Infecção misteriosa pode ser a causa de 18 mortes em dois Estados norte-americanos
Surto é considerado sem precedentes
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan (MDHHS, na sigla em inglês) confirmou que um idoso morreu após contrair uma “obscura” infecção no sangue, que atingiu mais de 50 outras pessoas no Estado de Wisconsin. Segundo informações do Washington Post e do Portal Quartz, 18 pacientes morreram, embora não esteja claro se a infecção foi a causa desses óbitos.
Uma rara bactéria chamada Elizabethkingia anophelis, é a mais suspeita causa das infecções que geraram um cenário que parece ser um surto, com base no protocolo definido pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos EUA. Autoridades de saúde dos dois Estados com vítimas – Wisconsin e Michigan – ainda não sabem como as ocorrências tiveram início.
Com base na explicação do microbiologista Yun Wang, da Faculdade de Medicina de Atlanta (Emory University School of Medicine) e o especialista em doenças infecciosas do Hospital Universitário de Saint Louis, Nirav Patel, o referido gênero de bactérias foi nomeado após Elizabeth King, uma microbiologista do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), descobrir a espécie em 2011. Desde então, muitas outras espécies no gênero foram encontradas, incluindo E. anophelis, que é responsável pelas infecções no atual surto americano.
A análise genética realizada pelo CDC revelou que as infecções podem ter vindo de uma única fonte. Segundo Yun Wang, a maioria dos casos são de pessoas que adquiriram a infecção em hospitais, um constante foco de infecções microbianas.
A Elizabethkingia geralmente é encontrada na água, no solo, ou por transmissão de insetos. A maioria das pessoas saudáveis têm organismo capaz de se defender de um ataque dessas bactérias. Os pacientes em risco são aqueles com sistema imune fraco, como crianças ou adultos mais velhos. A maioria dos que morreram no recente surto nos EUA tinham idade superior a 65 anos e também tinham graves problemas de saúde concomitantes.
A infecção se manifesta de forma diferente em cada pessoa, podendo infectar sangue, via respiratória ou pele. Se não for tratada com antibióticos, a gravidade pode aumentar, levando a choque séptico (falência circulatória aguda de causa infecciosa), dificuldade em respirar, erupções cutâneas (inflamação da pele) e inchaço, e, por vezes, pode ser fatal.
Elizabethkingia é uma bactéria que pode resistir a desinfetantes, tais como água sanitária e até mesmo a algumas drogas. A espécie de E. meningosepticum, por exemplo, é conhecida por ser resistente aos antibióticos mais poderosos.
Um surto como este é considerado sem precedentes. De acordo com o Milwaukee Journal-Sentinel, a maioria dos surtos anteriores tinham menos de 10 pacientes. Dirigentes das instituições hospitalares, afirmam as publicações dos EUA, não sabem onde este surto teve início nem por que é tão mortal. Descobrir onde está o foco é essencial para impedir novos casos.
Todas as amostras de bactérias isoladas de mais de quarenta pacientes compartilham uma identidade genética particular, sugerindo que podem estar vindo de uma mesma fonte. Mas encontrá-la pode ser difícil. Os casos estão espalhados por 12 municípios de Wisconsin (Columbia, Dane, Dodge, Fond du Lac, Jefferson, Milwaukee, Ozaukee, Racine, Sauk, Sheboygan, Washington e Waukesha) e agora também em Michigan. Nem todos os pacientes tinham visitado o mesmo hospital, e alguns viviam em lares de idosos.
Apesar de todas as espécies do gênero terem alguma forma de resistência a medicamentos, eles não são resistentes a todas as drogas. As autoridades norte-americanas buscam, agora, identificar o funcionamento do organismo e usar o antibiótico certo, uma tarefa difícil, mas não impossível. Por enquanto, o trabalho consiste em se preparar para a possibilidade de que mais casos da infecção sejam identificados e manter a procura da sua fonte.
Saiba mais sobre superbactérias:
80 mil poderão morrer por causa das superbactérias
Superbactérias criam novos desafios para a cadeia-hospitalar
EUA preparam plano de 5 anos para combater as superbactérias
Uso associado de produtos químicos e raios UV bloqueia a transmissão de superbactérias em hospitais
Combate a superbactérias deve ser feito de forma coordenada entre hospitais e governo
Os perigos da disseminação de bactérias resistentes a antibióticos