Empregabilidade e Aperfeiçoamento | 24 de julho de 2020

Pandemia evidencia a importância da área de pesquisas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Patrícia Prolla, coordenadora do grupo de pesquisa e pós-graduação do HCPA, foi convidada de Live promovida pela Fasaúde/IAHCS
Pandemia evidencia a importância da área de pesquisas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

O desenvolvimento de pesquisas na área da saúde foi o tema abordado pela coordenadora do grupo de pesquisa e pós-graduação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), geneticista e professora Patrícia Prolla, em Live intitulada Desafios para a pesquisa em tempos de Covid-19. O evento foi apresentado no Instagram do coordenador de pós graduação da Faculdade de Tecnologia em Saúde (Fasaúde/IAHCS), doutor em Epidemiologia, professor Paulo Petry.

A pesquisa no Clínicas

“A pesquisa no Hospital de Clínicas tem um papel fundamental, faz parte das atividades e objetivos desde a criação do Hospital. Quando a instituição foi criada, já se apoiava nos três pilares de assistência, ensino e pesquisa”, disse Prolla.

Ela destacou que o grupo de pesquisa e pós-graduação completa 30 anos de fundação em 2020. De acordo com a coordenadora, hoje há aproximadamente 2.500 pesquisas em andamento pelo HCPA na área da saúde. Ela ressaltou que as pesquisas são oriundas de diversas áreas de saúde, e que hoje o Clínicas conta com 52 especialidades médicas além das áreas de apoio. Em 2019, o HCPA teve 3.500 participantes em atividades de pesquisa.


“É um cenário de prática importantíssimo para os alunos de pós-graduação. Com a nossa relação muito estreita com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, hoje recebemos alunos de pós-graduação de 24 cursos da área da saúde da UFRGS. É um terreno muito fértil para a pesquisa acontecer, em diversas áreas , com alunos da graduação, de iniciação científica, pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado”, disse.


Era da “infodemia” e retorno social da pesquisas

Petry ressaltou que hoje vivemos o que ele denominou de “era da infodemia”. De acordo com Petry, “vivemos uma pandemia de informações nesse momento complicado”. Por isso, o professor ressaltou a importância da pesquisa e a informação séria e ética que instituições como o Clínicas produz.

O retorno social foi enfatizado pela coordenadora como um ponto fundamental das pesquisas. Porém Prolla fez questão de ressaltar que, quando se fala em pesquisa, é importante estar ciente de que o retorno como resultado concreto para a sociedade pode demorar meses ou anos para se concretizar. Porém, ela destacou que tem percebido um engajamento maior da sociedade durante a pandemia, notando um esforço de interessados em ajudar voluntariamente nas pesquisas. “Há cada vez mais pessoas que, diante de uma doença, se prontificam a participar de uma pesquisa, pensando em contribuir para que outros pacientes se beneficiem das descobertas”, disse Prolla.

Petry reforçou a importância do compromisso social nas pesquisas. “Muito bonita a tua fala sobre o compromisso social, eu comungo dessa ideia. Quando estavas falando, lembrei de uma frase: ‘A ciência só se justifica se a população poder dela beneficiar-se’. É uma frase que tem a ver com o que acabaste de dizer”, pontuou.

Pandemia evidencia a importância da área de pesquisas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre_



A importância do rigor científico

Prolla ainda destacou a importância do rigor científico nas pesquisas, como na busca de novos medicamentos. “Nesse processo, vamos ter a tentativa e erro. Vamos tentar desenvolver uma droga segura e que seja eficaz”, disse. A geneticista disse que ao longo das décadas foi se acumulando cada vez mais noções sobre a importância do rigor científico, citando o exemplo da Talidomida como uso que gerou más consequências (especificamente, uma síndrome em gestantes que utilizaram o medicamento, causando má formação nos bebês).

O medicamento foi receitado nas décadas de 1950 e 1960. Na época causou deformações em fetos, atingindo ao redor de dez mil bebês. O exemplo é comummente citado como paradigmático, pois gerou amplas mudanças na forma de se realizar pesquisas e nos processos adotados para a regulação de medicamentos.

HCPA

Prolla destacou o site desenvolvido pelo grupo de pesquisa e pós-graduação sobre os projetos sobre Covid-19 desenvolvidos no Clínicas, no qual é possível conhecer o rol de pesquisas que estão em andamento ou em processo de aprovação. Atualmente, já são 107 projetos sobre o tema (a maioria com delineamento observacional, seguido de experimental e desenvolvimento). Os projetos incluem pesquisas experimentais, em bases de dados, com pacientes e/ou colaboradores do HCPA, com indivíduos da população geral ou comunidades específicas fora da instituição. São projetos que se originam no HCPA ou de outros centros no Brasil e exterior, dos quais o HCPA participa.

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Plasma convalescente e TelePsi

A coordenadora saudou dois projetos em andamento no Hospital de Clínicas relacionados à Covid-19.


“Um é com o plasma convalescente, que iniciou na semana passada no Hospital, e já contamos com mais de 20 doadores, que são pessoas que tiveram a Covid e possuem os anticorpos. Essa estratégia é muito promissora, os resultados que estamos vendo são bastante interessantes e temos uma expectativa muito grande. A nossa expectativa é tratar 80 pacientes no Clínicas com essa estratégia, talvez mais se for possível”, frisou. Ela enfatizou a ampla participação da comunidade para que a instituição alcançasse os recursos para desenvolver o projeto.

Ela também destacou o projeto de teleatendimento psicológico para os profissionais da linha de frente, o TelePsi. A iniciativa conta com a participação do HCPA em parceria com o Ministério da Saúde e com o apoio de diversas instituições de ensino e pesquisa, como a UFRGS, sendo coordenado por Giovanni Salum, professor do Serviço de Psiquiatria do HCPA. “Mais de 500 profissionais já foram atendidos, feito por profissionais treinados para esse tipo de atendimento telefônico. Esse é um projeto que temos um retorno social enorme. Foram treinadas centenas de terapeutas pelo Brasil, que estão fazendo atendimento psicológico gratuito. É um projeto belíssimo e com alcance enorme”, salientou.


No final da Live, Prolla deixou uma mensagem final de esperança na valorização da ciência e ressaltou a necessidade de mais investimentos em pesquisa. Ela lamentou que o projeto Epicovid da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), pesquisa que analisa a prevalência do coronavírus na população brasileira, coordenada pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel, não foi renovada pelo Ministério da Saúde.

Próxima Live: Aspectos Clínicos da Covid

A nona edição da Fasaúde Ao Vivo terá como convidado o médico do serviço de medicina interna do Hospital Moinhos de Vento, Rogério Tovar, com o tema Aspectos Clínicos da Covid. O evento ocorrerá no dia 29 de julho, quarta-feira, às 19h, novamente pelo instagram do professor Paulo Petry: @prof_paulo_petry 

Os debates têm o apoio da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (FEHOSUL), Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA), Associação dos Hospitais do RS (AHRGS), Instituto de Acreditação Hospitalar e Ciências da Saúde (IAHCS Acreditação) e Portal Setor Saúde.

Leia as matérias com a cobertura das lives já realizadas, com a participação de Robson Morales, Milton BergerSalvador GulloAlex MelloFernando TorellyJosé Carlos CalichJorge Bajerski e Cristiano Englert.

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