Hospital Moinhos de Vento realiza primeira cirurgia ortopédica de cooperação com o Uruguai
Encaminhamento coordenado mantém o vínculo com o médico de origem e integra telemedicina e segunda opinião entre os dois países.
O Hospital Moinhos de Vento operou, na última semana de agosto, o primeiro paciente uruguaio encaminhado à ortopedia dentro do modelo de cooperação que a instituição mantém com organizações de saúde do país vizinho. Ricardo Araujo Abimorad, 60 anos, otorrinolaringologista e morador de Rivera, passou por uma artroplastia de quadril conduzida pela equipe de quadril do Serviço de Ortopedia e Traumatologia, em Porto Alegre. Ele está entre os primeiros pacientes atendidos por esse modelo.
A jornada começou no Uruguai. Após a confirmação do diagnóstico e a indicação cirúrgica, o médico assistente identificou a necessidade de um recurso disponível no Moinhos de Vento e encaminhou o paciente a Porto Alegre.
Ricardo Araujo Abimorad foi submetido a uma cirurgia pela equipe de quadril do Serviço de Ortopedia e Traumatologia.
A cirurgia — uma artroplastia de quadril, em que a articulação danificada é substituída por um implante artificial — foi realizada com o auxílio da plataforma robótica MAKO. A técnica permite alta entre um e três dias e, de volta ao Uruguai, Ricardo segue acompanhado pela mesma equipe que o encaminhou.
“Desde a coordenação, a cirurgia, as consultas com os especialistas, os exames e o planejamento, tudo foi realmente excelente”, afirmou o paciente, que destacou a atuação da equipe — rigor técnico e gentileza, segundo ele, presentes de forma integrada durante toda a internação. A única ressalva veio em tom de brincadeira: “Se eu fosse reclamar de alguma coisa, seria da comida. Era tão saborosa, com tanta variedade e tão farta, que eu e minha esposa engordamos. Agora é fazer dieta.”
Como funciona a cooperação entre os dois países
O modelo permite encaminhar ao Moinhos de Vento pacientes que precisam de recursos especializados por meio de uma jornada coordenada entre as equipes dos dois países. O médico assistente uruguaio permanece como referência do caso, participa das decisões junto aos especialistas brasileiros e retoma o acompanhamento após a alta. As parcerias contemplam ainda telemedicina e o programa de segunda opinião médica Double Medical Care, que permite discutir casos entre especialistas dos dois países antes de qualquer deslocamento — o paciente pode ter o caso avaliado ainda no Uruguai e viajar ao Brasil somente quando o atendimento presencial for necessário.
“Poder oferecer tratamento de excelência aos nossos irmãos uruguaios é um caminho promissor, em que todos ganham”, afirma o Dr. Carlos Roberto Galía, chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Moinhos de Vento e responsável pelo procedimento. Para ele, a iniciativa amplia a troca de conhecimento entre as equipes e mantém o corpo clínico da ortopedia engajado na proposta.
Para Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento, a cirurgia representa mais um passo na cooperação internacional em saúde e na construção de redes assistenciais integradas. “Mais do que ampliar o acesso a conhecimento, tecnologia e atendimento especializado, queremos construir uma jornada integrada, que preserve o vínculo do paciente com seu médico de origem”, afirma.
As parcerias no Uruguai
O Moinhos de Vento mantém acordos de cooperação com o Sanatorio SEMM Mautone, instituição privada sediada em Maldonado, na região de Punta del Este, além da SISAMÉRICA e da Medicina Personalizada. Os acordos viabilizam o encaminhamento de pacientes para atendimento especializado em Porto Alegre e incluem iniciativas de telemedicina e segunda opinião médica, com integração entre especialistas dos dois países e continuidade do cuidado no país de origem.
Parque robótico multiplataforma
De acordo com a instituição, o Moinhos de Vento mantém um dos parques robóticos multiplataforma mais diversificados da América Latina, com tecnologias voltadas a diferentes especialidades e a procedimentos de alta complexidade.
Parcerias internacionais de referência
A aproximação com o Uruguai integra um movimento mais amplo de cooperação internacional do Moinhos de Vento. Em 2023, o hospital criou seu Escritório de Relações Internacionais e, desde então, passou a firmar alianças com instituições de referência mundial voltadas à troca de conhecimento, a projetos conjuntos e ao acesso a redes globais de excelência clínica. Entre elas estão duas das instituições mais bem avaliadas do mundo no ranking World’s Best Hospitals, elaborado pela revista norte-americana Newsweek: a Johns Hopkins Medicine e a Mayo Clinic.
Os acordos com as duas instituições vão além da troca institucional e alcançam o paciente: viabilizam que pessoas atendidas no Moinhos de Vento realizem consultas presenciais nesses hospitais de referência nos Estados Unidos, com suporte do hospital gaúcho na articulação da jornada.
Com a Johns Hopkins Medicine International, braço global da instituição norte-americana, a colaboração se concentra na troca de conhecimento, na incorporação de novas tecnologias e na adoção de melhores práticas no cuidado ao paciente, além do aprimoramento da formação de médicos e profissionais de saúde.
Já a parceria com a Mayo Clinic ocorre por meio da Consultoria Global da instituição e tem foco inicial na Oncologia. O objetivo é atualizar técnicas de diagnóstico e de tratamento, ampliando o escopo do Centro de Oncologia do Moinhos de Vento com intercâmbios, pesquisas e troca de conhecimento entre profissionais.
A rede inclui ainda a McMaster University, do Canadá, com quem o hospital desenvolve um projeto que emprega inteligência artificial para agilizar exames de ressonância magnética, reduzindo o tempo de realização sem perda de qualidade das imagens. A iniciativa prevê o uso do “Cinema Vision”, óculos de realidade virtual que permitem ao paciente assistir a filmes durante o exame — recurso que pode beneficiar sobretudo crianças e pessoas com claustrofobia e, conforme avaliação clínica, dispensar sedação ou anestesia em determinados casos.
Na frente oncológica, o Moinhos de Vento é membro, desde 2023, da União Internacional de Controle do Câncer (UICC), organização fundada em 1933, em Genebra, que reúne mais de 1.150 instituições em 172 países e mantém status consultivo na ONU e relações oficiais com a Organização Mundial da Saúde (OMS).