Os benefícios das soluções digitais e da medicina de precisão expostos no Seminários de Gestão
VarStation, Arteris, Hilab e Alexa foram algumas das soluções apresentadas
A médica geneticista do Hospital Israelita Albert Einstein, Tatiana Ferreira Almeida, apresentou a terceira palestra da nona edição do evento Seminários de Gestão, com o tema da medicina de precisão e seus benefícios, por meio de tecnologia, em tratamentos individualizados e eficientes. O evento foi promovido pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (FEHOSUL), Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA) e Associação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (AHRGS), e ocorreu na quinta-feira (18), no Hotel Continental.
Esta foi a 5ª edição de 2018 do Seminários, que teve como tema central Saúde Digital e Telemedicina. Prestigiado na área de gestão de saúde, o evento contou mais uma vez com auditório lotado. O Seminários teve como patrocinador o Banrisul e o portal Setor Saúde como veículo de comunicação oficial do evento. A instituição de ensino superior responsável pela emissão do certificado é a FASAÚDE/IAHCS, e os apoiadores desta edição foram o IAHCS Acreditação, a Amrigs, Comcet e Conselho Regional de Farmácia do RS.

Adriana Denise Acker (Diretora-Superintendente do Grupo Hospitalar Conceição), com os presidentes do Sindihospa e da Fehosul, Henri Chazan e Cláudio Allgayer, respectivamente
A médica Tatiana Ferreira Almeida abordou Soluções Digitais em Medicina de Precisão. A definição de medicina de precisão foi tratado já no início da apresentação. De acordo com a médica, pode ser definido como uma abordagem para tratamento e prevenção de doenças que leva em consideração a variabilidade individual de genes, ambiente e estilo de vida de cada indivíduo.
Atualmente, temos uma boa gama de diferentes diagnósticos, mas com tratamento ainda muito generalizado, de acordo com a palestrante. “A medicina de precisão acontece quando temos tratamentos específicos. Temos 7 bilhões de pessoas no mundo, então temos 7 bilhões de formas de fazer saúde diferentes, pois cada indivíduo vai exigir um tratamento diferente”, salientou.
A médica falou sobre o All of Us Research Program que pretende ser referência na coleta de dados, leitura e poder estatístico para detectar associações entre exposições ambientais, genética e estilo de vida. A ideia da iniciativa dos Estados Unidos é criar uma consistente base de dados – com mais de 1 milhão de pessoas – para promover estratégias em saúde para o indivíduo.
Importância dos dados
A médica do Albert Einstein cita uma declaração do vice-presidente Global da Oracle Health Sciences, Andy Alasso, de que a medicina de precisão é vital para medicina. “Não haverá medicina sem a medicina de precisão. Para isto, é preciso que a tecnologia seja capaz de lidar com este alto volume de dados”, citando o executivo da Oracle.
Para viabilizar tratamentos com medicina de precisão, são necessários uma boa base de dados e boa capacidade analítica dos mesmos. “[A medicina de precisão] Só é possível se tivermos dados suficientes, para conseguir discriminar organismos dentro dos estilos de vida, e habilidade analítica suficiente para entender esses dados. Então, não é possível realizar a medicina de precisão antes de termos dados e a habilidade analítica, porque não se conseguirá diferenciar adequadamente cada um dos indivíduos”, explicou. A partir da habilidade de análise adequada, é possível propor saúde de maneira estratégica para cada indivíduo.

Tatiana Ferreira Almeida (Médica Geneticista do Hospital Albert Einstein)
A palestrante citou a palestra anterior, do doutor e professor da Universidade de São Paulo (USP), Chao Lung Wen, fazendo a mesma comparação sobre tecnologia entre o sistema de saúde e sistema financeiro (com o internet banking, por exemplo), “que conseguiu rapidamente se adaptar à tecnologia”. De acordo com a médica geneticista, além das diminuições de fila, a tecnologia passou a proporcionar que sejam organizadas estratégias diferentes para cada cliente. “Isso é o que sistema de saúde deve fazer através da medicina de precisão”, disse.
Para que se possa estabelecer a medicina de precisão, os dados precisam ter armazenamento robusto e flexível, interoperabilidade entre os sistemas, e as análises necessitam ter flexibilidade em processamento, com modelos matemáticos robustos e interação entre as áreas.
A palestrante citou quatro áreas de atuação atual da medicina de precisão: genética, imagem, sensores para diagnóstico (que permitem diagnósticos rápidos e descentralizados), e prontuários médicos. Para ela o prontuário é uma das principais fontes para análise, por isso deve ser alimentado com exatidão. “No meu ponto de vista, onde temos mais dados, com mais possibilidades de colocar em prática a análise, é no prontuário”, explicou, afirmando que é no prontuário que os indivíduos podem ser estratificados, com dados próprios de exames de rotina, de atendimentos de emergência, número de internações, prescrições, doenças crônicas, consultas médicas e planos de saúde.
” A tecnologia de sequenciamento deve uma crescimento exponencial muito grande. Anteriormente se obtinha resultados com o sequenciamento após 10 anos ao custo de bilhões de dólares. Hoje levamos 24 horas ao custo de mil dólares. Hoje é possível sequenciar qualquer coisa. É possível sequenciar o genoma, RNA, proteína, microbioma, metaboloma e até mesmo metilona. Isto tudo vai gerar uma interação de dados em que a gente consegue tomar uma decisão”, explica a médica geneticista.

Tatiana Ferreira Almeida apresentou soluções digitais no Seminários de Gestão
Soluções digitais
Tatiana Almeida demonstrou soluções digitais que envolvem a medicina de precisão, entre elas o VarStation, uma plataforma multilíngue criada pelo Hospital Albert Einstein para automação das análises genéticas. A plataforma foi criada para garantir uma análise segura e completamente rastreável de acordo com as diretrizes do College of American Pathologists (CAP). Possibilitando que os laboratórios que utilizam a plataforma sigam rigorosamente as regras de conformidade, incluindo recursos de avaliação por pares, completa auditoria e monitoramento detalhado de cada análise em tempo real.
Outras ferramentas também foram mostradas, como soluções de inteligência artificial, com Arteris (imagem), Skinvision (dermato) e o portal Kaggle (abre concursos com problemas para serem solucionados por cientistas e programadores com uso do aprendizado de máquina – em inglês, machine learning -, com prêmios em dinheiro. Pertence ao Google).
E ainda, soluções denominada como Teste Laboratorial Remoto (TLR) ou Point of Care Test (POCT). Estas soluções consistem em dispositivos acoplados ao paciente (não necessariamente no ambiente hospitalar/clínica) que permitem que os resultados sejam compartilhados instantaneamente com os prestadores de cuidados, ou ainda, que ações sejam tomadas automaticamente pelo aparelho. É o caso, por exemplo, do MiniMed 670G, que ajusta automaticamente a insulina a cada cinco minutos, com base nas suas leituras do aparelho. Outra solução digital – esta brasileira – é o leitor Hilab, uma plataforma online de exames laboratoriais. Outras soluções mais conhecidas, como aplicativos do Apple Watch Health foram apresentados, assim com outras soluções da Microsoft e até mesmo da Amazon, com soluções ainda embrionárias com o assistente virtual da Amazon chamado Alexa. A Amazon protocolou recentemente um pedido de patente para uma versão do Alexa que poderia detectar quando você está doente e oferecer opções de tratamentos ou remédios.
Saúde digital e Telemedicina
O Seminários de Gestão contou com a participação de referências da área da saúde nacional. Além da médica geneticista Tatiana Ferreira Almeida, o evento também contou com o presidente do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer), Prof. Dr. Jaderson Costa da Costa , que apresentou O homem na era digital: inteligência artificial e pós-humanismo. A palestra seguinte teve o chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP, Dr. Chao Lung Wen com o tema Modelo Brasileiro de Telesaúde: Desafios, Realidade e Lições Aprendidas. Já o tema A Nova Lei de Proteção de Dados e seu Impacto na Saúde (Lei nº 13.709/2018) foi apresentado pelo Secretário geral da Associação Brasileira de Direito da Tecnologia da Informação e das Comunicações, Gustavo Artese. Por fim, o médico Natan Katz, coordenador da área de TelessaúdeRS, trouxe o tema Telemedicina: Experiência no RS.

Allgayer, Katz, Artese, Chao, Tatiana e Chazan