Porto Saúde chega a 904 mil vidas e reduz sinistralidade no 2T26
Lucro da vertical de saúde sobe 36% no trimestre, mas o avanço se apoia também no resultado financeiro, não só na operação assistencial.
A Porto Saúde encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com 904 mil vidas no seguro saúde e sinistralidade de 76,9%. A vertical de saúde do Grupo Porto somou R$ 2,3 bilhões em receita no trimestre, alta de 14,4% sobre o mesmo período de 2025, sustentada por forte entrada de beneficiários.
O avanço em vidas é o motor do resultado. O seguro saúde cresceu 20,3% em 12 meses e acrescentou 46 mil beneficiários apenas no 2T26, encadeando 23 trimestres seguidos de expansão. O odontológico chegou a 1,27 milhão de vidas, alta de 16,1%. O lucro líquido da vertical foi de R$ 143,9 milhões, aumento de 36,4% ante o 2T25 — o maior avanço percentual entre as quatro verticais do grupo, à frente de Porto Seguro (+4,9%) e Porto Serviço (+11,2%), enquanto o Porto Bank recuou 32,5%. O ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido) da saúde ficou em 24,0%, ganho de 1,6 ponto percentual no ano.
Verticalização virtual e o teste da sinistralidade
A sinistralidade — proporção entre as despesas assistenciais e a receita de prêmios — fechou em 76,9% no conjunto de saúde e odontologia (–0,4 ponto percentual) e em 77,9% apenas no seguro saúde (também –0,4 ponto). A empresa credita a contenção à sua estratégia de verticalização virtual, que reúne o Time Médico Porto, parcerias estratégicas, novos produtos e ações de combate a fraudes. O portfólio da vertical é composto por saúde empresarial, odontológico, o Portomed, planos administrados e saúde ocupacional.
A leitura para o gestor é dupla. De um lado, o índice combinado (soma de sinistros, comissões e despesas administrativas sobre os prêmios; abaixo de 100% indica operação lucrativa) melhorou 0,6 ponto, para 92,0%. De outro, a queda de 0,4 ponto na sinistralidade é modesta e mantém o indicador colado ao teto da própria projeção da companhia para a vertical, entre 72% e 77% — faixa que a Porto reafirmou ao revisar o guidance de 2026. Segurar o custo assistencial já é resultado; reduzi-lo de forma consistente segue como o desafio em aberto.
A composição do lucro
O salto de 36,4% no lucro pede uma ressalva de qualidade. O resultado operacional da vertical cresceu 23,8% (de R$ 153,1 milhões para R$ 189,5 milhões) — ritmo sólido, porém bem abaixo do avanço do lucro final. A diferença veio do resultado financeiro e patrimonial, que quase dobrou no período, de R$ 45,3 milhões para R$ 88,3 milhões. A própria Porto registra, em nota, que a partir de 2026 os resultados financeiros da saúde passaram a ser remunerados com base na posição de ativos de aplicações financeiras — mudança de metodologia que ajuda a explicar o descompasso. O índice combinado ampliado, que incorpora o resultado financeiro, recuou 2,0 pontos, para 88,6%. Em resumo: a operação assistencial melhorou, mas parte relevante do lucro reportado tem origem financeira.
O que observar
“O fechamento do 2T26 reflete a maneira como a nossa estratégia de diversificação, baseada nas necessidades reais de cuidado das pessoas, é capaz de nos fazer crescer consistentemente, inovar e absorver as mudanças de cenário”, afirmou Paulo Kakinoff, CEO do Grupo Porto.
Para o segundo semestre, a vertical entra com o guidance mantido e dois pontos em observação. A sinistralidade em 76,9%, no topo da meta de 72% a 77%, deixa pouca folga para absorver pressão de custo. E o lucro do trimestre se apoiou, em parte relevante, no resultado financeiro — empurrão que pode arrefecer. É por eles que se saberá se a verticalização virtual entrega eficiência assistencial ou apenas acompanha o mercado.