Gestão e Qualidade | 15 de abril de 2026

Cuidados paliativos no câncer: por que devem começar no diagnóstico e como melhoram a qualidade de vida

Abordagem ainda cercada de estigmas, os cuidados paliativos não significam fim do tratamento — e podem ser decisivos para o bem-estar do paciente e da família desde o início da jornada oncológica.
Cuidados paliativos no câncer por que devem começar no diagnóstico e como melhoram a qualidade de vida

Os cuidados paliativos no câncer vêm ganhando relevância no Brasil e no mundo como uma estratégia essencial para melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares. Apesar disso, ainda existe um equívoco comum: associar essa abordagem exclusivamente ao fim da vida.


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Na prática, especialistas reforçam que os cuidados paliativos devem ser iniciados desde o diagnóstico, atuando em conjunto com terapias como quimioterapia, radioterapia e tratamentos-alvo.


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O que são cuidados paliativos no câncer

O termo “paliativo” deriva do latim pallium, que significa “manto” — uma metáfora para proteção e acolhimento diante de doenças graves.

Segundo o oncologista Dr. Rodrigo Coutinho Mariano, médico consultor da Libbs Farmacêutica:

“Não se trata de desistir do tratamento. O cuidado paliativo tem como principal objetivo melhorar a qualidade de vida do paciente e de sua família, atuando no controle de sintomas e no suporte emocional”


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Essa abordagem envolve uma atuação multiprofissional, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos e outros especialistas, com foco não apenas na doença, mas nos impactos:

Físicos (dor, fadiga, náuseas);

Emocionais (ansiedade, medo, depressão);

Sociais (impacto familiar e financeiro);

Espirituais.

Por que iniciar os cuidados paliativos desde o diagnóstico

Evidências clínicas mostram que a integração precoce dos cuidados paliativos traz benefícios concretos:

Melhor controle de sintomas;

Maior adesão ao tratamento oncológico;

Redução de internações desnecessárias;

Melhora da qualidade de vida geral.

“Quanto mais cedo for iniciada, maiores os benefícios.”

Além disso, os cuidados paliativos ajudam a minimizar efeitos colaterais de terapias agressivas, tornando o tratamento mais tolerável.

Saúde mental: um dos pilares do cuidado

O impacto psicológico do câncer ainda é subestimado. Durante o tratamento, pacientes frequentemente enfrentam:

Ansiedade;

Tristeza persistente;

Depressão.

De acordo com o especialista, o suporte psicoemocional é fundamental:

“O cuidado psicoemocional é essencial, inclusive para a adesão ao tratamento”

Quadros depressivos, embora tratáveis, ainda são frequentemente subdiagnosticados no contexto oncológico — o que reforça a importância da abordagem integrada.

Cuidados paliativos no Brasil: acesso pelo SUS

No Brasil, cerca de 625 mil pessoas necessitam de cuidados paliativos. Esse atendimento é garantido pelo Sistema Único de Saúde e pode ocorrer em diferentes níveis de atenção:

Unidades Básicas de Saúde (UBS);

Ambulatórios especializados;

Hospitais;

Atendimento domiciliar.

Nos últimos anos, o Ministério da Saúde tem ampliado políticas públicas voltadas ao tema, incluindo diretrizes nacionais específicas para cuidados paliativos.

O papel da família e dos cuidadores

Outro ponto central é o suporte aos familiares e cuidadores, que frequentemente assumem funções complexas e emocionalmente desgastantes.

“É um cuidado exigente, que pode gerar sobrecarga física e emocional, por isso o suporte também precisa olhar para quem cuida”

Essa visão amplia o conceito de cuidado, colocando a família como parte ativa do processo terapêutico.

Desmistificando os cuidados paliativos

Um dos maiores desafios ainda é combater o estigma de que cuidados paliativos representam “fim de linha”.

Na realidade, eles representam mais cuidado — não menos.

“Pode não haver mais o que fazer para curar a doença, mas sempre há o que fazer pelo bem-estar do paciente. Cuidar é aliviar a dor, acolher o sofrimento e oferecer dignidade em todas as fases da vida.”

Perguntas frequentes (FAQ)

Cuidados paliativos substituem o tratamento do câncer?

Não. Eles são complementares e podem ocorrer junto com terapias curativas ou de controle da doença.


Quando iniciar cuidados paliativos?

Idealmente, desde o diagnóstico de uma doença grave como o câncer.


Quem tem direito a cuidados paliativos no Brasil?

Todos os pacientes que necessitam, com acesso garantido pelo SUS.


Cuidados paliativos são só para fase terminal?

Não. Eles podem e devem ser utilizados em todas as fases da doença.

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