Dasa amplia EBITDA em 53% e retoma geração de caixa no 2T26
Volume de exames cresceu 9,7%, a dívida bruta caiu 21% e o prejuízo líquido recuou 92% ante a base comparável.
A Dasa (B3: DASA3), que se apresenta como líder em medicina diagnóstica no Brasil, fechou o segundo trimestre de 2026 com EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado de R$ 446 milhões, alta de 53% na base comparável, e voltou a gerar caixa livre, com R$ 292 milhões no período. Os números, divulgados em 13 de agosto, completam doze meses de operação no perímetro atual da companhia.
A receita bruta consolidada somou R$ 2,4 bilhões, avanço de 8%, e a margem EBITDA — relação entre o EBITDA e a receita — chegou a 20,1%. O prejuízo líquido recuou 92%, de R$ 454 milhões para R$ 35 milhões. Todas as comparações são feitas contra uma base reconstruída do 2T25, que reflete o perímetro atual da empresa após a criação da Rede Américas e os desinvestimentos realizados em 2025.
Parte do avanço do EBITDA vem da equivalência patrimonial — o reconhecimento proporcional do resultado — da Rede Américas. Excluído esse efeito, o EBITDA consolidado cresceu 29,5% na mesma base, segundo a própria apresentação de resultados.
“Existe um conjunto de alavancas que repetimos trimestre após trimestre, com coerência e consistência: mais exames, B2B, atendimento domiciliar e premium crescendo, eficiência operacional em cada etapa da jornada e a capacidade instalada rendendo mais”, afirma Rafael Lucchesi, CEO da Dasa.
Diagnósticos: volume, B2B e premium
Diagnósticos, núcleo do negócio, registrou receita bruta de R$ 2,2 bilhões, alta de 9,2%. O volume alcançou 119,7 milhões de exames, crescimento de 9,7%, com o canal B2B — exames processados para laboratórios parceiros — respondendo por 70,5 milhões, alta de 13,2%, e o ambulatorial por 49,2 milhões, alta de 5,1%. No segmento premium, o ticket médio subiu 3,4%, para R$ 35,30.
A companhia atribui o desempenho à renovação tecnológica dos núcleos técnico-operacionais, à revisão da malha logística e à maior utilização da capacidade instalada. Encerrou junho com 833 unidades de atendimento, depois de encerrar seletivamente operações de menor desempenho e reforçar as de maior potencial. Dos R$ 59 milhões investidos no trimestre, R$ 31 milhões foram direcionados a tecnologia.
“Crescer em B2B e modernizar nossos núcleos técnico-operacionais pressiona a margem no curto prazo, mas o ganho aparece maior adiante, na eficiência operacional e na alavancagem”, explica Lucchesi.
Hospitais, Oncologia Nordeste e Rede Américas
O segmento de Hospitais e Oncologia Nordeste, que responde por menos de 10% da receita consolidada, teve receita de R$ 208 milhões, queda de 4%, puxada pela menor receita em Oncologia. A rentabilidade, porém, avançou: o lucro bruto ajustado subiu 4,2%, para R$ 61 milhões, com margem de 32,0%, expansão de 1,5 ponto percentual. No Hospital da Bahia, a taxa de ocupação chegou a 83,7%, alta de 7,1 pontos percentuais em doze meses.
Na Rede Américas — joint venture em que a Dasa detém 50% e reconhece o resultado por equivalência patrimonial —, a receita líquida somou R$ 3,2 bilhões, alta de 12,4%, e o EBITDA chegou a R$ 441 milhões, crescimento de 38,6%. A alavancagem da JV, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA, caiu de 2,74x para 1,69x em doze meses.
Caixa e estrutura de capital
A geração operacional de caixa somou R$ 347 milhões, ante R$ 44 milhões um ano antes, e o fluxo de caixa livre — o que sobra depois dos investimentos — ficou em R$ 292 milhões. O ciclo de conversão de caixa, tempo entre pagar fornecedores e receber dos clientes, encerrou junho em 59 dias, sete a menos que na base comparável.
A dívida financeira bruta caiu 21,2% em doze meses, para R$ 6,4 bilhões, e a dívida líquida — dívidas menos caixa e aplicações — recuou 23,4%, para R$ 5,6 bilhões. No recorte de escopo comparável, a alavancagem seguiu em queda, de 3,13x no 4T25 para 2,91x no 2T26. Em julho, a companhia concluiu a 23ª emissão de debêntures, de R$ 700 milhões, e resgatou antecipadamente a 16ª emissão, deixando endereçados os vencimentos de 2026 e 2027.
Inovação, longevidade e acesso
Na frente de medicina preditiva voltada ao envelhecimento saudável, a Dasa lançou no trimestre painéis para doenças hepáticas, obesidade e diabetes, além do Check-up Peso e Metabolismo Saudável. Em genômica, passou a oferecer o Optical Genome Mapping (OGM), que afirma disponibilizar de forma pioneira no país. A empresa também ampliou o teste de autocoleta para HPV nos canais B2B e em laboratórios parceiros e levou ações de prevenção e testagem ao Parque Indígena do Xingu, em parceria com a ONG Xingu+Catu.