Gestão e Qualidade, Tecnologia e Inovação | 19 de dezembro de 2019

Departamento de Regulação do RS inova ao utilizar Inteligência Artificial contra o suicídio

Diretor da Regulação gaúcha, Eduardo Elsade, apresenta iniciativa pioneira em primeira mão em evento da FEHOSUL/AHRGS e SINDIHOSPA
Departamento de Regulação do RS inova ao utilizar Inteligência Artificial contra o suicídio

“Um sistema de saúde isento de regulação está condenado ao caos”. Assim definiu o diretor do Departamento de Regulação da Secretaria Estadual da Saúde do RS (DRE/SES), Eduardo Elsade, em palestra do Seminários de Gestão: Tendências e Inovações em Saúde, ocorrido no dia 9 de dezembro, no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. O palestrante abordou a evolução das regulações no sistema de saúde brasileiro, que permitiram a criação do Departamento, em 2008, a evolução do órgão estadual e a implementação de novas tecnologias do Sistema Estadual de Urgências em Saúde do RS, com a apresentação de aplicativos inovadores desenvolvidos e do programa pioneiro de Inteligência Artificial da Secretaria criado para detectar com antecedência possíveis casos de suicídio.


O evento, já tradicional na agenda da saúde gaúcha, atualmente em seu quarto ano consecutivo, é promovido pela Federação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (FEHOSUL), em parceria com a Associação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (AHRGS) e o Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA). Tendências e Inovações em Saúde foi o tema desta edição do Seminários de Gestão – a quinta em 2019.

O patrocínio desta edição foi do Banrisul; da empresa de tecnologia Pixeon, do laboratório farmacêutico MSD; e da operadora de planos de saúde Unimed Porto Alegre. A certificação foi concedida pela faculdade Fasaúde/IAHCS, e os apoiadores foram IAHCS Acreditação, CBEXs, CNSaúde e Naxia Digital. O veículo oficial do evento é o portal Setor Saúde.


Departamento de Regulação Estadual do Rio Grande do Sul (DRE/SES)

Elsade abordou a implementação, pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES), do Departamento de Regulação Estadual do RS (DRE/SES), em 2008. O palestrante abordou os processos regulatórios que foram implementados historicamente no Brasil, citando que o DRE/SES surgiu após as Portaria 2.048/2002 (que aprovou o Regulamento Técnico dos Sistemas de Urgência e Emergência) e 1.559/2008 (que implantou a Política Nacional de Regulação).

Entre as responsabilidades do Departamento está a de propor e pactuar a Política Estadual de Regulação Assistencial, considerando necessidade, demanda e serviços de saúde contratados; estabelecer normas e padrões para funcionamento das Centrais de Regulação sob gestão estadual; e manter contato permanente com complexos reguladores e centrais de regulação sob gestão municipal, com a finalidade de alinhar processos e potencializar resultados.

Eduardo Elsade

Eduardo Elsade

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Elsade explicou como estão organizadas as subdivisões de Centrais dentro do Departamento. Ele abordou a atuação da Central Estadual de Regulação Ambulatorial, Central Estadual de Transplantes e Central Estadual de Urgências (com três subdivisões: Central Estadual de Regulações do Samu, Central Estadual de Regulação Hospitalar e Central Estadual de Regulação em Saúde Mental). “Temos a maior Central de Regulação do SAMU do Brasil”, destacou Elsade.


O palestrante também salientou a importância, na gestão da saúde de emergência, da integração entre órgão de segurança pública e saúde. “Essa integração é fundamental para lidar com desastres que proporcionem múltiplas vítimas, novas doenças e epidemias que surgem ou reaparecem”, destacou. Elsade ressaltou o desafio que as redes sociais, com notícias falsas (Fake News) impõem atualmente, principalmente em relação às vacinas. “Hoje precisamos lutar contra falsas notícias, sem base científica, que trazem desinformação e nos obrigam a atuar para impedir a volta de doenças que já estavam erradicadas”. Esta situação tira recursos – cada vez mais escassos – de todo o sistema de saúde, impactando o planejamento das políticas públicas, explicou.


Ganho de tempo para salvar vidas (App Chamar 192)

O palestrante apresentou o aplicativo para celulares Chamar 192 – SAMU, o primeiro aplicativo nacional do tipo. O aplicativo facilita o acionamento do Serviço Móvel de Urgência (Samu), em casos de urgência. Ao fazer a ligação por meio dele, o médico regulador que conversar com o solicitante terá acesso antecipado a informações básicas e a localização por GPS, agilizando o processo de regulação e a chegada da ambulância.

Como foi demonstrado na palestra, o médico que atender ao telefonema saberá previamente informações básicas e localização via GPS de quem chama por socorro, diminuindo o tempo de resposta para a chegada da ambulância. “Ele [aplicativo] nos dá grandes facilidades tecnológicas. Evita a necessidade de identificação de endereço e uma série de dados iniciais, identificando imediatamente o cliente e já realizando os procedimentos. A tecnologia nos dá minutos preciosos no encaminhamento de um atendimento”, destacou o palestrante.

Controle das informações por meio das novas tecnologias

Elsade também apresentou o aplicativo destinado para aos gestores da regulação. O palestrante abriu ao vivo a tela do aplicativo para que o público pudesse ver as funcionalidades.

O aplicativo de gestão SAPH (Solução de Atendimento Pré-Hospitalar), é utilizado pelas equipes de emergência. “Ele permite que os gestores das regiões do Rio Grande do Sul visualizem as suas situações de emergência e urgência”, explicou.

O aplicativo permite o acompanhamento de despachos, em tempo real, das ambulâncias do Rio Grande do Sul. “Temos a possibilidade de acompanhar todo o deslocamento e todos os atendimentos das ambulâncias do Rio Grande do Sul, em tempo real, pelo aplicativo. Essa é uma ferramenta inédita, desenvolvida aqui no nosso estado”, enfatizou.

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“Consigo enxergar todos os atendentes da regulação estadual. Todos os médicos que estão logados no Sistema em atendimento neste momento e os casos reais. A tecnologia me mostra ainda onde estão todas as ambulâncias, em um mapa, quem é o motorista, se estão na base ou em deslocamento, e os profissionais que o acompanham. Consigo por exemplo, abrir o aplicativo e informar para o comandante da Brigada Militar, para onde o paciente está sendo deslocado e sua situação atual durante o atendimento”, explicou Elsade. O palestrante ainda explicou que o Departamento está em tratativa para disponibilizar um aplicativo semelhante para a Secretaria de Segurança Pública do RS, que permitirá atendimentos integrados e de maneira mais ágil.

No mesmo aplicativo, o gestor consegue fazer uma pesquisa por data ou nome/dados do paciente atendido, quem atendeu, o percurso e o tempo percorrido, e outas informações.

Inteligência Artificial contra o suicídio: ferramenta ajudou a salvar vida

Elsade apresentou o protótipo do programa de Inteligência Artificial lançado em primeira mão no evento Seminários de Gestão “É a primeira vez que está sendo apresentado publicamente, como deferência aos parceiros presente neste evento”, enfatizou.

O Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional de casos de suicídio no Brasil, com taxas acima da média mundial. Diante de dados alarmantes, o governo do RS desenvolveu um programa que utilizar o método de análise de dados e a automatização de modelos analíticos. Com o uso do machine learning (aprendizado de máquina), uma espécie de robô faz mineração de dados em redes sociais, localizando casos de interesse para a saúde pública, como diminuir as taxas de suicídio, podendo ser utilizado também para outras situações.


A atuação inicialmente está sendo feita pelo Twitter, mas o palestrante apontou que o mapeamento será expandido para outras redes sociais (facebook, instagram, etc), fóruns e sites. Elsade explicou que foi montado um grupo de especialistas que criaram um perfil, por meio do histórico nas mídias sociais e dos atendimentos da Saph e do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) é alimentado, principalmente, pela notificação e investigação de casos de doenças e agravos que constam da lista nacional de doenças e, com o tratamento dos dados, dos tipos de postagens que levam à situação de suicídio. “Eu posso contar que, no tratamento dessas situações, identificamos uma situação assustadora: só nesse início de atuação, o robô já identificou possíveis 39 grupos de indução ao suicídio atuando no Rio Grande do Sul”, revelou.

Inovações do Departamento de Regulação foram apresentados em primeira mão no Seminários de Gestão

Inovações do Departamento de Regulação foram apresentadas em primeira mão no Seminários de Gestão

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A ferramenta, mesmo que em testes, já foi utilizada com sucesso. “Tivemos um alerta de uma adolescente que estava tentando se suicidar, eu uma live (transmissão ao vivo) na internet. O Corpo de Bombeiros foi acionado e impediu o suicídio”, relatou o palestrante, que explicou que o machine learning permite a geração de um relatório de notificações, gerado pelo robô, apontando aos gestores os resultados da varredura.

O projeto teve como etapas anteriores históricos de mídias sociais e de atendimentos, para então ser criado uma nuvem de palavras que interessem ao robô, como ‘vontade de sumir’, ‘cometer suicídio’, ‘inútil’, dentre outas. Elsade explicou um pouco do processo: “O robô nos dá um score, como frases e palavras, e nos fornece uma página de alerta, para então, analisarmos e tomarmos uma decisão”, como foi no caso da menina que foi socorrida pelos Bombeiros.


Elsade diz que a Inteligência Artificial da Secretaria da Saúde irá atuar em três focos (somente o primeiro já está tendo atuação pelo Programa):

1) Situações de alerta de suicídio, automutilação, agressão a crianças, idosos e mulheres;

2) Denúncias de atendimentos de saúde em emergências e Samu; e

3) Rastreamento de ações anti-vacina.

Cláudio Allgayer, Eduardo Elsade e Paulo Petry

Cláudio Allgayer, Eduardo Elsade e Paulo Petry

Leias as matérias das palestras anteriores

O poder das soluções de BI para lidar com indicadores hospitalares

FEHOSUL/AHRGS e SINDIHOSPA debatem necessidade de compliance no setor da saúde

Cuidado centrado no cliente implementado pela Unimed Porto Alegre foi tema de palestra no Seminários de Gestão

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