Jurídico | 5 de novembro de 2015

Unimed Paulistana deixa de pagar aos seus próprios médicos cooperados

Cerca de dois mil profissionais não receberam pagamentos referentes aos meses de setembro e outubro
image

A Unimed Paulistana, que vive gravíssima crise financeira e tem uma dívida fiscal superior a R$ 1 bilhão, deixou também cerca de dois mil médicos cooperados, prestadores de serviços, sem os pagamentos referentes aos meses de setembro e outubro.

Segundo o jornal o Estado de São Paulo, o atual presidente da operadora, Marcelo Nunes, admitiu que não há prazo para que a situação seja regularizada. “Os médicos cooperados, se a empresa ainda tiver algum fluxo de caixa, vão ter a sua parte devidamente acertada dentro do que for possível. Se não for, eles são donos da empresa e vão arcar conosco com o que está acontecendo”, declarou.

A obstetra Regina Maria Fragoso de Castro, cooperada da operadora há 30 anos, deixou de receber pelo atendimento de 700 pacientes nos meses de setembro e outubro. “Muitos médicos estão em uma situação financeira difícil, criando débitos. No meu consultório, 70% das pacientes são da Unimed Paulistana. Eu atendia de segunda a sexta, das 8 horas às 18 horas. Agora, só atendo de terça a quinta, das 9 horas às 11 horas”, desabafou a obstetra.

Em setembro, a antiga gestão da Unimed Paulistana – que esteve à frente da cooperativa de 2011 a março de 2015 – responsabilizou a atual gestão pela falência do plano, determinada para Agência Nacional de Saúde (ANS). O depoimento foi feito na CPI dos Planos de Saúde, na Câmara Municipal de São Paulo.

Paulo Leme, ex-presidente da Unimed Paulistana, defendeu que se as estratégias econômicas iniciadas em sua gestão tivessem sido mantidas, assim como o modelo de negociação adotado com a ANS, a operadora estaria em melhor situação e não teria sido obrigada a transferir sua carteira de clientes.

A operadora precisou transferir, em setembro, seus 744 mil beneficiários para outras operadoras por determinação da ANS http://setorsaude.com.br/falencia-da-unimed-de-sp-obriga-a-transferencia-de-744-mil-beneficiarios/. O prazo para transferência de planos com menos de 30 vidas e individuais/familiares vai se encerrar no dia 19 de novembro.

VEJA TAMBÉM

O novo ciclo da saúde no Brasil e o necessário reposicionamento em 2026 dos agentes privados de prestação de serviços

O sistema de saúde brasileiro ingressa em um ciclo marcado por aumento de custos assistenciais, densa regulação, expansão da atuação estatal e consolidação jurisprudencial, redesenhando o ambiente econômico e jurídico em que operam hospitais, clínicas, laboratórios e centros diagnósticos, deles reclamando um posicionamento estratégico que permita, ao mesmo tempo, mitigar riscos, mas também preservar margens.

Por que a IA na saúde sem governança é um risco para pacientes e instituições em 2026?

À medida que a tecnologia avança na saúde, cresce também um paradoxo de que nunca foi tão fácil adotar IA, e nunca foi tão perigoso fazê-lo sem controle. Profissionais já utilizam ferramentas generativas no dia a dia, muitas vezes fora dos sistemas institucionais, criando um cenário de shadow AI que expõe dados sensíveis e amplia riscos legais.

MPRS e Hospital Moinhos firmam parceria pioneira para oferecer cirurgias reparadoras gratuitas a vítimas de crimes violentos

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e o Hospital Moinhos de Vento oficializaram, nesta terça-feira (18), uma atuação conjunta para disponibilizar cirurgias plásticas reparadoras gratuitas a vítimas de crimes violentos. Pela primeira vez, uma ação une um hospital de referência e o Ministério Público em um programa que integra conhecimento especializado, responsabilidade social e trabalho voluntário.