CASSI mapeia câncer de mama: prevalência em alta, incidência em queda
Autogestão do Banco do Brasil usa a própria base de 2017 a 2024 para estruturar sua linha de cuidado oncológico.
A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI) publicou seu primeiro boletim epidemiológico temático sobre câncer de mama, estudo que acompanhou a doença entre as participantes de 2017 a 2024 e chegou a um retrato de duas velocidades: mais mulheres convivendo com a doença, mas menos casos novos por ano ao fim do período.
Diferentemente da maioria dos estudos nacionais, concentrados na incidência (casos novos), o levantamento priorizou a prevalência — indicador que soma casos novos e antigos em acompanhamento. Por atender uma população delimitada, a autogestão consegue rastrear os registros ao longo do tempo, algo que o país não faz em escala nacional por não dispor de um registro único e contínuo de câncer.
Prevalência sobe, incidência recua
A taxa de prevalência entre as participantes do sexo feminino subiu 73,7% no período, de 5,7 para 9,9 casos por mil, com mais de 3 mil mulheres convivendo com a doença em 2024. O próprio boletim atribui a alta à combinação de envelhecimento da população assistida, maior detecção e aumento da sobrevida — ou seja, parte do crescimento reflete mulheres que vivem mais tempo após o diagnóstico, e não necessariamente mais doença.
Na contramão, a incidência — a taxa de casos novos — recuou cerca de 5,5% no intervalo, com pico de 184,9 casos por 100 mil em 2022 e queda para 136,4 em 2024. O estudo associa as oscilações à retração do acesso durante a pandemia e à variação na detecção, ressalvando que o aumento observado em 2022 pode refletir mais diagnóstico do que aumento real da ocorrência.
Acima do INCA — e o que isso sugere
Mesmo depois de padronizadas pela estrutura etária nacional, as taxas de incidência da CASSI permaneceram acima das estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2023 e 2024. Para o boletim, a diferença tem mais relação com o acesso ao diagnóstico em uma população de maior renda e cobertura assistencial do que com um risco intrínseco maior — leitura coerente com a de regiões brasileiras mais desenvolvidas e países em transição epidemiológica.
O documento também detalha o percurso do cuidado. Entre as diagnosticadas de 50 a 69 anos, cerca de 85% haviam feito mamografia nos 24 meses anteriores ao diagnóstico. O boletim faz uma ressalva importante: na saúde suplementar o código do exame não distingue a mamografia de rastreamento da diagnóstica, o que impede afirmar que todos esses exames foram preventivos. Estádios iniciais (I e II) responderam por 60% a 67% dos casos com estadiamento registrado, enquanto o estádio IV (metastático) manteve-se estável entre 16% e 21%.
Rio Grande do Sul entre as maiores taxas
No recorte por estado, o Rio Grande do Sul aparece entre as maiores prevalências do país em 2024 — 11,9 casos por mil, atrás apenas do Ceará (12,0) —, com taxas acima de 20 por mil nas faixas de 50 a 79 anos, ao lado do Paraná. Sul e Sudeste concentraram as maiores taxas em todo o período, padrão que o estudo relaciona à estrutura etária mais envelhecida e ao maior acesso a exames nessas regiões.