Sem diagnóstico não há solução: A análise do deputado federal Pedro Westphalen (PP/RS) sobre a falha estrutural da saúde e do crédito no Brasil.
Há discursos que passam. Outros deixam diagnóstico. O do deputado Pedro Westphalen (PP/RS), na tribuna da Câmara, entra na segunda categoria, e não por acaso. Médico, ele fez o que falta ao país: tentou organizar sintomas que Brasília insiste em tratar como episódios isolados.
O ponto de partida é simples, quase didático: “diagnosticar bem é tratar melhor”. A frase, repetida por ele, deveria ser lema de governo. Mas, no Brasil, ainda se governa no escuro — sem exame, sem dado, sem prevenção.
O erro começa antes da doença
Ao defender uma política nacional de diagnóstico laboratorial no SUS, Westphalen expõe uma falha estrutural. O país que se orgulha de um sistema universal ainda negligencia a base da medicina: o diagnóstico.
Dignidade no atendimento
Sem isso, não há eficiência, não há economia, não há dignidade no atendimento. O resultado é conhecido, filas, exames tardios e tratamentos mais caros. Ou seja, o Brasil paga mais porque decide mal.
E pior: invisibiliza quem sustenta essa engrenagem. Laboratórios e bioquímicos seguem fora do debate, mesmo sendo decisivos, inclusive na pandemia. É o típico caso brasileiro de valorizar a ponta e ignorar o alicerce.
O campo pede prazo, não discurso
Quando o deputado entra no tema rural, o tom muda, e com razão. O Rio Grande do Sul virou laboratório de crise: seca, enchente e colapso de renda.
A proposta de securitização das dívidas não é favor. É sobrevivência. “Não queremos perdão, queremos prazo”, disse. E é exatamente isso: alongar dívida para manter produção.
Hoje, o produtor planta no prejuízo. O arroz não paga o custo. Ainda assim, segue produzindo. Não por política pública, por insistência.
Se Brasília não reagir, o problema deixa de ser regional e vira nacional. O agro sustenta o PIB, mas está sendo empurrado para o limite.
A tragédia virou rotina
Outro ponto incômodo: o Brasil ainda reage a desastres como se fossem exceção. Não são. São recorrentes.
Westphalen toca na ferida: falta planejamento urbano, falta prevenção, sobra improviso. Casas em áreas de risco continuam sendo autorizadas. Depois, vem a tragédia, e o discurso de solidariedade.
A conta chega sempre depois. E sempre mais cara.
Crédito travado, violência crescente
No crédito rural, o cenário é de sufocamento. Regras que deveriam organizar acabam afastando quem produz. O risco é claro: travar financiamento em um país que depende da própria produção.
E, no campo social, o alerta é ainda mais duro. O aumento dos feminicídios no Rio Grande do Sul expõe outra falha estrutural: o Estado ainda chega tarde demais.
Brasília precisa parar de reagir
O discurso de Westphalen não é apenas um conjunto de pautas. É um aviso. O Brasil segue operando no modo emergência permanente.
Na saúde, falta diagnóstico. No campo, falta fôlego. Nas cidades, falta prevenção. Na política, falta prioridade.
O país não pode continuar tratando sintomas quando o problema já é sistêmico.
Porque, no fim, a frase do deputado vale para tudo: sem diagnóstico, não há solução.
Pedro Westphalen (PP-RS), médico e deputado federal em seu segundo mandato, consolidou-se como o principal articulador do setor saúde no Congresso Nacional. Com uma trajetória marcada pela gestão técnica, ele transpõe sua experiência clínica para a política, defendendo que a eficiência pública depende de um diagnóstico preciso e de um suporte robusto àqueles que efetivamente entregam o atendimento à população. Atualmente, sua liderança atinge o ápice como presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Serviços de Saúde. Sob sua coordenação, a Frente tornou-se o maior fórum de debate e proteção da infraestrutura assistencial do Brasil. Westphalen foca sua atuação na sustentabilidade das Santas Casas, hospitais filantrópicos e privados, além de liderar a pauta da valorização do diagnóstico laboratorial. Para o parlamentar, fortalecer os serviços de saúde significa garantir que a engrenagem — do bioquímico no laboratório ao médico no hospital — tenha condições de operar com dignidade, evitando que o sistema entre em colapso por falta de planejamento e investimento na base.
Nota: Este texto foi publicado originalmente pela coluna do jornalista Edgar Lisboa. Foto Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados.