso é algo que nunca aconteceu na história da humanidade. É preciso se adaptar a essas mudanças.”


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O envelhecimento populacional também guiou a palestra da médica Margareth Dalcolmo, “Ciência, Inovação e tomada de decisões”. Ela apresentou dados sobre emergências climáticas, epidemias e vacinação e projetou que, a partir de 2030, o Brasil terá mais idosos do que jovens — cenário que, segundo ela, exigirá preparação do sistema de saúde para novas demandas. Dalcolmo citou levantamento da Global Health, de 2024, que aponta 48% de chance de uma nova pandemia nos próximos dez anos. “Nós precisamos estar preparados para uma nova pandemia. Não podemos ser tão dependentes de outros países. Precisamos ter autonomia para a produção de máscaras e remédios, por exemplo”, ressaltou.

A médica relacionou ainda as mudanças climáticas à alteração no comportamento de doenças. “As mudanças climáticas são fato e a sazonalidade de doenças que conhecemos há décadas também mudou. Nós, médicos, estamos aprendendo na prática como as crises climáticas estão afetando a saúde e precisamos estar preparados”, afirmou.

Os desafios da saúde ao longo da vida

À tarde, o debate passou pela saúde em diferentes fases da vida. O diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS), Fábio Rocha, defendeu que prolongar a expectativa de vida exige atenção ao resultado entregue ao paciente, e não apenas ao acesso. “Saímos de um cenário de doenças agudas para doenças crônicas não transmissíveis de longo prazo. Por isso, não basta ter só o acesso à saúde, é preciso entregar o melhor resultado para o paciente”, disse.

O médico hebiatra Felipe Fortes, especialista em saúde de adolescentes e jovens, destacou a diversidade desse público. “Não existe uma adolescência, existem várias. Cada lugar do nosso país tem uma experiência diferente, cada adolescência é única e especial”, afirmou. Ele associou o crescimento de diagnósticos de saúde mental registrados pelo SUS a partir de 2016 à popularização das redes sociais. “As telas estão tomando um tempo absurdo da gente”, disse.

O enfermeiro, professor e influenciador Rafael Albuquerque tratou da saúde integral como a relação entre corpo, mente, ambiente e informação. “Quando se usa as redes sociais com consciência, mais pessoas são impactadas positivamente. A informação certa, no momento certo, também faz a diferença”, afirmou.

Influência que transforma

Na palestra de encerramento, “O poder da influência responsável na construção de relações saudáveis”, a bióloga e influenciadora digital Mari Krüger admitiu que os influenciadores digitais são os maiores responsáveis pela desinformação nas redes. “Desinformar dá audiência, informar dá trabalho. É fácil mentir, não precisa procurar se a informação está correta, ir em busca de fontes. E é muito fácil de ser produzida, consumida e espalhada”, disse. Conhecida por combater a desinformação em saúde e ciência, ela reforçou o valor da presença qualificada nas redes. “Conhecimento é tudo o que a gente tem. A informação tem que estar online, porque a desinformação já está”, concluiu.

Além das palestras, o público acompanhou intervenções culturais da Companhia Teatro Ateliê e da Cia Dramática e a Mostra de Projetos, que reuniu 20 trabalhos de profissionais do Sesc e alunos do Senac voltados a soluções para a área da saúde.

Foto: Carlos Macedo

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