Acreditação ONA no Instituto de Cardiologia: o que mudou na assistência e na cultura de segurança do paciente
Certificação simultânea em Porto Alegre e Santa Maria criou setores de Qualidade inéditos, com apoio técnico do IAHCS Acreditação.
A certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA) deixou marcas concretas na rotina do Instituto de Cardiologia (Fundação Universitária de Cardiologia – FUC). Conquistada nas unidades de Porto Alegre e Santa Maria, de forma simultânea e com apoio técnico do IAHCS Acreditação (Instituição Acreditadora Credenciada – IAC), a certificação levou à criação de setores de Qualidade, à padronização de protocolos e a uma mudança na cultura de segurança do paciente.
A decisão partiu da alta gestão. Segundo a superintendente assistencial da FUC, enfermeira Renata Brião, a instituição optou por certificar as duas unidades ao mesmo tempo para assegurar o mesmo padrão de cuidado aos pacientes, independentemente do local de atendimento, e avançar em uma lógica de gestão em rede. “Nossos pacientes devem receber o mesmo padrão de cuidado, independentemente do local onde são atendidos”, afirma.
A gestão avaliou que o momento institucional era propício para consolidar uma cultura mais orientada pela qualidade, pela segurança do paciente e pela melhoria contínua. Renata situa a decisão na própria missão da instituição. “A nossa missão é oferecer cuidados de saúde cardiovascular de excelência, integrando ensino, pesquisa e assistência, com foco na sustentabilidade”, afirma. Para ela, a busca pela certificação nasce da convicção de que “a excelência deve ser um compromisso permanente”.
O que mudou na assistência com a acreditação ONA
Na rotina assistencial, o processo levou à padronização de atividades, ao mapeamento de práticas que ainda não estavam formalmente descritas, à redução de riscos e ao desenvolvimento das equipes. “Sem dúvida o maior impacto foi com relação a segurança do paciente, na implementação e acompanhamento dos protocolos clínicos, assistenciais e de segurança”, afirma Renata Brião. A mudança também alcançou o comportamento das equipes, que passaram a compreender que “a qualidade deve estar presente na prática diária e não apenas nos documentos”. Para a superintendente, esse engajamento “aumenta a capacidade de identificar riscos precocemente, propor melhorias e acompanhar os resultados das ações implementadas”.

Inaugurado em 2018, o Hospital Regional de Santa Maria faz parte da rede do Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia. Na foto, equipes de hospital comemoram a conquista da certificação ONA.
Núcleo de Segurança e setor de Qualidade reforçam a cultura interna
Para sustentar o processo, a instituição fortaleceu o Núcleo de Segurança do Paciente e criou um setor de Qualidade — inexistente até então — nas unidades de Porto Alegre e Santa Maria. “Esse não poderia ser um projeto de um setor específico, mas sim uma estratégia institucional”, resume a superintendente. O trabalho incluiu forte investimento na capacitação das lideranças, com apoio de consultorias, benchmarking e participação em cursos e eventos. “Capacitando as lideranças foi a forma de levar também o conhecimento aos demais colaboradores”, explica. O processo somou ainda treinamentos contínuos e a revisão participativa de processos.
Parceria técnica com o IAHCS Acreditação
A preparação teve o IAHCS Acreditação como parceiro técnico. “O IAHCS teve um papel importante como parceiro técnico, trazendo experiência, metodologia e uma visão externa qualificada para nos orientar nessa caminhada”, afirma Renata Brião. A equipe ajudou a instituição a identificar oportunidades de melhoria, revisar processos e fortalecer a gestão por indicadores, preparando os times para tratar os requisitos da ONA “como instrumentos de qualificação da assistência, e não apenas como critérios de certificação”.

Equipe do IAHCS Acreditação em evento no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre.
O trabalho foi conduzido de forma colaborativa, respeitando a realidade de cada unidade. Mais do que preparar a instituição para a avaliação, avalia a superintendente, “essa parceria fortaleceu competências internas e deixou um legado de conhecimento que continuará orientando nossa evolução”.

O Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia de Porto Alegre foi criado em 1966.
Reflexos na relação com operadoras e gestores públicos
A certificação também começa a repercutir na relação com as fontes pagadoras. “Tanto as operadoras de saúde quanto os gestores públicos valorizam organizações que demonstram capacidade de entregar uma assistência segura e padronizada”, afirma a superintendente, para quem a acreditação amplia a confiança nas práticas de gestão e de cuidado. Com a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente, observa, o poder público passa a considerar não apenas o volume de produção, mas também o desempenho assistencial — “deslocando o foco apenas do volume de serviços para a geração de valor em saúde”. Os impactos econômicos e contratuais, pondera, tendem a ocorrer de forma gradual, mas a acreditação, em sua avaliação, “fortalece o posicionamento institucional e amplia as oportunidades de construir relações baseadas em transparência, confiança e objetivos comuns”.

Evento de anúncio às equipes da conquista da acreditação do Instituto de Cardiologia.
Para a Fundação Universitária de Cardiologia (FUC), o movimento é estratégico. “Acreditamos que qualidade assistencial, segurança do paciente e sustentabilidade caminham juntas”, afirma Renata Brião. O saldo, para ela, é “uma organização mais madura, com equipes mais engajadas e uma cultura de melhoria contínua cada vez mais consolidada”. “O verdadeiro diferencial está na capacidade da instituição de incorporar esses princípios ao seu dia a dia”, conclui.

Hospital Regional de Santa Maria, sob gestão da Fundação Universitária de Cardiologia (FUC) – Instituto de Cardiologia.



