Gestão e Qualidade | 12 de setembro de 2018

Plano de saúde do Banco do Brasil registra déficit de R$ 385,9 milhões em 2018

Operadora afirma que não há mais reservas, temendo intervenção de órgão regulador
Plano de saúde do Banco do Brasil registra déficit de 385,9 milhões de reais em 2018

O plano de saúde Cassi (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil) acumulou R$ 385,9 milhões de déficit no primeiro semestre de 2018. O montante é quase sete vezes maior que o resultado dos primeiros seis meses do ano passado, também negativo, de R$ 56,6 milhões.

A Cassi aponta que as despesas assistenciais (pagamento a prestadores credenciados e profissionais de saúde) superaram em R$ 275,2 milhões as receitas no primeiro semestre de 2018.

De acordo com a operadora, o pagamento a prestadores no primeiro semestre deste ano só foi possível porque o Banco do Brasil fez a antecipação de R$ 323 milhões referentes à contribuição patronal sobre o décimo terceiro dos funcionários da ativa e de aposentados até 2021. “O valor foi repassado em três parcelas (abril, maio e junho) e garantiu o fluxo de caixa para a Cassi, mas já foi integralmente consumidos”, informa a operadora.

Risco de intervenção

Os déficits consecutivos dos últimos seis anos culminaram no consumo total das reservas financeiras da Cassi, que se esgotaram em 2017, ficando negativas em R$ 7 milhões, levando a instituição a apresentar índices de baixa liquidez e insuficiência de margem de solvência, o que resultou em notificação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No primeiro semestre de 2018, as reservas líquidas chegaram a R$ 131,8 milhões negativos.

Segundo o vice-presidente da CNSaúde, entidade que representa os hospitais, clínicas e laboratórios brasileiros, médico Marcelo Moncorvo Britto, “o desequilíbrio apontado em 2017 foi responsabilidade exclusiva das despesas não assistenciais” ou seja, aquelas não vinculadas diretamente ao objetivo maior da operadora, que é o de prestar cuidados de saúde aos seus beneficiários.

De acordo com a Cassi, a consequência prática desta situação é que a operadora não tem dinheiro guardado para suprir imprevistos. “Caso ocorra qualquer dispêndio fora do planejado, será preciso usar recursos das reservas obrigatórias e, dessa forma, a Caixa de Assistência ficará exposta a uma intervenção imediata do órgão regulador”, informa.

O presidente da Fehosul, que representa hospitais, clínicas e laboratórios no Rio Grande do Sul, médico Cláudio Allgayer, alerta seus representados para “ a iminente situação de descalabro econômico – financeiro da operadora, que pode significar atrasos maiores na liquidação das faturas e até insolvência financeira, com gravíssimos prejuízos à manutenção dos serviços assistenciais”.

 

Com informações da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e portal Setor Saúde.

VEJA TAMBÉM