Mundo, Tecnologia e Inovação | 28 de dezembro de 2017

Os 5 marcos de 2017 na guerra contra o câncer

Esse ano contou com avanços na imuno-oncologia, tratamentos combinados e pesquisas na área
Os 5 marcos de 2017 na guerra contra o câncer

No ano de 2017, 45 novos medicamentos foram aprovados pela agência reguladora norte-americana Food and Drug Administration (FDA), mais do que o dobro do ano passado. A FDA é uma referência para outros países. Mantêm estrutura ativa e seguidamente é a primeira agência reguladora do mundo a liberar novos tratamentos. Uma dúzia desses novos produtos possibilitaram novas escolhas para o tratamento de uma variedade de cânceres, incluindo linfoma não-Hodgkin, carcinoma de células de Merkel e linfoma folicular.

A lista da FDA de novos medicamentos aprovados durante o ano inclui novas combinações de medicamentos previamente aprovados e a entrada de tratamentos de células imunológicas personalizadas (CAR-T) que ofereceram esperança a milhares de pacientes que ficaram sem opções de tratamento. Esse foi o ano da pesquisa sobre o câncer. Veja alguns dos destaques:

23 de maio: A FDA aprovou o primeiro tratamento contra o câncer prescrito com base nas características genéticas da doença e não na localização do tumor. O fármaco de imuno-hematologia (estudo dos antígenos nas células vermelhas do sangue) da Merck, chamado Keytruda, obteve aprovação para tratar pacientes cujos tumores são definidos como instabilidade de microssatélites alta (High microsatellite instability, em inglês ,da sigla MSI-H) ou falha na reparação inadequada (Deficient mismatch repair, em inglês, da sigla dMMR).

Cerca de 5% dos tumores colorretais têm uma dessas duas características, mas também são encontrados em outros tumores, como câncer de mama, câncer gastrointestinal e câncer de próstata. Keytruda funciona bloqueando “pontos de verificação” que normalmente impedem o sistema de reconhecer e atacar essas células defeituosas.

A Merck testou o tratamento em 149 pacientes com 15 diferentes tipos de câncer de MSI-H ou dMMR e mais de 39% dos pacientes tiveram pelo menos uma resposta parcial ao medicamento e 78% dessas pessoas responderam bem durante seis meses ou mais.

Veja matéria completa sobre o Keytruda

30 de agosto: O primeiro tratamento CAR-T, chamado Kymriah, da Novartis, foi aprovado pela FDA para alguns jovens com leucemia. Kymriah é realizado ao remover as células T (de imunidade) dos pacientes, altera-las através da engenharia genética para poderem reconhecer e matar as células cangerígenas e depois realoca-las no corpo. É um processo extremamente complexo para um tratamento único, e tem um preço de 475 mil dólares. Porém, a Novartis realizou um acordo com os Centros de Medicare e Medicaid Services (CMS), estipulando que a agência só terá que pagar pelo tratamento quando os pacientes apresentarem melhora no primeiro mês.

Acesse matéria completa realizada pelo portal Setor Saúde aqui

18 de outubro: A Kite Pharma ganhou aprovação pelo tratamento CAR-T chamado Yescarta, após ser comprada pela Gilead por 11,9 bilhões de dólares. Yescarta foi aprovada para tratar alguns pacientes adultos com linfoma de células B. Houve alguns problemas na transição para o mercado, incluindo dificuldades de reembolso que resultaram em longas listas de espera para o produto. Entretanto, os analistas estão otimistas em relação ao tratamento de 373 mil dólares, estimando que poderia trazer até 250 milhões de dólares no próximo ano para a empresa.

Veja matéria completa sobre o tema aqui

10 de dezembro: A Bluebird Bio otimizou o CAR-T em um terceiro tipo de câncer de sangue. As ações da startup de terapia genética subiram 18% em um dia após a empresa anunciar os resultados de um pequeno teste do seu CAR-T no mieloma múltiplo. O tratamento, que está sendo co-desenvolvido pela Celgene, é diferente dos dois CAR-Ts anteriormente aprovados, na medida em que visa uma proteína em células de mieloma chamadas BCMA. Os 18 pacientes do estudo falharam em múltiplas terapias anteriores e 17 responderam positivamente ao CAR-T da Bluebird. Em 10 desses pacientes, o câncer pareceu desaparecer, de acordo com as empresas desenvolvedoras durante reunião anual da American Society of Hematology (ASH).

20 de dezembro: A FDA aprova seu 12º tratamento combinado de câncer do ano. O aumento dos tratamentos de imuno-oncologia trouxe consigo uma afirmação de que a combinação de múltiplas modalidades de medicamentos poderia tornar possível o tratamento de cânceres não tratáveis anteriormente. Várias empresas conseguiram este ano provar para o FDA de que produtos previamente aprovados, incluindo tratamentos de imuno-oncologia e medicamentos direcionados, funcionam melhor em grupos do que por conta própria. Por isso, 12 novas combinações de tratamento contra o câncer foram aprovadas em 2017.

Veja reportagem sobre outros tratamentos combinados relacionados a imuno-oncologia

A mais recente dessas aprovações foi concedida à unidade Roche Genentech, por sua combinação de Perjeta, um anticorpo monoclonal voltado para o câncer de mama HER-2 positivo, com a droga Herceptin e quimioterapia.

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