Tecnologia e Inovação | 31 de agosto de 2026

Hospital Moinhos de Vento inaugura Núcleo de Cirurgia Oncológica com Grand Round de Yuman Fong

Convidado do City of Hope abordou telecirurgia, robótica e vírus oncolíticos; estrutura reúne 13 cirurgiões e foco em volume e desfechos.
Hospital Moinhos de Vento inaugura Núcleo de Cirurgia Oncológica com Grand Round de Yuman Fong

Nas últimas quatro décadas, a cirurgia oncológica passou por uma transformação profunda: procedimentos antes considerados de alto risco tornaram-se mais seguros e menos invasivos, enquanto o avanço das terapias sistêmicas ampliou as possibilidades de tratamento mesmo para pacientes com doença avançada. Foi esse o ponto de partida da conferência que, na terça-feira (25), marcou a inauguração do Núcleo de Cirurgia Oncológica do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, dentro das comemorações pelos dez anos do Centro de Oncologia da instituição.


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A conferência “Cirurgia Oncológica: passado, presente e futuro” foi ministrada pelo Dr. Yuman Fong, chefe do Departamento de Cirurgia do City of Hope, nos Estados Unidos, e membro da National Academy of Medicine, convidado do Grand Round de abertura. Ao revisitar a evolução do tratamento dos tumores hepáticos desde sua formação, em 1984, Fong destacou os avanços na prevenção e no tratamento das hepatites e a maior segurança das cirurgias do fígado. Segundo o especialista, procedimentos hepáticos hoje podem ser realizados com mortalidade operatória em torno de 1% e taxas de cura superiores a 40% em diferentes situações oncológicas.


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O papel do cirurgião oncológico também se expandiu. Se antes a cirurgia se concentrava no tratamento de tumores localizados, hoje o cirurgião participa do cuidado em diferentes momentos da doença: na doença metastática, terapias-alvo e imunoterapias podem tornar operáveis pacientes inicialmente considerados inoperáveis; na outra ponta, a retirada precoce de lesões pré-malignas pode impedir a evolução para o câncer. Fong também chamou atenção para o crescimento do câncer colorretal entre adultos mais jovens — cerca de 3% ao ano entre pessoas com menos de 50 anos, na contramão da redução observada nas faixas etárias mais avançadas.


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Robótica, telecirurgia e vírus oncolíticos

Reconhecido por seu trabalho em cirurgia hepática robótica, Fong apresentou exemplos de como a tecnologia vem permitindo procedimentos menos invasivos e recuperações mais rápidas — em alguns casos, com alta no mesmo dia ou no dia seguinte. A telecirurgia integrou a apresentação: em experimento conduzido por sua equipe, um pequeno robô enviado à Estação Espacial Internacional foi operado remotamente a partir da Terra, apontando possibilidades futuras de suporte especializado e de procedimentos a distância, sobretudo em regiões com menor acesso a especialistas.


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Outra frente foi a pesquisa com vírus oncolíticos, geneticamente modificados para atacar células tumorais. Fong atua há cerca de 25 anos na área e participou do desenvolvimento do CF33, atualmente avaliado em ensaios clínicos em dez centros no mundo. “A cirurgia continua sendo central para a cura do câncer e vai continuar sendo. Mas não basta curar: é preciso tornar o tratamento menos invasivo e disponível para todos”, afirmou o chefe do Departamento de Cirurgia do City of Hope.


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Volume, protocolos e a estrutura do novo Núcleo

A relação entre volume de procedimentos e desfechos foi outro eixo do Grand Round. Fong apresentou dados de um estudo norte-americano sobre cirurgia pancreática no qual centros de alto volume registraram mortalidade operatória de 2%, ante 8% nos demais serviços — diferença que também se refletiu na sobrevida dos pacientes no longo prazo. É um dos princípios que orientam o novo Núcleo, apresentado pelo superintendente médico do hospital, Dr. Luiz Antônio Nasi, e coordenado pelo Dr. Vinicius Grando Gava.

Referência mundial em cirurgia oncológica apresenta telecirurgia, vírus oncolíticos e robótica em Porto Alegre-2

A estrutura reúne 13 cirurgiões especializados no tratamento de tumores do aparelho digestivo, sarcomas, melanoma, neoplasias peritoneais e tumores raros, com cirurgia robótica Da Vinci Xi, terapias regionais como a HIPEC (quimioterapia intraperitoneal hipertérmica), protocolos ERAS (de recuperação acelerada no pós-operatório) e discussão multidisciplinar de casos complexos. A proposta é integrar diagnóstico, cirurgia, tratamento clínico, radioterapia e reabilitação em uma mesma jornada. “O Núcleo dá identidade e método a um trabalho que já existia: concentrar volume, padronizar protocolos e medir nossos desfechos. É assim que se constrói um centro de referência”, destacou Gava.

Nasi destacou ainda a frente de pesquisa em vacinas contra o câncer que a instituição estrutura em parceria com a Universidade de Oxford, o A.C.Camargo Cancer Center, a Fiocruz e o Ministério da Saúde. “O Hospital Moinhos de Vento participa dessa iniciativa como uma instituição que também produz conhecimento e pesquisa, e não apenas aplica aquilo que é desenvolvido por outros centros”, afirmou.

Núcleo de Cirurgia Oncológica

Estruturado dentro do Hospital Moinhos de Vento, o Núcleo concentra o tratamento cirúrgico de tumores do aparelho digestivo — de esôfago, estômago, pâncreas, fígado, vias biliares e colorretal —, além de sarcomas, melanoma, neoplasias peritoneais, tumores retroperitoneais e tumores raros.

Entre as abordagens estão a cirurgia robótica com o Da Vinci Xi, a laparoscopia, cirurgias multiviscerais e com ressecções vasculares, citorreduções com peritonectomia e terapias regionais como a HIPEC e a quimioterapia intra-arterial hepática.

O serviço se apoia na infraestrutura do hospital — centro cirúrgico de alta complexidade, diagnóstico por imagem, medicina nuclear, anatomia patológica, endoscopia, terapia intensiva e centro de infusão oncológica — e em uma equipe multiprofissional que inclui enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, farmacêuticos, estomaterapeutas e assistentes sociais.

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