Mundo | 1 de fevereiro de 2018

OMS alerta para alto índice de resistência a antibióticos

Saiba quais são as bactérias mais resistentes
OMS alerta para alto índice de resistência a antibióticos1

Meio milhão de pessoas no mundo sofre de infecções decorrentes de bactérias resistentes a antibióticos, as chamadas superbactérias, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O alerta foi divulgado na segunda-feira, 29 de janeiro, pela OMS, por meio do Sistema de Vigilância Antimicrobiana Global (GLASS, na sigla em inglês).

As bactérias mais resistentes apontadas foram:

Escherichia coli, que causa infecções urinárias

Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae, que causam pneumonia

Salmonella, que causa infecções como gastroenterites e bacteremia

O sistema, que foi lançado em outubro de 2015, não inclui dados sobre a resistência da Mycobacterium tuberculosis, que causa tuberculose, já que a OMS monitora este quadro e fornece atualizações anuais, desde 1994, no relatório global de tuberculose.

A OMS informa que são 52 países (25 países de alta renda, 20 de renda média e 7 países de baixa renda) que estão matriculados no GASS. Para o primeiro relatório, 40 países forneceram informações sobre seus sistemas nacionais de vigilância e 22 países também forneceram dados sobre os níveis de resistência aos antibióticos.

Como o documento divulgado conta com apenas 22 países, o número de pessoas que sofre de superbactérias pode ser ainda maior. Entre os pacientes com suspeita de infecção sanguínea, a proporção que apresentava bactérias resistentes a pelo menos um dos antibióticos mais utilizados variava muito entre diferentes países – de zero a 82%. A resistência à penicilina – o ingrediente ativo usado há décadas para tratar a pneumonia – variou de zero a 51% entre os países e entre 8% e 65% foi a eficácia de antibióticos como a ciprofloxacina para combater a E. coli em infecções urinárias.

“O relatório confirma a grave situação de resistência a antibióticos em todo o mundo”, diz o Dr. Marc Sprenger, diretor da Secretaria de Resistência Antimicrobiana da OMS. “Algumas das infecções mais comuns do mundo – e potencialmente mais perigosas – estão se provando resistentes a medicamentos”, acrescenta.

“O relatório é um primeiro passo vital para melhorar nossa compreensão da extensão da resistência antimicrobiana. A vigilância está em fase inicial, mas é vital desenvolvê-la se quisermos antecipar e enfrentar uma das maiores ameaças à saúde pública global “, diz o Dr. Carmem Pessoa-Silva, que coordena o novo sistema de vigilância na OMS.

A OMS está apoiando mais países para criar sistemas nacionais de vigilância de resistência antimicrobiana que, de acordo com a instituição, podem produzir dados confiáveis e significativos. “O GLASS está ajudando a padronizar a forma como os países coletam dados e permitem uma imagem mais completa sobre padrões e tendências de resistência antimicrobiana”, avalia a Organização.

“Os programas de vigilância da resistência de medicamentos em tuberculose, HIV e malária têm funcionado há muitos anos e ajudam a estimar a incidência de doenças, planejam serviços de diagnóstico e tratamento, monitoram a eficácia das intervenções de controle e projetam regimes de tratamento efetivos para abordar e prevenir futuras resistências. Espera-se que GLASS desempenhe uma função similar”, completa a OMS em comunicado.

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Com informações da Organização Mundial da Saúde. Edição do Setor Saúde.

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