InCor e Arqia desenvolvem sistema de monitoramento cardíaco remoto com IA e IoT
Solução usa dispositivo vestível e conectividade celular para acompanhar parâmetros cardiovasculares fora do ambiente hospitalar.
O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP (InCor) e a Arqia, empresa especializada em conectividade e infraestrutura para a Internet das Coisas (IoT), avançam em um projeto de monitoramento cardíaco remoto que une dispositivo vestível, inteligência artificial e transmissão de dados por rede celular para identificar alterações cardiovasculares antes do surgimento de sintomas. A solução está em fase de validação clínica na cidade de São Paulo.
O sistema usa sensores ópticos de fotopletismografia integrados a um equipamento de uso corporal. O dispositivo emite feixes de luz sobre a pele do paciente e analisa a luz refletida — que varia de forma pulsátil conforme o ciclo cardíaco — para calcular, por algoritmos de inteligência artificial desenvolvidos pelo próprio InCor, indicadores como pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio. Um sensor de temperatura também faz parte do conjunto.
Todos os dados são anonimizados, criptografados e enviados automaticamente para uma plataforma digital no InCor, onde equipes médicas acompanham a evolução dos pacientes em tempo real. O sistema opera de forma autônoma e contínua, sem interferir na rotina do usuário.
Um diferencial relevante da solução é sua capacidade de funcionar independentemente de redes wi-fi. A transmissão ocorre via conectividade celular fornecida pela Arqia, protegida por rede virtual privada (VPN) exclusiva, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Daniel Fuchs, Vice-Presidente de Inovação da Arqia, aponta o alcance do modelo. “Estamos falando de um modelo de acompanhamento que permite aos médicos enxergarem mudanças no estado do paciente no exato momento em que elas acontecem. A conectividade IoT torna esse fluxo contínuo e seguro, possibilitando decisões mais rápidas e potencialmente salvando vidas. É a prova de que tecnologia e saúde avançam ainda mais quando caminham juntas.”
O Prof. Dr. Marco Antonio Gutierrez, diretor do Serviço de Informática do InCor, ressalta o impacto clínico direto. “Com o monitoramento contínuo, conseguimos identificar alterações hemodinâmicas que muitas vezes antecedem crises e eventos cardiovasculares graves. Isso abre caminho para uma medicina mais preventiva, com menos internações e melhor qualidade de vida. É um avanço importante para o paciente, para a equipe médica e para o próprio sistema de saúde.”
Com a conclusão da fase de validação, o InCor pretende expandir os testes para outros hospitais e centros de referência, além de integrar a tecnologia a prontuários eletrônicos e plataformas de telemedicina. A perspectiva é que a solução passe a integrar um ecossistema nacional de monitoramento cardiovascular baseado em dados contínuos e em tempo real.