Gestão e Qualidade | 9 de julho de 2020

Jorge Bajerski fala sobre ensinamentos e o papel do Hospital de Clínicas de Porto Alegre na pandemia

Diretor administrativo da instituição hospitalar foi atração de Live promovida pela Fasaúde/IAHCS
Jorge Bajerski fala sobre ensinamentos e o papel do Hospital de Clínicas de Porto Alegre na pandemia

O  Hospital de Cínicas de Porto Alegre (HCPA) é uma das instituições de referência para tratamento da Covid-19 no Rio Grande do Sul. Para abordar como a instituição está agindo para enfrentar o coronavírus, a Faculdade de Tecnologia em Saúde (Fasaúde/IAHCS) promoveu a Live O Hospital de Clínicas de Porto Alegre e a Covid-19, com o diretor administrativo da instituição, Jorge Bajerski. A transmissão foi comandada pelo coordenador de pós-graduação da Fasaúde/IAHCS, doutor em epidemiologia, professor Paulo Petry.

Bajerski falou sobre a preparação da estrutura e de pessoal e os avanços feitos pelo Hospital para atender pacientes com Covid-19. O diretor mostrou preocupação com a falta de medicamentos, salientou o papel dos profissionais, o impacto emocional, bem como os ensinamentos que a pandemia trouxe e os novos desafios que setor terá que encarar logo adiante: a sustentabilidade financeira. Confira.

O Hospital de Clínicas em números

“Os números do Hospital de Clínicas são maiores do que uma grande quantidade de cidades do estado. Em orçamento, de pessoas que circulam lá dentro, são números grandiosos. Somos mais de 6 mil funcionários atuantes, agora um pouco mais por conta da autorização excepcional para enfrentamento da pandemia e abertura de leitos adicionais”, disse.

Bajerski detalhou alguns dados relevantes sobre a instituição. No ano passado, foram mais de 33 mil internações, 567 mil consultas, 3 milhões e 200 mil exames, quase 50 mil procedimentos cirúrgicos, 3.100 partos e 407 transplantes.

Além disso, o HCPA conta com 540 docentes, mais de 500 médicos residentes e mais de 100 residentes multiprofissionais. Em tempos anteriores à pandemia, circulam cerca de 15 mil pessoas por dia na instituição, que possui orçamento de R$ 1,5 bilhão por ano.

Preparação do Clínicas para enfrentar a pandemia

Petry questionou a Bajerski se, com o início da pandemia na China e depois na Europa, o Hospital de Clínicas conseguiu se preparar a tempo para se estruturar ao enfrentamento da pandemia.

O diretor administrativo disse que uma coincidência ajudou o Clínicas a se preparar para o enfrentamento da pandemia, com a conclusão das obras de expansão do complexo hospitalar, no final de 2019. Com a pandemia chegando no RS, o novo bloco ficou destinado aos tratamentos da Covid-19.

Além disso, a diretora-presidente do HCPA, Nadine Clausell foi à Brasília, em fevereiro, para colocar a instituição à disposição do Ministério da Saúde para o projeto de enfrentamento do coronavírus no RS. Além disso, o Clínicas conseguiu com o Ministério da Educação, pasta a qual são diretamente vinculados, autorização orçamentária para aumento do quadro de funcionários para o enfrentamento da pandemia. Foi possibilitada a contratação de 775 novos profissionais temporários. Além disso, o Clínicas espera abrir a totalidade de seus 105 leitos de UTI para Covid-19 ainda em julho (atualmente, 88 leitos já estão disponíveis).

Preocupação com falta de medicamentos

O professor Petry disse que um tema preocupante, que inclusive fez parte de uma entrevista concedida por ele a um repórter do jornal O Globo, foi sobre o desabastecimento de medicamentos, insumos e materiais. Petry questionou como está a situação no Clínicas.


“É um desafio diário. Diariamente, nos reunimos para debater essa situação. Num primeiro momento, tivemos alguma dificuldade na aquisição de EPIs, mas isso foi aos poucos se organizando, e isso em muito se deve às doações recebidas pelo hospital”, detalhou.

Atualmente, há 88 leitos de UTI disponíveis exclusivamente para pacientes com Covid-19. Com o aumento, Bajerski observa que é preocupante a questão do abastecimento de medicamentos. “É um cenário preocupante, um problema nacional. Há um acompanhamento diário pela Secretaria da Saúde, com o preenchimento da planilha dos hospitais, para que a Secretaria acompanhe e possa fazer um balanço de empréstimo de um hospital para outro quando a situação for muito crítica”, disse.


Profissionais da linha de frente: heróis da saúde

Petry questionou como foi realizado o processo de aumento de profissionais durante a pandemia. O diretor administrativo disse que são observadas dificuldades para a contratação em algumas áreas, como a de médico intensivista.

Bajerski ressaltou que a dificuldade na ampliação de leitos de UTI em muito se deve à alocação de profissionais capacitados para atuar nos novos leitos. Uma das estratégias traçadas pela instituição é a realocação de profissionais do Clínicas de outras áreas para a linha de frente do enfrentamento da Covid-19.

O diretor administrativo também apontou que a contaminação de funcionários acentua o problema de alocação de profissionais disponíveis para o enfrentamento da pandemia. No Clínicas, 315 funcionários já tiveram resultado positivo para Covid-19 (85 já retornaram ao trabalho), em 1.996 testes realizados.


“Nas últimas semanas, ampliamos entre 20 a 30 leitos de UTI rapidamente, porque a demanda era muito grande. Muitos pacientes no sistema de gestão do estado demandando por UTI e nós tendo que acolher, abrindo leitos, reorganizando equipes, reestruturando escalas, com pessoas trabalhando em turnos seguidos para dar conta. Às vezes, parece algo meio romântico, mas a turma é heróica mesmo. O pessoal que trabalha na linha de frente, temos de tirar o chapéu. É emocionante estar convivendo com isso todos os dias”, falou Bajerski de modo emocionado.


Impacto emocional da pandemia

Petry abordou os impactos na saúde mental dos profissionais da saúde, que foi tema da Live da semana anterior, com o psicanalista José Carlos Calich. O professor questionou como o Clínicas está agindo em relação à saúde mental dos profissionais.

Bajerski destacou que o HCPA instituiu um grupo liderado pela área de psicologia da instituição, que visita todas as áreas e enfatiza aos profissionais os protocolos de segurança estabelecidos pelo Clínicas, com uso de EPIs, orientações das autoridades em saúde no Brasil e no mundo, além de ampla testagem e acompanhamento dos profissionais da instituição.

Lições da pandemia para o gestor

Petry questionou quais as lições que um gestor de um hospital de tão grande porte pode tirar durante uma pandemia. Para Bajerski, são várias lições, desde as mais genéricas, que envolveram a sociedade como um todo, com ações de mobilização de apoio aos hospitais.


“Até brinco: que legal que pudéssemos seguir mobilizados em tempos normais, buscando soluções para os principais problemas da nossa sociedade. Fica essa lição: a capacidade da mobilização da sociedade é enorme”, destacou.

Do ponto de vista da gestão de hospital, o diretor administrativo disse que a entrega dos profissionais foi um dos pontos que mais lhe chamou atenção. “E não falo apenas os profissionais da linha de frente, mas todos os profissionais. A capacidade de mobilização interna está sendo uma lição muito grande para todos nós”, afirmou.

Bajerski enfatizou que a sustentabilidade financeira será um desafio enorme para o Clínicas daqui para frente. “Os hospitais tiveram uma diminuição de movimento muito grande. Certamente, teremos uma dificuldade enorme pela frente, e isso é uma lição a mais: como lidar com um futuro de tamanha incerteza”, pontuou.


O diretor administrativo criticou a dicotomia vigente no país para lidar com a pandemia, em que muitos temas são polarizados e não resolvidos, como a polêmica sobre os impactos na economia ou na saúde (são ambas as áreas importantes e não devem ser encaradas de modo excludente).

E deixou um recado final: quem puder, deve ficar em casa, principalmente neste momento difícil, de maior subida do número de casos em Porto Alegre e em todo o RS.

Próxima Live

A sétima edição da Fasaúde Ao Vivo terá como convidado o cofundador e diretor de Marketing da aceleradora de startups Grow Plus Ventures/Grow+, médico Cristiano Englert. O evento ocorre no dia 15 de julho, quarta-feira, às 19h, novamente pelo instagram do professor Paulo Petry: @prof_paulo_petry. Leia as matérias com a cobertura das lives já realizadas, com a participação de Robson Morales, Milton Berger, Salvador Gullo, Alex Mello, Fernando Torelly e José Carlos Calich.

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Os debates têm o apoio da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (FEHOSUL), Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA), Associação dos Hospitais do RS (AHRGS), Instituto de Acreditação Hospitalar e Ciências da Saúde (IAHCS Acreditação) e Portal Setor Saúde.



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