Plano de saúde do Banco do Brasil registra déficit de R$ 385,9 milhões em 2018
Operadora afirma que não há mais reservas, temendo intervenção de órgão regulador
O plano de saúde Cassi (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil) acumulou R$ 385,9 milhões de déficit no primeiro semestre de 2018. O montante é quase sete vezes maior que o resultado dos primeiros seis meses do ano passado, também negativo, de R$ 56,6 milhões.
A Cassi aponta que as despesas assistenciais (pagamento a prestadores credenciados e profissionais de saúde) superaram em R$ 275,2 milhões as receitas no primeiro semestre de 2018.
De acordo com a operadora, o pagamento a prestadores no primeiro semestre deste ano só foi possível porque o Banco do Brasil fez a antecipação de R$ 323 milhões referentes à contribuição patronal sobre o décimo terceiro dos funcionários da ativa e de aposentados até 2021. “O valor foi repassado em três parcelas (abril, maio e junho) e garantiu o fluxo de caixa para a Cassi, mas já foi integralmente consumidos”, informa a operadora.
Risco de intervenção
Os déficits consecutivos dos últimos seis anos culminaram no consumo total das reservas financeiras da Cassi, que se esgotaram em 2017, ficando negativas em R$ 7 milhões, levando a instituição a apresentar índices de baixa liquidez e insuficiência de margem de solvência, o que resultou em notificação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No primeiro semestre de 2018, as reservas líquidas chegaram a R$ 131,8 milhões negativos.
Segundo o vice-presidente da CNSaúde, entidade que representa os hospitais, clínicas e laboratórios brasileiros, médico Marcelo Moncorvo Britto, “o desequilíbrio apontado em 2017 foi responsabilidade exclusiva das despesas não assistenciais” ou seja, aquelas não vinculadas diretamente ao objetivo maior da operadora, que é o de prestar cuidados de saúde aos seus beneficiários.
De acordo com a Cassi, a consequência prática desta situação é que a operadora não tem dinheiro guardado para suprir imprevistos. “Caso ocorra qualquer dispêndio fora do planejado, será preciso usar recursos das reservas obrigatórias e, dessa forma, a Caixa de Assistência ficará exposta a uma intervenção imediata do órgão regulador”, informa.
O presidente da Fehosul, que representa hospitais, clínicas e laboratórios no Rio Grande do Sul, médico Cláudio Allgayer, alerta seus representados para “ a iminente situação de descalabro econômico – financeiro da operadora, que pode significar atrasos maiores na liquidação das faturas e até insolvência financeira, com gravíssimos prejuízos à manutenção dos serviços assistenciais”.
Com informações da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e portal Setor Saúde.