Gestão e Qualidade | 18 de setembro de 2026

Jantar beneficente do Instituto Moinhos oficializa cessão de terreno para projeto Catavento

Assinatura com a Prefeitura de Porto Alegre libera a obra no bairro Mário Quintana e dá início à captação de recursos.
Jantar beneficente do Instituto Moinhos Social oficializa cessão de terreno do Catavento

O INSTITUTO MOINHOS SOCIAL oficializou a cessão do terreno onde será construído o CATAVENTO, centro que reunirá num mesmo espaço uma unidade de saúde, oficinas socioeducativas e um estudo científico de longo prazo, durante jantar beneficente realizado nesta quinta-feira (17) na Associação Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre. A assinatura com o prefeito Sebastião Melo formaliza a parceria entre a Prefeitura e o instituto ligado ao HOSPITAL MOINHOS DE VENTO e libera o início da obra no bairro Mário Quintana.


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Três frentes num só equipamento

O CATAVENTO será erguido no Loteamento Irmãos Maristas, comunidade formada a partir de 2020 por famílias removidas de áreas de risco e de desapropriações em diferentes regiões da capital. Segundo o INSTITUTO MOINHOS SOCIAL, o índice de vulnerabilidade local chega a quase o dobro da média de Porto Alegre.


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Projeção de como será a sede do Projeto Catavento, no bairro Mario Quintana, em Porto Alegre.


O centro vai integrar três serviços hoje inexistentes ou insuficientes na região: uma Unidade Básica de Saúde, para ampliar a atenção primária; um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, com oficinas continuadas para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos; e um estudo científico que acompanhará por até 15 anos indicadores de qualidade de vida e desenvolvimento socioeconômico da comunidade. O instituto descreve o modelo como o primeiro do país a reunir atenção básica, convivência e monitoramento de indicadores biopsicossociais de longo prazo num mesmo equipamento. A programação prevista soma 300 vagas em 12 oficinas, entre elas robótica e programação, judô, teatro, dança e orientação para o mundo do trabalho, além de rodas de conversa sobre saúde mental, nutrição e sexualidade, com participação das famílias.


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Uma unidade “que é quase uma cidade”

Em entrevista ao Setor Saúde durante o jantar, a superintendente de Estratégia e Mercado do HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, Melina Schuch, detalhou o desenho da unidade. Descreveu o Mário Quintana como uma comunidade “super vulnerável”, com quase 40 mil moradores — “é quase uma cidade”, disse — e sem “aparato de saúde” nem “aparato social”. O CATAVENTO terá quadra poliesportiva, espaço para judô e balé e refeitório, com atividades de contraturno: as crianças estudam em um turno e frequentam o centro no outro, com alimentação e acompanhamento.


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Superintendente de Estratégia e Mercado do HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, Melina Schuch,


Segundo a superintendente, a proximidade entre a Unidade Básica de Saúde e o centro social permitirá acompanhar indicadores como vacinação, gravidez na adolescência, infecções sexualmente transmissíveis e empregabilidade. A construção da unidade demanda R$ 5 milhões, e o jantar marcou a primeira arrecadação para a obra. A estrutura social é modular, erguida em containers, o que acelera o cronograma; a previsão de abertura é o primeiro semestre de 2027, a princípio em abril. Melina esclareceu que o projeto não integra o PROADI-SUS — foi submetido para um triênio futuro do programa, mas a iniciativa atual é uma parceria direta entre HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, INSTITUTO MOINHOS SOCIAL e Prefeitura de Porto Alegre, com a operação a cargo do instituto.


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Melina Schuch apresentou detalhes da estrutura e agradeceu os parceiros do projeto CATAVENTO.


A superintendente acrescentou que o hospital tem estudado a possibilidade de assumir também a gestão da Unidade Básica de Saúde vizinha — o instituto já geriu UBSs no passado e está “à disposição” —, mas ressaltou que não se trata de obrigação: “vai ser uma decisão do poder público”.  O Moinhos também foi responsável por construir o Hospital da Restinga e gerir o mesmo nos seus primeiros anos de atendimentos à população carente do extremo sul de Porto Alegre.


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As atividades do CATAVENTO foram desenhadas para crianças e adolescentes, mas as famílias entraram no centro do projeto. “As mães são o diferencial”, afirmou a superintendente, ao classificá-las como “chefe de família” e motor da transformação. O instituto já organiza oficinas profissionalizantes para elas.

“A gente quer dar uma cara mais efetiva”

Também ao Setor Saúde, o CEO do HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, Mohamed Parrini, situou o CATAVENTO como o passo que dá forma permanente ao INSTITUTO MOINHOS SOCIAL, criado há quatro anos e que já mobiliza, segundo ele, “mais de 400 voluntários” em parceria com diferentes instituições, com atuação nas duas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. “A gente quer dar uma cara mais efetiva para o Instituto Moinhos Social. E essa cara é o Projeto Catavento”, disse. O centro, detalhou, reunirá “esporte, quadra, judô, balé, formação profissional, técnico de enfermagem, formação tecnológica”.


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Eduardo Bier e Mohamed Parrini.


Parrini afirmou que a intenção é replicar o modelo: “a gente quer fazer mais duas, três no total”. Em nota, o executivo já havia sustentado que “investir em saúde e educação dentro da comunidade é o caminho mais eficiente de transformação social” e que “cada recurso aportado no Catavento é um investimento de longo prazo, com impacto que será acompanhado e comprovado cientificamente por 15 anos”. No jantar, resumiu o espírito da noite: “Na vida, a gente não leva muita coisa. Mas leva as nossas alegrias, as nossas memórias e o amor que a gente deixa para o nosso próximo.”


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Parceiros foram chamados ao palco para receber homenagem.


Um parceiro histórico da rede pública

O secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, também entrevistado pelo Setor Saúde, situou o CATAVENTO na trajetória de parceria entre o HOSPITAL MOINHOS DE VENTO e o poder público. Lembrou que o hospital geriu por cinco anos o Hospital da Restinga, por meio do PROADI-SUS, antes de devolvê-lo à rede, e prestou consultorias de gestão a hospitais públicos durante as enchentes. Citou ainda um projeto recente de telemedicina no pronto atendimento da Cruzeiro do Sul: “Nos 148 atendimentos, 95% deles foram resolvidos através da telemedicina”, com tempo médio de resposta de pouco mais de quatro minutos.


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Fernando Ritter (segundo, da direita à esquerda).


Sobre a chegada à comunidade, afirmou: “O Hospital Moinhos de Vento ir lá, colocar seus profissionais, seus alunos para poder vivenciar o território e poder fazer a diferença.” Ritter disse ainda que Prefeitura e hospital negociam a viabilização jurídica para que o Moinhos possa ser um dos postulantes a assumir a gestão da Unidade Básica de Saúde vizinha ao centro num futuro próximo. Ele também disse que novos projetos em parceria com o Hospital Moinhos serão anunciados em breve: “Teremos novidades importantes para anunciar em breve.”


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Ex-jogador do Internacional Paulo Roberto Falcção, jornalista Ctristina Ranzolin e Fernando Ritter.


O prefeito Sebastião Melo vinculou o projeto à agenda de integração de serviços públicos. “Saúde, educação e inovação também precisam estar presentes nas comunidades”, afirmou. Segundo ele, transformar espaços públicos em oportunidades é um propósito da gestão municipal.


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Mohamed Parrini, Eduardo Bier, Sebastião Melo e Jorge Gerdau.


Retribuição e centenário

O presidente do Conselho de Administração da ASSOCIAÇÃO HOSPITALAR MOINHOS DE VENTO, Eduardo Bier de Araújo Correa, reforçou, em entrevista ao Setor Saúde, o caráter de retribuição do projeto. “Nós entendemos que era possível e talvez fosse um dever nosso também de retribuir tudo isso que a gente recebe da comunidade e tem recebido ao longo de 100 anos”, afirmou. Citou o Curso Técnico de Enfermagem mantido pelo hospital — dois anos de formação, ao custo de R$ 17 mil, com bolsas — como exemplo de iniciativa capaz de “transformar a realidade de uma pessoa” e de sua família. O Instituto Moinhos Social, em parceria com a Faculdade Moinhos, oferece ocasionalmente editais de bolsas de estudo (integrais e parciais) para o Curso. Correa disse enxergar a atuação numa comunidade desigual como um dever e uma oportunidade. “Eu fico muito contente”, afirmou. “No fim, eu acho que a gente é o maior beneficiado dessa história, pois ajudar nos faz muito bem.”


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Presidente do Conselho de Administração da ASSOCIAÇÃO HOSPITALAR MOINHOS DE VENTO, Eduardo Bier de Araújo Correa e o CEO do Hospital Moinhos Mohamed Parrini.


Sobrinho de Helda Gerdau Johannpeter, que dá nome à Maternidade do Hospital Moinhos, Eduardo Bier é um exemplo de compromisso da família Gerdau com o Hospital Moinhos. A unidade completou na semana passada 15 anos.


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Jorge Gerdau: compromisso com a filantropia e com o apoio ao Hospital Moinhos.


Presente ao jantar, o empresário e filantropo Jorge Gerdau, patrono do HOSPITAL MOINHOS DE VENTO e nome que por décadas liderou o GRUPO GERDAU — uma das maiores produtoras de aço do mundo —, associou a vertente social à trajetória da instituição. Ao Setor Saúde ele lembrou que o vínculo da família com o hospital remonta a gerações — bisavô, avô e tio-avô — e observou que a presidência do conselho de administração está hoje a cargo de um sobrinho seu, Eduardo Bier de Araújo Correa.


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Jorge Gerdau (centro) é um dos principais empresários do Brasil.


“É uma instituição espetacular”, afirmou, ao dizer que o hospital “conseguiu conquistar uma posição de destaque” em âmbito local, nacional e internacional. Para ele, ” saúde é o ponto mais importante da atuação do hospital”.  Gerdau afirmou que a atuação social “corresponde muito ao espírito histórico” da instituição que celebrará o centenário em 2027. O Moinhos foi fundado em 2 de outubro de 1927 em Porto Alegre, e carrega em sua origem os laços com a comunidade de imigrantes alemãs (Deutsches Krankenhaus ou Hospital Alemão).


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Quatro anos de Instituto Moinhos Social

Criado em 2021 para estruturar as ações sociais que o HOSPITAL MOINHOS DE VENTO mantém há quase um século, o INSTITUTO MOINHOS SOCIAL atua em saúde, educação, assistência social, cultura e esporte. Esta foi a quarta edição do jantar beneficente: as anteriores viabilizaram a reforma da Associação de Moradores da Ilha do Pavão (2023), a distribuição de móveis e eletrodomésticos a 2.270 famílias atingidas pelas enchentes de 2024 e 50 bolsas de estudo em Técnico em Enfermagem para pessoas impactadas pelo desastre (2025). Com o terreno cedido, a captação para erguer o CATAVENTO está aberta a empresas, instituições e pessoas físicas.


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Homenagem aos patrocinadores do projeto CATAVENTO e Jantar Beneficente.


Patrocinadores

O jantar contou com o apoio de 25 empresas e instituições em diferentes cotas. Na cota Platinum, a SELECT; na cota Ouro, PANVEL, ELEVEN, SICREDI e SALTON; na cota Silver, TRILEGAL, LIFE GENOMICS e BEE TOUCH; e, na cota Cooper, ANZAMED. Na cota Apoio, apoiaram a iniciativa FREITAS & PRESENATTO, HAVANNA, CANSON, KORALLE, GIOTTO, STUDIO PRESTES, CRITÉRIO, LIDE, CASA MENINO JESUS DE PRAGA, A MANCHA, IVONE BINS, MITTI MENDONÇA – MÃO NEGRA, IEE, FRITZ E FRIDA, LEOPOLDINA e SOLANO. Segundo o instituto, o aporte dos parceiros viabilizou a estrutura do evento, de modo que os recursos mobilizados fossem integralmente direcionados ao projeto.


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Espaço no Leopoldina Juvenil ficou lotado de convidados e apoiadores.


Para a representante do TRILEGAL, Maria Elisabeth Chiodo, “apoiar a unidade Catavento é apostar em um projeto que não se encerra na entrega da obra”. Ela destacou que o acompanhamento de longo prazo dos indicadores da comunidade demonstra compromisso com resultado real e é o tipo de iniciativa que o escritório quer ver acontecer em Porto Alegre.

Ao Setor Saúde, o CEO do HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, Mohamed Parrini, resumiu o sentido da noite: “Na vida, a gente não leva muita coisa. Mas leva as nossas alegrias, as nossas memórias e o amor que a gente deixa para o nosso próximo.”

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Fotos: Leonardo Lenskij. 

 

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