Tecnologia e Inovação | 2 de setembro de 2026

Hospital do Amanhã 2026: HCPA leva a jornada oncológica à Health Meeting

Espaço imersivo recria a jornada do paciente com câncer e provoca o debate sobre levar o tratamento para fora do hospital.
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O Hospital do Amanhã, espaço imersivo concebido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e idealizado pela Health Meeting Brasil / SINDIHOSPA, dedica sua edição 2026 à oncologia. A montagem recria a jornada do paciente com câncer — da investigação diagnóstica ao transplante de medula óssea — e traduz medicina de precisão, oncogenética e novos modelos de cuidado em uma experiência que gestores e profissionais poderão percorrer durante o evento, de 22 a 24 de setembro, na FIERGS, em Porto Alegre. 


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Depois de dedicar as edições anteriores aos cuidados críticos (2024) e à jornada cirúrgica (2025), o projeto elege a área que, para o Clínicas, melhor sintetiza a velocidade das mudanças na saúde. Para o diretor-presidente do HCPA, Brasil Silva Neto, o espaço reafirma a identidade da instituição. “Para o Clínicas, é uma oportunidade de reafirmar um papel que está na nossa essência: sermos protagonistas das transformações da saúde”, afirma. Ele descreve a montagem como uma forma de compartilhar, de modo acessível e imersivo, o que o hospital vive na assistência, no ensino, na pesquisa e na inovação, em um estande que define como “dinâmico, tecnológico e humano” — e que assume, a cada edição, a responsabilidade de provocar reflexões sobre os caminhos da saúde e de mostrar, nas palavras dele, que “o futuro da saúde precisa ser construído de maneira colaborativa, conectada e centrada nas pessoas”. 


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Hospital do Amanhã de 2024 apresentou inovações e tecnologias sob o enfoque dos cuidados críticos.


Por que a oncologia

 “A Oncologia talvez seja hoje a área que melhor representa a velocidade com que a ciência está transformando a saúde”, resume Silva Neto. Ele cita avanços em genética, ferramentas diagnósticas, terapias tradicionais que se aperfeiçoam, inteligência de dados, terapias-alvo e medicina personalizada, e condiciona esses ganhos a uma mudança de modelo: “não há mais espaço para uma assistência fragmentada. O paciente oncológico exige precisão, integração, ciência e, acima de tudo, cuidado humano”. Para o dirigente, era o momento de mostrar como essas transformações convergem para beneficiar os pacientes. 


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A jornada cirúrgica foi o tema principal do Hospital da Amanhã em 2025.


A diretora administrativa do Clínicas, Ana Paula Coutinho, situa a escolha na evolução do próprio projeto. “A escolha surgiu naturalmente a partir da própria evolução do Hospital do Amanhã”, diz. “Em 2024, discutimos os cuidados críticos e em 2025, mostramos a jornada cirúrgica.” A oncologia, para ela, representa um novo passo por reunir de forma evidente as grandes transformações em curso — e coincide com um marco assistencial: 2026 é o ano em que o hospital inaugura seu Centro Integrado de Oncologia, com abertura prevista para novembro, projeto que, segundo ela, motivou intensa construção e mobilização. “A Oncologia é uma área em que genética, dados, pesquisa clínica, novas terapias e cuidado multidisciplinar precisam funcionar de forma integrada, com o paciente no centro de todas essas transformações”, afirma. E sintetiza o equilíbrio que o tema exige: “Ela nos permite discutir tecnologia, mas também integração. Ciência, mas também cuidado. Precisão, sem perder humanidade”. 

Ana Paula vê na sequência das edições uma progressão natural. Cada uma, observa, escolheu uma grande dimensão da assistência e procurou apresentar não apenas o que existe hoje, mas as transformações que redesenham aquele campo. “A Oncologia amplia a discussão que trouxemos nos anos anteriores, porque estamos falando de uma jornada complexa”, diz, em que diagnóstico, genética, pesquisa, tecnologia, decisões clínicas e diferentes profissionais precisam estar permanentemente conectados. Para ela, o tema expressa com clareza uma ideia central do projeto: “o futuro da saúde não será construído por soluções isoladas, mas pela convergência entre diferentes conhecimentos e competências”. 

Assistência, ensino e pesquisa no mesmo espaço 

A condição de hospital público, universitário e de pesquisa organiza a proposta. Silva Neto afirma que o espaço não foi concebido para apresentar tecnologia de maneira isolada, e sim para mostrar “como o conhecimento produzido pela pesquisa pode chegar à assistência, como a prática clínica gera novas perguntas para a ciência e como tudo isso também contribui para a formação de profissionais cada vez melhores”. Essa integração, diz, faz parte da identidade de um hospital universitário e é o que permite transformar inovação em cuidado concreto. O que dá segurança para apresentar o tema, acrescenta, é a capacidade do Clínicas de reunir diferentes dimensões do cuidado e do conhecimento: dados clínicos, exames de imagem, análises moleculares, informações genéticas e evidências de pesquisa considerados de forma articulada, com equipes multidisciplinares construindo, em conjunto, a melhor estratégia para cada paciente. 


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Esse movimento se materializa no Centro Integrado de Oncologia, construído com recursos do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Além de ampliar a capacidade de atendimento, será, segundo Silva Neto, um local onde os conceitos defendidos no Hospital do Amanhã serão postos em prática. 

A construção da programação partiu de uma pergunta, conta Ana Paula Coutinho: “como transformar temas complexos da oncologia em uma experiência capaz de aproximar o visitante daquilo que já está mudando a forma como entendemos e cuidamos do câncer?”. A resposta veio de meses de trabalho colaborativo, conectando conhecimento assistencial, pesquisa, inovação e tecnologia à arquitetura e à ambiência.

“O que mais me entusiasma é justamente o resultado dessa convergência”, afirma. O visitante percorrerá diferentes ambientes que representam etapas e dimensões da jornada do paciente, mostrando de forma prática e interativa como decisões clínicas podem ser apoiadas por medicina de precisão, oncogenética, diagnóstico inteligente, terapias avançadas, pesquisa clínica e atuação multidisciplinar.

A proposta, resume Ana Paula, é sair “daquela lógica em que cada inovação é apresentada isoladamente” e mostrar a transformação que acontece quando informações, tecnologias, conhecimento científico e profissionais trabalham de maneira integrada. A programação inclui ainda os Talks do Amanhã, apresentações curtas “para compartilhar conhecimentos e vivências sobre os mais diferentes temas”. 

A jornada oncológica traduzida em ambiente 

A tradução desses conceitos em espaço físico coube à Seferin Arquitetura da Saúde. “Concebemos o Hospital do Amanhã para apresentar ao visitante a jornada completa do paciente oncológico: da investigação e confirmação do diagnóstico ao planejamento terapêutico, tratamento, suporte farmacêutico e, por fim, a um quarto de transplante de medula óssea — TMO”, descreve o arquiteto Gustavo Seferin. A arquitetura, diz, foi pensada como suporte a essa jornada, com foco menos na forma do espaço e mais nas experiências que ele proporciona e na resposta às diferentes necessidades do paciente ao longo do tratamento. 


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Gustavo Seferin com a equipe que compõe a Seferin Arquitetura da Saúde.


O elemento central é uma sala imersiva que simula configurações distintas para a quimioterapia. “No início, quando o paciente ainda está inseguro, ele pode preferir um ambiente mais aberto, com contato visual com a equipe e com outras pessoas”, exemplifica. Em uma fase intermediária, pode buscar mais privacidade; nos momentos de maior debilidade, a proximidade e a rápida percepção do posto de enfermagem voltam a ser relevantes. Para Seferin, a sala é o elemento que melhor sintetiza a proposta do ano, por demonstrar que um ambiente de tratamento não precisa ser estático: “Pode responder ao estágio terapêutico, ao estado físico e emocional e às preferências de cada paciente”. Por meio da tecnologia, explica, é possível alterar a percepção de abertura, privacidade, proximidade da equipe e contato com outros pacientes — um avanço que ele define como sair de um modelo padronizado rumo a ambientes mais responsivos e personalizados. 


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Projeção do Hospital do Amanhã 2026.


A montagem ainda simula a possibilidade de parte do tratamento ocorrer na casa do paciente — apresentada não como resposta definitiva, mas como questão estratégica sobre descentralização, segurança, tecnologia e novos modelos assistenciais. “O hospital do futuro talvez não seja definido apenas pelo edifício, mas por uma rede de cuidado capaz de se adaptar ao paciente e acompanhá-lo em diferentes ambientes”, provoca. O ganho, para ele, não está no equipamento utilizado, mas na capacidade de repensar onde e como o cuidado pode acontecer. 


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Mais uma projeção de como será o espaço do Hospital do Amanhã na edição 2026 da Health Meeting.


Tecnologia com acolhimento 

Seferin defende um equilíbrio entre a frieza do hospital tradicional e a informalidade de outros ambientes. “Entendemos que um hospital não precisa se parecer com uma residência, mas também não deve reproduzir a imagem institucional e impessoal do hospital tradicional”, afirma. A comparação com hotéis, comum no setor, merece ressalva: o que deve ser incorporado, diz, não é a aparência, e sim atributos como conforto, acolhimento, atenção e qualidade da experiência. Ao mesmo tempo, o ambiente precisa comunicar capacidade técnica e tecnologia, porque esses elementos também produzem segurança — o paciente precisa perceber que está em uma instituição preparada para realizar um tratamento complexo. “O equilíbrio está em criar espaços acolhedores, mas que não escondam sua natureza assistencial”, resume. Materiais, iluminação, equipamentos, organização dos fluxos e contato com a equipe, acrescenta, precisam trabalhar em conjunto, porque as pessoas reagem ao ambiente projetado — que pode tanto reduzir a ansiedade quanto fortalecer a confiança na instituição e no tratamento. 

O papel do arquiteto e o hospital que dura décadas 

Para Seferin, o mercado passou a exigir do arquiteto uma atuação mais ampla. Conhecer normas, fluxos assistenciais, tecnologia hospitalar e princípios de humanização segue indispensável, mas não basta: “O arquiteto precisa participar do planejamento e das decisões estratégicas da instituição”. Com o aumento dos custos de implantação e operação, cabe ao projeto reduzir desperdícios sem comprometer a qualidade assistencial — algo que ele associa a princípios de Lean Healthcare, como dimensionar corretamente os ambientes e evitar áreas ociosas, percursos excessivos e corredores desnecessários. Ele aponta ainda um deslocamento de fundo: o hospital tende a deixar de ser exclusivamente um local procurado em situações de doença para assumir um papel mais ativo na promoção da saúde, o que altera sua relação com os usuários, com a cidade e com os serviços que oferece. “O arquiteto do hospital do futuro deve compreender arquitetura, assistência, operação e modelo de negócio”, afirma. 


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Hospital do Amanhã trará o debate sobre o tratamento do câncer e apresentará inovações oncológicas. Projeção do espaço pensado pela Seferin Arquitetos da Saúde.


Esse raciocínio orienta o que ele considera essencial na relação com o gestor. “Um hospital é projetado para permanecer em operação durante décadas — muitas vezes, por 50 anos ou mais”, observa, enquanto modelos assistenciais, equipamentos e tecnologias mudam em ciclos bem mais curtos — um descompasso que a inteligência artificial, a robótica e a descentralização do cuidado tornaram ainda mais difícil de antecipar. Daí a ênfase em dimensionamento correto e em flexibilidade, para incorporar mudanças sem obras excessivamente caras ou paralisação da instituição. O arquiteto também deve ajudar o gestor a avaliar o custo total da decisão: uma solução aparentemente econômica na implantação pode elevar a manutenção, aumentar deslocamentos da equipe, gerar desperdício operacional ou exigir substituição precoce, enquanto investir em materiais e equipamentos de melhor qualidade pode reduzir o custo ao longo da vida útil. “A arquitetura precisa ser tratada como parte da estratégia”, diz, por influenciar produtividade, segurança, experiência do paciente, capacidade de expansão, posicionamento institucional e sustentabilidade financeira da operação. 


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O HCPA é uma instituição pública e universitária, integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação (MEC) e vinculada academicamente à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


A força das parcerias: “nenhuma instituição transforma a saúde sozinha”

Para Ana Paula Coutinho, o espaço parte de uma premissa: “nenhuma instituição transforma a saúde sozinha”. Ela descreve um arranjo de competências complementares — o Clínicas com sua experiência de hospital público, universitário e de pesquisa; a Health Meeting como ambiente de encontro e conexão do setor; a Seferin Arquitetura da Saúde na tradução de conhecimento e tecnologia em experiência espacial; e as empresas parceiras somando soluções que ajudam a materializar a proposta. “O resultado é um espaço que aproxima assistência, ciência, tecnologia, gestão e inovação e mostra, na prática, o potencial da colaboração para acelerar transformações na saúde”, afirma.

Um debate de alcance nacional 

Seferin atribui à Health Meeting um papel que ultrapassa a vitrine. “A Health Meeting tem relevância nacional porque reúne, em um mesmo ambiente, gestores, profissionais assistenciais, empresas, arquitetos e especialistas em infraestrutura”, afirma. Durante três dias, diz, áreas distintas discutem mudanças no setor, trocam experiências e confrontam perspectivas. Para o Sul do país, avalia, o evento fortalece um ecossistema com instituições qualificadas e capacidade técnica que ainda precisa ampliar sua integração e visibilidade no cenário nacional. O Hospital do Amanhã potencializa esse papel ao transformar conceitos em experiências concretas, apresentando soluções já aplicadas ao lado de indagações sobre o futuro. A hipótese do tratamento oncológico na residência, exemplifica, deve produzir concordâncias e divergências — e é justamente isso que ele considera produtivo: “o espaço funciona como um laboratório e um palco para o debate sobre os próximos modelos de cuidado”.

 O que fica 

Silva Neto espera que o visitante saia com mais perguntas do que respostas. “Esperamos provocar uma reflexão sobre colaboração”, diz, ao reforçar que nenhuma instituição transformará sozinha um sistema tão complexo e que será preciso construir pontes entre hospitais, universidades, empresas, pesquisadores, profissionais e gestores. “Se cada visitante sair do Hospital do Amanhã com novas perguntas, novas conexões e disposição para repensar algum aspecto da sua própria realidade, já teremos alcançado um resultado importante”, afirma. Para ele, a montagem não trata de um futuro distante: “Muitas das transformações que apresentaremos já estão acontecendo”. O desafio, diz, é ampliar conexões, integrar conhecimentos e fazer a inovação chegar, de forma cada vez mais efetiva, ao cuidado das pessoas — a conversa que o hospital quer promover na Health Meeting. 


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Ana Paula Coutinho chega à mesma síntese pelo lado dos encontros. O Hospital do Amanhã representa, para ela, “antes de tudo uma oportunidade de criar encontros” — entre profissionais de diferentes áreas, entre quem produz conhecimento e quem o transforma em cuidado, entre hospitais, universidades, empresas e instituições que compartilham o desafio de pensar a saúde de novas maneiras. “Ele conjuga saberes, negócios, cuidado e oportunidades”, afirma, ao descrever um espaço pensado como experiência viva, capaz de provocar reflexão, gerar conexões e aproximar os visitantes de transformações que, reforça, já acontecem agora. 

Seferin encerra pela mesma chave, do lado do projeto. “Mais do que uma exposição de soluções, o Hospital do Amanhã é um espaço de investigação”, define. A proposta, diz, é materializar possibilidades, testar conceitos e criar discussões que ajudem gestores e profissionais a tomar melhores decisões hoje, sem a pretensão de cravar como serão os hospitais. A edição dedicada à oncologia, conclui, aponta para uma assistência mais personalizada, ambientes capazes de responder aos diferentes momentos do paciente e uma integração maior entre tecnologia, arquitetura e cuidado.

HEALTH MEETING BRASIL / SINDIHOSPA

A HEALTH MEETING BRASIL/SINDIHOSPA 2026 acontece nos dias 22, 23 e 24 de setembro, no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A edição conta com o patrocínio da Unicred Porto Alegre, da Unimed Porto Alegre e da MedLive Hospitalar. O apoio é do Sebrae, e os media partners são BAND RS, portal Setor Saúde e Brasil Inovador.

Saiba mais em hmbrasilfeiras.com.br

 

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