Estatísticas e Análises | 15 de julho de 2026

Hepatites virais: mortalidade no RS é mais que o dobro da média nacional

No Julho Amarelo, especialista do Hospital Moinhos de Vento reforça vacinação, testagem e diagnóstico precoce contra as hepatites virais.
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No Julho Amarelo, campanha de conscientização sobre as hepatites virais, o Hospital Moinhos de Vento chama atenção para um dado que expõe o peso da doença no Rio Grande do Sul: a taxa de mortalidade combinada por hepatites B e C no estado foi de 1,3 óbito por 100 mil habitantes no último ano, mais do que o dobro da média nacional, de 0,5 por 100 mil. Os números são do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), da Secretaria Estadual da Saúde.


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O maior desafio das hepatites virais está no seu curso silencioso. Sem causar dor ou sinais evidentes, a infecção pode permanecer por anos comprometendo o fígado até ser descoberta em estágios avançados. “Quando os sintomas aparecem, muitas vezes o fígado já sofreu um comprometimento importante”, afirma Fernando Wolff, chefe do Serviço de Gastroenterologia e Cirurgia Digestiva do Hospital Moinhos de Vento. Para o especialista, investir em prevenção, manter a vacinação em dia e realizar os testes quando indicados são atitudes fundamentais para proteger a saúde.


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Wolff reforça a importância de investigar a doença mesmo na ausência de sintomas. Pessoas que realizaram transfusões antes da implementação dos testes obrigatórios, compartilharam objetos perfurocortantes, têm múltiplos parceiros sexuais ou nunca fizeram a testagem devem conversar com um profissional de saúde sobre a realização dos exames. “Quanto mais cedo a infecção é identificada, maiores são as chances de evitar sequelas e preservar a qualidade de vida do paciente. A informação continua sendo uma das principais aliadas no combate às hepatites virais”, diz.


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Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde (dados acumulados de 2000 a 2024), os casos confirmados no país se distribuem em cinco tipos. A hepatite C lidera, com 41,5% dos casos — transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado e, atualmente, com altas taxas de cura por meio de medicamentos de ação direta. Em seguida vêm a hepatite B (36,6%), transmitida por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue e da mãe para o bebê, prevenível por vacina disponível no Sistema Único de Saúde (SUS); a hepatite A (21,2%), associada ao consumo de água e alimentos contaminados e à falta de saneamento, também prevenível por vacinação; e as hepatites D e E, com menos de 1% dos casos cada.

O problema também tem dimensão global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C crônica no mundo, e aproximadamente 1,3 milhão de mortes são registradas todos os anos em decorrência dessas infecções. Para Wolff, alcançar a meta de eliminação da doença até 2030 dependerá, sobretudo, da conscientização da população e da ampliação das ações de prevenção.

O recado para o setor é direto. “O Brasil reúne todas as condições para reduzir de forma significativa o impacto das hepatites virais. Além da vacina, temos exames e tratamentos disponíveis. O desafio agora é ampliar a conscientização para que mais pessoas procurem os serviços de saúde antes que a doença se manifeste”, conclui o gastroenterologista do Hospital Moinhos de Vento.

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