Na FEHOSUL, Zucco assume compromisso de gestão por eficiência e mesa permanente de diálogo
Encontro com segmentos econômicos da saúde gaúcha ocorreu na manhã desta quinta-feira (16), em Porto Alegre.
O deputado federal e pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, participou nesta quinta-feira (16) do encontro “Café com Política e Saúde”, promovido pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Rio Grande do Sul (FEHOSUL) e seus sindicatos filiados, na sede da entidade, em Porto Alegre. Diante de lideranças do setor privado, público e filantrópico, Zucco assumiu o compromisso de instituir uma “mesa permanente de diálogo” com os prestadores e de escolher o secretariado por critérios de eficiência e entrega. A atividade contou com a parceria do portal Setor Saúde.
Ao lado do pré-candidato, a mesa reuniu os deputados federais Pedro Westphalen e Osmar Terra, ambos referências históricas na construção das políticas de saúde do estado. O encontro integra a série da FEHOSUL voltada a ouvir os pré-candidatos ao governo, e teve caráter menos de debate e mais de escuta do setor pelo parlamentar.
A abertura da FEHOSUL
O presidente da FEHOSUL, Cláudio Allgayer, saudou nominalmente as lideranças presentes — de dirigentes de hospitais, clínicas e laboratórios a representantes de conselhos profissionais — e situou o encontro na trajetória da entidade, lembrando lutas históricas do setor no Rio Grande do Sul. Allgayer destacou que um dos principais problemas a ser enfrentado por Zucco, caso ganhe as eleições, é a situação do IPE Saúde. “A crise que vive o IPE está afetando não apenas cerca de 840 mil beneficiários, mas também boa parte da rede prestadora de serviços – hospitais, clínicas e laboratórios.”
Na saudação oficial em nome da federação, o deputado federal Pedro Westphalen — um dos fundadores da FEHOSUL — ressaltou ao público que “Zucco comparece ao encontro na condição de quem está montando seu programa de governo e, nesse momento, sabiamente, tem mais escutado do que falado — método que Westphalen avalia positivamente, ao defender que “o gestor não precisa ser especialista, mas deve ter sensibilidade política e cercar-se de quem conhece o setor. E aqui podemos dizer que está praticamente todo o setor prestador de serviços de saúde, desde a representação médica do estado, assim como laboratórios, clínicas e os hospitais de todos os portes e especialidades. Estas pessoas aqui nesta sala fazem parte da construção da saúde no Rio Grande do Sul, uma saúde conhecida nacionalmente por sua competência, apesar de tantas dificuldades. Eles vieram para te escutar, relatar a realidade de suas instituições e das suas comunidades. Mas principalmente, Zucco, todos aqui se colocam à sua disposição para contribuir contigo para uma saúde com condições mais justas para quem entrega qualidade. Isto é dar também mais dignidade e respeito ao usuário, a nossa população”, completou Westphalen.
“A escolha da gestão de saúde será por eficiência, por entrega”
Zucco estruturou sua fala em torno da ideia de que a gestão da saúde deve ficar nas mãos de quem entende do tema, e não ser definida por barganha político-partidária. “A escolha do secretariado e da gestão de saúde será por eficiência, por entrega”, afirmou, ressalvando que competência técnica é pré-requisito. O pré-candidato disse considerar que a humildade de aprender com os especialistas foi decisiva em sua trajetória parlamentar e propôs replicar esse método na eventual gestão estadual. “No governo, vou buscar estar sempre ao lado dos melhores, independente do partido. O que quero é compromisso e entrega de resultados.”
Na parte assistencial, defendeu o fortalecimento da atenção primária como estratégia central: qualificar os postos de saúde, ampliar a estratégia de saúde da família e usar a telessaúde para aproximar o clínico geral do especialista. Segundo Zucco, o modelo atual gera deslocamentos desnecessários de pacientes por longas distâncias no interior, consumindo recursos que poderiam ser aplicados na ponta. Ele também apontou a necessidade de um prontuário único e efetivo, capaz de garantir continuidade no acompanhamento e evitar a repetição de exames, e citou a atenção básica de Santa Catarina como exemplo a ser seguido.
Financiamento, IPE Saúde e o subfinanciamento dos prestadores
O financiamento do setor foi o ponto de maior tensão. Lideranças presentes expuseram a fragilidade dos hospitais da capital e do interior, pressionados por uma inflação de saúde superior à inflação geral, e cobraram caminhos para ampliar a captação de recursos federais diante de tabelas do Sistema Único de Saúde (SUS) consideradas insustentáveis. O SUS gaúcho, segundo os presentes, precisa ser ampliado, aos moldes do que o estado de São Paulo faz.
Em resposta, Zucco tratou a questão em chave macroeconômica, vinculando a saúde à renegociação da dívida estadual e à mudança da agenda fiscal do Rio Grande do Sul. Defendeu linhas de financiamento nacionais e internacionais, parcerias público-privadas e concessões para infraestrutura, e destacou a criação de um Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Sul e Sudeste como via para atrair recursos. Argumentou que a força política do próximo governador em Brasília será determinante para viabilizar novas rodadas de negociação do financiamento.
Osmar Terra, que foi secretário estadual de saúde, reforçou que o governador precisa ser o líder do estado e comprar as brigas que dependem da esfera federal, em vez de se omitir. Defendeu que a saúde pública fique a cargo de quem entende do tema e valorizou o componente privado do setor, que, segundo ele, tem direito a remuneração justa e cumpre papel essencial na saúde do estado. Terra apontou ainda o desafio de reorientar o modelo para “premiar a saúde, e não a doença”, fortalecendo a prevenção e a atenção primária.
O encontro reforçou o caráter propositivo da série: a FEHOSUL colocou-se à disposição para colaborar na elaboração e na implementação do programa de saúde. Os cafés com os pré-candidatos prosseguem, com o objetivo de qualificar o debate sobre as diretrizes que impactam a gestão do setor no Rio Grande do Sul.
Quem esteve presente
O encontro reuniu dirigentes e representantes de entidades e instituições dos setores hospitalar, laboratorial, médico e de conselhos profissionais, entre eles:
Adalberto Broecker Neto (fundador e presidente da Oncologia Centenário); Amália Ceola (assessora de Comunicação do SIMERS); Antônio Quinto Neto (diretor do IPE-Saúde); Cláudia Abreu (coordenadora da Câmara da Saúde do CRA-RS); Cleciane Doncato Simsen (CEO do Hospital Virvi Ramos e diretora da FEHOSUL); Daniel Giaccheri (sócio-fundador do Grupo São Pietro e vice-presidente do SINDIHOSPA); Denise Marcarini (executiva de Relacionamento Médico do Grupo Nilo Frantz — Medicina Reprodutiva); Eduardo Elsade (ex-diretor de Regulação da SES/RS); Éverton Morais (CEO do Hospital São Jerônimo); Felipe Zart Broecker (diretor da Oncologia Centenário); Fernanda Guimarães (diretora do IAHCS — Acreditação); Flavia Bemfica (jornalista de Política do Correio do Povo); Glênio Machado (fundador e presidente da Oncotrata Oncologia Médica); Gustavo Glotz de Lima (presidente da Fundação Universitária de Cardiologia/Instituto de Cardiologia); Henri Siegert Chazan (presidente do SINDIHOSPA); Humberto Tomazi Godoy (diretor do Hospital Tacchini Carlos Barbosa – Tacchini Saúde); Iara Oliveira (representante da comunidade); Irineu Grinberg (fundador do SINDILAC-RS e ex-presidente da SBAC); Izadora Silveira (Gerente de Relações Institucionais da Santa Casa de Porto Alegre); Jeferson Vinholes (fundador e CEO da Clinionco); João Baptista Feijó (diretor executivo corporativo da AESC / Hospital Mãe de Deus); Katia Grimberg (diretora da SBAC); Leandro Gomes (CEO da Fundação Universitária de Cardiologia/Instituto de Cardiologia); Luciano Zuffo (sócio-fundador e CEO do Grupo São Pietro Hospitais e Clínicas); Luis Augusto Pereira (ex-presidente do CREMERS); Luiz Antônio Godoy (diretor da Clínica São José); Luiz Carlos Pinto (Grupo Hospitalar Conceição — GHC); Luiz César Leal Neto (diretor do Laifer Laboratório e presidente do SINDILAC); Marcelo Elisio Oliveira (diretor do Hospital Regional Santa Lúcia de Cruz Alta); Marcelo Marsillac Matias (presidente do SIMERS); Mauro Sparta (ex-diretor do Grupo Hospitalar Conceição — GHC); Natália (assessora da Diretoria do CREMERS); Nelson Batezini (1º secretário do CREMERS); Odacir Vicente Rossato (CEO do Hospital Ernesto Dornelles); Paulo Morassutti (vice-presidente da AMRIGS); Paulo Schuller Maciel (diretor na Maciel Consultoria e ex-presidente da AHRGS); Pedro Tedesco Silber (diretor presidente da Construtora Tedesco); Rafael Acosta Amaral (vereador em Pelotas); Simone Andreis (diretora da Oncotrata Oncologia Médica); Teresinha Valduga Cardoso (diretora da Escola de Saúde Pública-RS).